terça-feira, 6 de setembro de 2005

Poesias (Paulo Leminski)

I
Confira
tudo que
respira
conspira

II
Tudo é vago
e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso

III
Cinco bares,
dez conhaques
atravesso são paulo
dormindo dentro de um táxi

IV
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

V
O pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique

VI
Chora de manso e no íntimo... procura.
Curtir sem queixa
o mal que te crucia.
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua aventura...
A vida é vã como a sombra que passa...
Sofre sereno e de alma sobranceira
Se um grito sequer, tua desgraça
Encerra em ti tua tristeza inteira
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua e constante companheira.
Comentário do blog: se vivo fosse, Paulo Leminski (foto), esse grande poeta paranaense, um dos líderes do movimento da poesia marginal dos anos 70, estaria com 61 anos, completados há 12 dias atrás. Ele morreu em 79, e nos deixou um legado de poesias como essa, uma de suas últimas, mostrando o marginal poeta que ele sempre foi. A primeira estrofe é profética. Leminski é um dos meus preferidos.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ele morreu em 89.

J disse...

esse poema aí é do Bandeira?
chora de manso e no íntimo...