sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Última capa

O jornal Diário do Tapajós circula hoje com a seguinte capa:

Da edição de hoje, destaco o artigo que eu mesmo escrevi:

Nem todo limite deve ser ultrapassado


Capitulei.
Meus limites de simples ser humano estancaram minha vontade de me multifacetar em hiperatividades complexas, como se eu tivesse vários clones à minha disposição. Não suportei a vida dupla/tripla e atribulada de escrivão/escritor/escrevinhador/escravo... de mim mesmo.
Foram quatro meses assumindo a tarefa de editar este suplemento regional do Diário do Pará, em concomitância com minha outra atividade como serventuário da Justiça. Quando fui convidado a assumir a tarefa, em abril, refuguei inicialmente, mas depois aceitei acreditando que o Super-homem que eu acreditava existir dentro de mim superaria todos os infortúnios. Mas no meio do caminho havia uma pedra... de kryptonita! E aí nem um super-homem dá jeito!
Esta é a última edição do Diário do Tapajós que eu edito. Depois de quatro meses, fui vencido pela estafa de tantas atividades, pois além das já citadas me envolvi também com atividades culturais (grupo de teatro), sociais (conselho da comunidade) e “internáuticas” (meu blog na internet)! Sem contar o Curso de Gestão em Jornalismo na FIT. E quase sempre, uma ou outra acaba penalizada.
Além disso, a mulher reclama, os filhos mendigam meu carinho e o bocejo passou a ser minha rotina. O livro que eu ia escrever, mofa nas prateleiras. Meus cinco cachorros já me olham desconfiados e parecem dizer: “será que esse cara é um ladrão entrando em casa de madrugada? Ele até parece com meu dono, que há tempos não vejo”... Felizmente, antes de me morderem, reconhecem meu cheiro (pra eles, pelo menos é bom...)
Houve uma época em minha adolescência que cunhei uma frase como minha favorita e que expressava todo o gás que sempre tive para assumir tarefas hercúleas, principalmente se envolvessem atitudes radicais: “um homem só conhece seus limites, depois que os ultrapassa”. Apesar de ter abandonado essa filosofia sectária há tempos, hoje sinto que ela se materializou nesta minha jornada. Ultrapassei meus limites e meu corpo reagiu.
Mas sou jornalista, não desisto nunca. Deixo a edição, mas continuarei escrevendo como colaborador. Minha saída acontece no momento em que o Diário prepara uma nova investida neste projeto arrojado, tendo à frente Jader Filho, com quem tive excelente parceria. Saio, mas deixo uma equipe bem mais preparada para esse novo desafio, que exigirá maior empenho para as mudanças que virão. Continuarei por aqui, escrevendo uma coluna ou matérias especiais. E quem sabe um dia possa voltar a integrar a equipe, quando o Diário do Tapajós, for realmente um Diário, como prevê o plano inicial.
Como diz Chico Buarque: “(...) Me dá, só um dia, que eu faço desatar a minha fantasia...”


P. S. Agora poderei atualizar meu pobre blog, com mais freqüência. Espero todos lá:
www.jotaninos.blogspot.com

Comentário do blog: como já havia dito aqui no blog, um dia teria que optar em deixar uma de minhas funções. Agora, livre da responsabilidade de fechar o Diádio do Tapajós (um novo editor assume na terça-feira), terei mais tempo para este blog e as outras 499 atividades que sobraram...

Um comentário:

Juvencio de Arruda disse...

Tenho certeza que os leitores do Diário vão perder...mas a mulher,os filhos,os cachorros,o grupo de teatro,a Justiça,o curso de jornalismo,os amigos e o blog (ufa!)vão ganhar.Meu apoio,Grego.