sexta-feira, 9 de setembro de 2005
PanTera, "tiroPiTas" e PT...
Show de horror

Meu grego preferido

Hoje, aos 84 anos, aposentado, o velho grego ainda está em forma. Deixou o ramo comercial e vive como um sitiante num terreno que comprou na comunidade de Cipoal, próximo à casa de minha meia-irmã Cecília, esposa do amigo escritor Eymar Franco.
Plantando suas árvores e suas verduras, fica ligado o dia todo na TV Senado pela parabólica e depois me conta com detalhes o discurso de qualquer político. Ele ainda não se liga em internet para ler essa nota, mas não duvido que daqui há pouco faça até um blog...

As histórias dele, talvez eu traga para o meu blog qualquer dia desses, pois já vi que é mais fácil ir registrando por aqui do que ficar prometendo escrever um livro. E ele tem histórias incríveis de quem viveu a guerra de perto, sendo um dos poucos sobreviventes de um grupo prisioneiros do nazismo.
Seu espírito de luta e seu exemplo, foram importantes para forjar minha personalidade, que se não é das melhores é das mais sinceras.
Fica o registro pro meu velho, mesmo com o atraso de uma semana. Seja sempre bem-vindo ao Brasil. "Se agapó para poli, patera!" ("Te amo demais, pai", em grego)
Um beijo, ao meu grego favorito.
A sintaxe do adeus
E são os vivos que sentem.
E alguém, com dedos de rosa
lhe fecha as pálpebras como
quinta-feira, 8 de setembro de 2005
Para descontrair
Alter do Sairé

Histórias de Miltinho
quarta-feira, 7 de setembro de 2005
Sairé, a expectativa
Sairé começa hoje em Alter do Chão
A festa que havia sido revitalizada a partir de 1997 com a criação da disputa entre os grupos folclóricos representando os botos Tucuxi e Cor de Rosa, após muitos debates entre a Coordenadoria Municipal de Cultura (CMC) e os moradores da vila, definiu a separação dos dois eventos, já que no entendimento do advogado Beto Teixeira, coordenador da CMC “estava havendo uma descaracterização do rito tradicional do Sairé”. Outra mudança fundamental foi o retorno da grafia do Sairé com “S” e não com o polêmico “Ç”, que apesar do forte apelo de marketing dividia opiniões entre lingüistas e folcloristas. (...)
O Sairé é a mais antiga manifestação da cultura popular da Amazônia. A festa resiste há mais de 300 anos, mantendo intacto o seu simbolismo e a sua essência. A origem remonta ao período da colonização, quando os padres jesuítas, na missão evangelizadora pela bacia do rio Amazonas, envolviam música e dança na catequese dos índios (essa é a hipótese mais provável, já que, antes da catequização, os indígenas não conheciam a religião cristã, nem os textos bíblicos e nem o mistério da Santíssima Trindade).
Com as mudanças ocorridas ao longo desses 300 anos, o Sairé foi ganhando novos contornos. Atualmente, é festejado no mês de setembro e consiste em um ritual religioso que se repete durante o dia, culminando com a cerimônia da noite – ladainhas e rezas – seguida da parte profana da festa, representada pelos shows artísticos (com apresentações de danças típicas) e pelo confronto dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa. São cinco dias de muita música, dança e rituais resultantes do entrelaçamento social e cultural entre os colonizadores portugueses e índios da região do Tapajós.
A história dos 300 anos de Sairé é um tanto quanto acidentada. Sofreu uma paralisação de 30 anos (de 1943 a 1973), voltando a ser realizada por iniciativa de moradores da vila de Alter-do-Chão, numa tentativa de reviver a antiga tradição local. O belo e singelo folclore, até meados do século passado, tinha significação puramente religiosa, celebrando a Santíssima Trindade, com um semicírculo (o Sairé) de cipó torcido, envolvido por algodão e enfeitado com fitas e flores coloridas. O símbolo possui três cruzes dentro do semicírculo e outra na extremidade, representando as três pessoas da Santíssima Trindade e um só Deus – é uma criação indígena com base nos escudos portugueses. Em lugar da Cruz de Cristo que adornava os símbolos portugueses, o Sairé (certamente por inspiração de algum missionário católico) associou o mistério da Santíssima Trindade, utilizando a imagem da pomba que representa o Espírito Santo. Este estandarte segue à frente da procissão, conduzido por uma mulher, que recebe o nome de Saraipora. Há registros de que o Sairé era canto e dança de certos índios da Amazônia. Em Alter-do-Chão, o que se conhece por Sairé é o seu símbolo, cuja versão corrente representa “o respeito dos índios, usado para homenagear os portugueses quando esses aportaram em suas terras”.
Na Grande Enciclopédia da Amazônia, o historiador Carlos Roque diz que Sairé é um semicírculo de madeira, que contém o relato bíblico do dilúvio: o grande arco representa a arca de Noé; os espelhos, a luz do dia, os doces e as frutas, a abundância de alimentos existentes na arca; o algodão e o tamborim, a espuma e o ruído das ondas durante os 40 dias de dilúvio. Os três semicírculos simbolizam a Santíssima Trindade e as três cruzes o calvário, com Jesus Cristo Crucificado entre os ladrões.
O folclorista Luís da Câmara Cascudo, reproduzindo trechos da obra "Poranduba Amazonense" de Barbosa Rodrigues, diz que Sairé (também chamado de Turiua), é uma espécie de procissão de mulheres em que carregam o instrumento que tem o nome de Sairé.
Fruto da colonização portuguesa, o Sairé tornou-se ao longo dos anos um atrativo obrigatório para quem pretende descobrir os mistérios e encantos da cultura santarena.
Somente com o passar dos anos é que outros valores folclóricos foram acrescentados, incluindo aí as danças do curimbó, puxirum, lundu, desfeiteira e quadrilhas. As outras danças foram incluídas aos poucos, obedecendo à iniciativa de moradores de Alter-do-Chão, descendentes dos índios Borari. Na Festa do Sairé, é possível apreciar dezenas de manifestações folclóricas, especialmente dança e música, apresentadas pelos moradores, como: camelu, desfeiteira, lundu, valsa da ponta do lenço, marambiré, quadrilha, cruzador tupi, macucauá, cecuiara e muitas outras.
A festa do Sairé é uma manifestação que mistura elementos religiosos e profanos, começando com o hasteamento de dois mastros enfeitados, seguidos de ritual religioso e danças folclóricas desempenhadas pelos moradores da vila. No último dia, na segunda-feira, ocorrem a “varrição da festa”, a derrubada dos mastros, o marabaixo, a quebra-macaxeira e a “cecuiara” (almoço de confraternização). A programação termina à noite, com a festa dos barraqueiros.
Este ano, o Sairé acontece entre os dias 8 e 12 de setembro, envolvendo o tradicional ritual religioso, manifestações folclóricas variadas, shows artísticos (Margareth Menezes e Barão Vermelho) e apresentação dos Botos Tucuxi e Cor-de-Rosa no Lago dos Botos (antigo sairódromo), além de arraial e do banho no paradisíaco Lago Verde. A fauna amazônica é uma fonte inesgotável da cultura popular e inspirou os folguedos que abundam em toda a Região, como a lenda do boto (na terceira parte do ritual, por exemplo, ele é arpoado e morto pelo pescador porque emprenhou a cunhã-borari, filha da poderosa Principaleza, a senhora do Lago Verde. Mas logo é ressuscitado pelos pajés da tribo). (Fonte: PMS)

O RITUAL DOS BOTOS
Toda a trama e coreografia do folclore dos botos Tucuxi e Cor de Rosa gira em torno da sedução, morte e ressurreição destes personagens, entre lendas regionais, tribos indígenas, a Cunhantã-iborari, a Principaleza do Lago Verde, a Rainha do Sairé, o Tuxaua, o Pajé e os pescadores. O enredo tem ideologia ecológica, pois ressalta a natureza, em especial o Lago Verde, palco da trama. E quando o boto é morto por ordem do Tuxaua, pai da Cunhantã-iborari, que foi engravidada pelo golfinho amazônico, recai sobre ele a fúria dos maus espíritos da região. Por isso, a pedido do próprio Tuxaua, vem o Pajé e ressuscita o boto. É a apoteose do folclore.
Boto é um cetáceo que vive nas águas do rio Tapajós, também chamados pelos índios de Pirajaguara, ou peixe-onça. O boto tem como virtude ser amigo do homem, amparando náufragos e conduzindo o alimento à rede do pescador. Daí tornar-se, segundo a iconografia cristã, símbolo da Eucaristia.
A Amazônia é rica em lendas e tradições, mas nenhuma se compara à lenda do Boto. Caboclas e caboclos contam estórias e crenças sobre o irresistível sedutor amazônico. Quem ainda não ouviu falar da fama de conquistador que lhe é atribuída? Dizem que, nas festas, comparece sempre de chapéu à cabeça e procura seduzir mulheres jovens e bonitas.
O boto tem inspirado grupos folclóricos na criação de danças que retratam sua lenda. Em Alter-do-Chão, na Festa do Sairé (símbolo do respeito dos indígenas pelos portugueses colonizadores), é difícil dizer o que mais surpreende: se o próprio local e suas praias paradisíacas, chamadas de "Caribe da Amazônia", ou a festa nascida dos índios Borari, nos tempos do Brasil colônia. (Fonte: PMS)
Wlad no Jô

Pérolas da Comunicação - Miltinho

De Jota para Jota
Recebo e publico comentário do amigo Jota Parente:
Amigo, não é para jogar confete, não. Realmente está muito bom, como, aliás, tudo que fazes.
Jota Parente
Comentando Dossiê
PT. Óh PT, quem te viu e quem te vê...
E olha que sou vermelhinho desde meu primeiro voto aos 16 anos (pode?).
Bração, negão!
terça-feira, 6 de setembro de 2005
Mais momentos

(Caio Sílvio e Fausto Nilo)
É a qualidade das paixões de quem procura
Um mapa, uma vida
Camisinha anti-estupro
Passeando na blogosfera, encontrei um blog interessante que debate questões sexuais de forma aberta, inclusive com consultas on-line. De lá tirei esta notícia que vem da África do Sul:Momento Chico

Quando o carnaval chegar
Quem me vê sempre parado,
distanteGarante que eu não sei
sambarTou me guardandopra quando o carnaval
chegarEu tô só vendo, sabendo,
sentindo,escutando E não posso
falarTou me guardandopra quando o carnaval
chegarEu vejo as pernas de louçada moça que passa e não posso
pegarTou me guardandopra quando o carnaval
chegarHá quanto tempo desejo seu
beijoMolhado de
maracujáTou me guardandopra quando o carnaval
chegarE quem me ofende, humilhando,
pisando, pensandoQue eu vou
aturarTou me guardandopra quando o carnaval
chegarE quem me vê apanhando da vida
duvidaque eu vá
revidarTou me guardandopra quando o carnaval
chegarEu vejo a barra do dia surgindo,pedindo pra gente
cantarTou me guardandopra quando o carnaval
chegarEu tenho tanta alegria, adiada,
abafada,quem dera
gritarTou me guardandopra quando o carnaval
chegar
Dossiê PT – estórias que não gostaria de contar
Capítulo III – A “pré-história” do PT em Santarém (parte 1)No primeiro capítulo eu já havia falado um pouco sobre o que eu chamo “pré-história” do PT em Santarém. O trabalho da igreja católica e a missão dos freis Pastana e Peloso, que fizeram a tal “opção pelos pobres”, lema da Teologia da Libertação. (Leia AQUI o capítulo anterior)
Mas o movimento inicial carecia de uma estratégia militar, que somente um treinado comunista preparado para implantar um movimento guerrilheiro poderia arquitetar. A primeira equipe da Fase (Federação dos Órgãos de Assistência Social e Educacional), a ONG que começou a assessorar aquele grupo de trabalhadores rurais liderados por dois franciscanos, não tinha esse elemento e por isso a primeira investida para tomar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém (STR), foi frustrada. Isso ocorreu em 1977, e somente dois anos depois eles voltariam à carga, agora com um projeto mais bem acabado.
Foi quando a Fase enviou a segunda equipe, chefiada pelo intelectual pernambucano Antonio Vieira, misto de déspota e poeta. Um artista da palavra, das imagens. Um militar, nas ações. Posso afirmar categoricamente que SE VIEIRA NÃO TIVESSE VINDO A SANTARÉM, A HISTÓRIA DO MOVIMENTO SINDICAL E DO PT SERIA OUTRA! E desafio qualquer ex-companheiro (que possa estar lendo estas linhas com ódio de minhas revelações) a me provar o contrário!
A perspicácia e o poder de persuasão de Vieira beiravam a loucura. Perfeccionista ao máximo, detestava falhas e humilhava qualquer um que não atendesse suas ordens. Mas, descaradamente, no momento seguinte, com a candura de um menino, abrandava a voz e seduzia seu interlocutor, fazendo-o entender o porquê errou. Vi muitos companheiros suarem frio ao terem que relatar alguma tarefa para Vieira, com medo do esporro que viria. Eu mesmo tive uma experiência traumática com ele, que vou relatar em outro episódio.
Mas enfim, Vieira acreditava piamente que era preciso criar um novo foco revolucionário na Amazônia (inclusive armado) e em Santarém. Daí a necessidade de ocupar todos os espaços no movimento sindical e popular. Começaria-se pelo campo, onde já havia um foco de resistência. Criou-se então a tal “Corrente Sindical Lavradores Unidos”, com um cabedal de instrumentos de ideologização: cartilhas, cartazes, folderes e hinos, tudo produzido pela mente fértil do próprio Vieira.
Até hoje soa em minha cabeça o hino da Corrente Sindical, uma letra magnífica e uma música arrebatadora que enebriava a todos (qualquer dia desse divulgo a letra). Me lembra muito a cena do filme “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick, em que o jovem Alex é torturado com música de Beethoven para deixar a delinqüência juvenil e torna-se a tal “laranja”. Nós, éramos forjados para a luta em nome de um ideal. A letra enfatizava que a terra “é sangue, que nos dá força para vencer” e coisas do gênero. Toda uma simbologia que foi sendo assimilada primeiro pelos líderes, depois por “lugares-tenentes”, de tal forma que a lavagem cerebral ganhava corpo...
Mas voltando à pré-história... Vieira, depois que sentiu o grupo da “Corrente Sindical” estruturado, trouxe uma discussão para o grupo que aqueles lavradores não conseguiam entender, inicialmente. Ele teria dito que era necessário juntar as forças do campo e da cidade se todos quisessem realmente um mundo de libertação. A “Corrente” deixava de ser apenas um grupo de lavradores para se tornar o quartel-general de um movimento maior.
Surge então Pedro Peloso. O irmão de frei Ranulfo, que já tinha ajudado em algumas tarefas durante a campanha de conquista do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Era um jovem audacioso, perspicaz e com uma grande capacidade de disciplina. Mostrou para Vieira maior desenvoltura que Ranulfo e Pastana, que como todo religioso, tinham certos bloqueios que a ideologia cristã lhes impunha. Vieira ficou impressionado, principalmente porque Pedro era mais pragmático e não levava desaforo pra casa. Talvez tenha visto nele uma espécie de clone seu, mais jovem. E foi assim que Pedro passou a ser a ponte do movimento rural com o embrião de uma organização mais urbana: ele foi entronizado na “Corrente Sindical” com status de “comandante”, passando a ser uma espécie de segunda pessoa de Vieira.
Mas isso não bastava. Era preciso formar novos grupos na cidade que fossem formadores de opinião, para disseminar a idéia nas periferias. Vieira acreditava que a tomada do poder nunca se daria com o movimento rural, afinal já havia a frustração das ligas camponesas, de Chico Julião, no nordeste. Pedro e Ranulfo foram incumbidos de formar um núcleo de formação de jovens de classe média, que seriam atraídos para uma proposta de “teatro engajado”. E aí que eu entro.
Mas o texto já está muito grande e o sono me impede de continuar. Em breve lanço a conclusão deste capítulo.
Livre para voar
Poesias (Paulo Leminski)
IConfira
tudo que
respira
conspira
II
Tudo é vago
e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso
III
Cinco bares,
dez conhaques
atravesso são paulo
dormindo dentro de um táxi
IV
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
V
O pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique
VI
Chora de manso e no íntimo... procura.
Curtir sem queixa
o mal que te crucia.
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua aventura...
A vida é vã como a sombra que passa...
Sofre sereno e de alma sobranceira
Se um grito sequer, tua desgraça
Encerra em ti tua tristeza inteira
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua e constante companheira.
Capa do Diário do Tapajós - 06.09.2005
Dupla de Jotas
segunda-feira, 5 de setembro de 2005
Manhãs de Setembro

Fui eu que se fechou no muro e guardou lá fora
Fui eu que num esforço se guardou na indiferença.
Fui eu que em numa tarde se fez tarde de tristeza
Fui eu que conseguiu ficar e ir embora.
E fui esquecida
Fui eu
Fui eu que em noites frias se sentia bem
E na solidão sem ter ninguém fui eu
Fui eu que em primavera só não viu as florese o sol
Nas manhãs de setembro.
Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs de setembro
Nas Manhãs...
Planeta em blog
A blogosfera, em breve, terá um novo e brilhante integrante.Trata-se do meu amigo Pedro Fernando que nos encanta e nos embala às noites de segunda-feira com o melhor da música brasileira e internacional em seu Planeta Música pela 94 FM, que anuncia a criação de um blog para interagir com os internautas.
Eu, que juntamente com Tato Gomes, diagramador do Diário do Tapajós, ficamos sintonizados todas as segundas-feiras neste Planeta, de certeza estaremos ligados, também, no blog, enquanto fechamos mais uma edição do Diário.
Ave, Pedrinho!
Comentando Dossiê
Recebo e registro comentário da empresária Vânia Maia:domingo, 4 de setembro de 2005
Dossiê PT – estórias que não gostaria de contar
Capítulo II – Decifra-me ou te devoro (parte 2)Na última parte de meu “Dossiê PT” falava dos bastidores da primeira eleição para a escolha do primeiro Diretório Municipal do partido. (Leia AQUI o capítulo anterior)
Enquanto o padre Edilberto Sena, assessorado de perto por seu então pupilo Dinaldo Pedroso (que anos mais tarde viria a ser meu cunhado), filiava pessoas em todos os bairros, a “Corrente” se reunia para discutir se valia a pena entrar no PT. Recebeu convite para entrar no partido, mas pediu “um tempo”. Enquanto isso, Edilberto filiava...
Quando a “Corrente” finalmente decidiu entrar no PT, definiu que poria todo o seu peso espalhando milhares de fichas de filiação no planalto, na várzea, no Tapajós e no Arapiuns. Disse “sim” aos “edilbertistas”, mas com uma condição: “Nós vamos dirigir o partido”.
Mário Feitosa, sindicalista ligado aos tecelões reagiu de pronto: não era justo que os correntistas quisessem assumir o partido, depois de todo o esforço que seu pessoal já havia feito. Edilberto e seus pupilos rejeitaram a proposta. A “Corrente” não abriu mão de ter seu maior líder, Geraldo Pastana, à frente do PT. Do outro lado, Mário Feitosa era o candidato do grupo de Edilberto. Sem acordo, decidiram disputar no voto.
No dia da eleição, cada qual usou dos meios que tinha para levar seus filiados. Estava instalado um clima de guerra, mas os “correntistas” tinham um poderio bem maior. Em pouco tempo já haviam conseguido maior número de filiados. O trabalho das delegacias sindicais foi intenso. Mas havia um problema: a estrutura para bancar a vinda de tanta gente do interior para participar da Convenção Municipal. Do outro lado, praticamente 100% dos filiados dos Feitosa e dos Sena era de trabalhadores da cidade.
Mesmo assim, a “Corrente” usou de todo os recursos que pôde dispor. Provavelmente, com grande suporte financeiro da Fase (Federação dos Órgãos de Assistência Social e Educacional, mentora dos “correntistas”). O resultado foi um plenário da Câmara Municipal (onde hoje é a Semed) lotado. As duas facções em pé-de-guerra. Difícil saber quem ganharia.
Mas aconteceu a catástrofe (para os “correntistas”): o barco que vinha com uns 25 filiados da região do Tapajós, comandados pelo frei Ranulfo Peloso, pregou no meio do caminho. A convenção terminava às cinco da tarde. Não fui testemunha disso, mas pelo que me contaram, os “companheiros” corriam da sala para a cozinha e viam o tempo se esgotar... Não havia uma precisão, mas tudo indicava que os votos não seriam suficientes.
E não foram: pela diferença de apenas 6 votos (!), Edilberto Sena & cia. impuseram a primeira derrota à arrogância “correntista”. A festa foi grande e Mário Feitosa tornou-se o primeiro presidente do Diretório Municipal do PT. Dos 21 cargos do Diretório, a turma de Edilberto ficou com a esmagadora maioria: 15, sobrando as seis restantes para a “Corrente”.
Arrasados, os companheiros foram para uma grande avaliação (da qual não participei), mas só ouvia rumores de que Antonio Vieira, o grande guru do movimento jogava toda a culpa em Ranulfo Peloso, dizendo que ele teria sido displicente ao fretar um barco com o mínimo de antecedência. Os filiados do Tapajós só chegaram no outro dia após a votação... A vitória da “Corrente” se acabou no meio do rio...
Mas o poder de recuperação da “Corrente” era muito grande. Passado o desânimo, veio a estratégia da retomada. Decidiu-se fazer do PT a grande ferramenta de luta e atazanar os dirigente do partido. Criaria-se um “PT paralelo”, após a fundação de diversos núcleos de base. Seria o chamado “internúcleos” (de que falarei em breve).
Como já disse no primeiro capítulo, o primeiro núcleo de base do PT em Santarém foi o da Interventoria, que tinha como coordenador o professor Orlando Gamboa (hoje, assessor da Semed para o Planalto). Junto a ele, pessoas como a valorosa Teca (Tereza Corrêa, irmã do jornalista Miltinho) e “seu” Teles, um pedreiro que ajudou a construir as bases do partido naquele bairro.
O nascimento da resistência da “Corrente” na Interventoria tinha um sentido simbólico: o bairro, que até hoje não tem esse nome como oficial, sempre foi um centro de lideranças cristãs e de militantes contra qualquer tipo de opressão (o nome Interventoria é justamente uma alusão à época em que Santarém teve interventor). Mas a intervenção “correntista” no processo de construção do PT em Santarém, traria bons frutos e ao mesmo tempo recrudesceria uma visão torpe baseada no stalinismo de Vieira, que contaminou todo o movimento popular de Santarém.
Eu estava lá, na fundação do primeiro núcleo, mas como cheguei ali? No próximo capítulo volto um pouco no tempo, mostrando o que considero a “pré-história” do PT em Santarém.
A cara do Juvêncio
Remexendo meus arquivos fotográficos, encontrei e resolvi postar uma foto de Juvêncio Arruda, de 2004 (tava com a cara do Lula, hein Juve?), o publicitário que atuou em duas campanhas políticas em Santarém. Numa delas eu o enfrentei (Lira Maia x Bené - 2000), na outra ele assumiu minha equipe e meu potencial cliente (Alexandre Von, antes de eu virar Escrivão Judicial).Ninos, meu caro.
Nas graças de Cristóvam
Nosso "memorialista" maior, Cristóvam Sena, participa do blog e dá força para que continuemos o trabalho:Gostei da tua "revolta", principalmente porque é um blog diferente do do Jeso. Os dois se completam.
Abraços,
Cristovam Sena
Comentando Fágner
Parabéns, pela "refundação" do blog, pensei até que seria "revitalização" ou seja restituir à vida, dar mais vigor...vê se não paras tanto tempo tá?
quinta-feira, 1 de setembro de 2005
O Frenesi de Fagner
E um corpo passa por mim
Fosse paixão frenesi
Tudo igualTal e qual
Como comentar?
Dossiê PT – estórias que não gostaria de contar
No Pará, estado dominado por elites conservadoras inspiradas no alacidismo e no jarbismo, a década de 1980 era profícua para uma terceira via, que tinha em Jader Barbalho sua maior liderança. O PT em Belém era um simulacro de organização partidária e acabou “invadido” por pessoas que eram tidas como oportunistas, a ponto de haver uma intervenção federal do Diretório Nacional! E grande parte dos expurgados, acabou migrando para o PMDB, como o deputado Bira Barbosa (que recentemente trocou o PMDB pelo PSDB).
Mas em Santarém a unidade do grupo representado pela tendência “Corrente”, tinha tudo para evitar os erros de Belém. A organização sindical era decantada em todo o Brasil como exemplar e aqui não haviam grupelhos da esquerda mais radical, muito embora o discurso “correntista” fosse sectário. Entretanto, a arrogância, que foi a grande marca desse grupo (do qual fiz parte), acabou pregando uma peça nos clãs Pastana, Peloso e Ganzer.
Eu não participei diretamente da primeira eleição do diretório municipal, em junho de 1981, no antigo prédio da Câmara Municipal (hoje, Semed) quando duas chapas disputaram os votos dos convencionais, mas ouvi nos bastidores a história do confronto. De um lado a ‘Corrente” e do outro um grupo sem muita tradição de embate sindical, mas com um baixinho atrevido que até hoje constrói e destrói estruturas: padre Edilberto Sena.
Edilberto, apesar de ser considerado da ala esquerda da igreja, não comungava (literalmente) das idéias de outros padres que deram sustentáculo à “Corrente”. Seguiu um caminho solo e reuniu alguns seminaristas diocesanos que trabalhavam na gráfica Tiagão e viviam no Tiaguinho (uma espécie de república de seminaristas nos fundos da Diocese) em seu redor. Apostou na nova proposta partidária e começou a filiar simpatizantes. Convenceu dois irmãos, que surgiam como lideranças no bairro de Aparecida e Carananzal: Mário e Gonçalo Feitosa. O primeiro era presidente do extinto Sindicato dos Tecelões e o segundo era do Sindicato dos Gráficos, na condição de gerente da gráfica Tiagão.
Assim estava formado o primeiro embate no Partidos dos Trabalhadores em Santarém: de um lado uma facção com forte inclinação para o campo, tendo a estrutura do poderoso Sindicato dos Trabalhadores Rurais e do outro um grupo concentrado na cidade e com forte influência na área de atuação do padre Edilberto Sena (até hoje): Laguinho (Salé), Liberdade e Mapiri.
São Raimundo não viaja a MT
Correção
O despertar de Maria?
Dossiê só amanhã e nova seção no sábado
Sossega, coração! Não desesperes!

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo!
Dorme!O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Fernando Pessoa, 2-8-1933.








