sexta-feira, 9 de setembro de 2005

PanTera, "tiroPiTas" e PT...

Recebo no blog a vista do advogado santareno e dublê de cartola, André Cavalcante:
Prezado Ninos,
Estou no meu horário de almoço no escritório e aproveitei para me atualizar sobre a minha querida Santarém.
Através do blog do Jeso, tomei conhecimento do seu blog, ao qual me dirigi aproveitando a remissão ali contida.
É entrar em lugar-comum tecer comentários sobre a qualidade deste seu novo (pelo menos pra mim) canal de comunicação, até porque pessoas bem mais abalizadas assim já fizeram, mas, não posso deixar passar a oportunidade para lhe parabenizar.
O "Dossiê PT" tem o condão de prender a atenção de quem o lê, como, aliás, ocorreu comigo (já espero ansioso a conclusão da "saga"), afinal também tive o PT Santareno como minha primeira agremiação partidaria, por convite do meu amigo Marquinho (o que foi vereador) nos tempos de UFPA (que saudades).
E só para terminar, posso garantir que o que aconteceu com o São Francisco (perda do patrimônio), não acontecerá com o São Raimundo, que encontra-se disputando o Brasileiro da Série C, pois continuamos trabalhando junto com diversas outras pessoas tanto aqui em Belém, quanto ai em Santarém, para cada vez mais elevar o nome do Clube e, consequentemente, o de Santarém, pelo que, desde já, lhe convido a somar esforços.
Um grande abraço com toda a minha admiração.
André Cavalcante
PS: Um grande abraço, também, ao seu Ninos, de quem fui cliente por muito tempo, e fã declarado das tiropitas.
Comentário do blog: conheço o André desde a universidade, quando ele andava com Marquinhos e Aldo Queiroz, com os quais sempre tive adversidades políticas, mas respeito mútuo. Tenho acompanhando seu dinamismo e força de vontade em todos os eventos que assumiu, fosse nas micaretas ou outros eventos. Como advogado, ele foi fundamental ao "salvar" o São Raimundo de uma humilhação há dois anos (se não me engano), quando foi garfado por um juiz e o caso foi até parar na delegacia. Acho que foi aí que ele se incoporou com força ao elenco. Faço fé que o São Raimundo realmente não tenha o mesmo destino do São Francisco, mas não retiro o que disse no final do post citado por André (leia AQUI), pois acho que ainda não temos cacife para aventuras em campeonatos de grande porte. Defendo que o campeonato local deveria ser reforçado, e, acumulando forças, um dia quem sabe pudéssemos participar de grandes torneios(principalmente se um dia formos o Estado do Tapajós). Quanto à saga petista, já tenho dois novos capítulos prontos para postar. Finalizando, levarei seu recado ao velho grego (as tiropitas ainda continuam lá no Nino-lanche, que apesar de não ser mais nosso, manteve a tradição do "seu" Nino...).

Show de horror

Liguei pro Jeso uma hora antes:
-Preparou a pipoca? O show deve ser divertido.
-Tô fora! É muito tarde - disse o de menor.
- Então vai nanar... nenê!
Fechei o Diário do Tapajós, enviei pela net e comecei a atualizar o blog. "Hoje não vou escrever o dossiê", decidi. Postei um bocado de coisa. Reminescências.
Enquanto isso, Severino driblava repórteres em Nova Iorque e o deputado Alberto Goldman (PSDB), no alto de seu civismo declarava: "Ele não tem moral para continuar na presidência!". (hahaha! E foi o Goldman que liderou a votação de tucanos e peefelistas no Severino... Ele é que não tem moral, como muito tucano babaca! Também devia ser cassado. Ou como diria o Zé Simão: "Tucano é prá ser caçado!")
Chegou a hora. O gordo começa suas lambanças e piadas sem graça (pelo menos hoje não tocou aquela música ridícula "e viva a CPI..." Letra chinfrin e música idem. Pobre do coral que ganhou divulgação gratuita pra cantar essa m...
Anunciados os convidados: o amalucado e aparvalhado "roqueiro" Rogério Skylab, que só Jô divulga (mais para torná-lo um escárnio) e com direito a dois blocos e em seguida ele, Wladimir Costa!!! Pela companhia que teria, se anunciava um show de horrores na TV. Que saudade do sorriso da Cristina Lôbo, uma das meninas do Jô...
É isso mesmo. Me preparei a noite toda para assistir essa entrevista sabendo que seria uma m... Meu lado masoquista me impeliu. Meu lado jornalista não impediu. Meu lado humano quase expeliu...
Mas quem já viu um programa desse excremento da política paraense na TV RBA em Belém, não precisa ver mais nada... Mas afinal o cara é deputado de 160 mil votos e com possibilidade até de ser (valha-nos nossa senhora) Governador!!! Eu preciso saber mais sobre o inimigo para combatê-lo!
Chega a hora de Wlad, depois de dois blocos com o débil mental do Skylab aplaudido efusivamente por um cada vez mais irreconhecível Jô. Wlad exibe um corpo sarado, rosto de moça, empáfia e uma camisa apertada escrito "Açai". Merchandising caboclo de quinta.
Primeira lambança: Wlad, que tem jeito de ser bem enrustido, não deixa que o Jô o beije e faz aquele toque de mãos fechadas, cumprimento de gangueiro, como provavelmente um dia ele foi. E logo vomita o primeiro impropério: "Esse é o cumprimento típico do paraense, porque somos modernos". O gordo já olha desconfiado achando que lhe venderam gato por lebre. "Mas esse cumprimento é dos rappers americanos". Wlad, desajeitado balbucia qualquer coisa e dá um sorriso amarelo. Tem o olhar de um macaco numa loja de porcelana, doido prá aprontar.
Poupo os leitores do show de sandices de Wlad, mas no resumo da ópera: defendeu Severino ao mesmo tempo que fez apologia à pena de morte para os corruptos. Mostrou sua ojeriza petista e defendeu o impeachment de Lula. Falou dos peitos da Fafá: "É muito açaí". Admitiu que é vaidoso ("Nós paraenses somos assim") e que fez plásticas. Fez caras e bocas e falou de sua vida pobre, de sua ascenção no rádio, de sua vida como cantor ("Não sou um bom cantor", nisso foi honesto) e de seus 160 mil votos conquistados a partir da "Ação Wlad", clientelismo idêntico ao de Duciomar e outros da mesma laia.
Ao final deu ao Jô uma garrafada de "viagra amazônico" e este, entediado, mandou-o cantar. E lá foi ele, serelepe, dando um show de trejeitos e mandando abraços para Icoaracy e Mosqueiro (provavelmente seus redutos).
Valeu assistir para ver o quanto o Pará pode ser ridicularizado. E de certeza, as baixadas de Belém estavam lá para assistir. Esse pessoal vai continuar votando no Wlad como fez no segundo turno quando elegeram Jatene ao invés de Maria. Se identificam com ele. Ou simplesmente querem ver o circo pegar fogo. Como ele diz em seu famoso bordão: "Valei-nos nossa senhora!"
Desliguei, bloguei e fui pra casa. Amanhã tenho batente bem cedo e talvez seja acometido de pesadelos na madrugada.

Meu grego preferido

Me empolguei em ficar contando histórias do meu ex-PT, que guardo de um passado recente, e acabei esquecendo de registrar no meu blog uma data importante para um cara sensacional que me contou várias histórias para que eu um dia publique. Meu grego favorito, meu pai, Georgios Joannis Ninos, que no último dia 02/09 completou 50 anos ininterruptos de Brasil. Em meus arquivos fotográficos encontrei a foto dele de quando chegou no porto de Santos, em 1955:

Hoje, aos 84 anos, aposentado, o velho grego ainda está em forma. Deixou o ramo comercial e vive como um sitiante num terreno que comprou na comunidade de Cipoal, próximo à casa de minha meia-irmã Cecília, esposa do amigo escritor Eymar Franco.

Plantando suas árvores e suas verduras, fica ligado o dia todo na TV Senado pela parabólica e depois me conta com detalhes o discurso de qualquer político. Ele ainda não se liga em internet para ler essa nota, mas não duvido que daqui há pouco faça até um blog...

As histórias dele, talvez eu traga para o meu blog qualquer dia desses, pois já vi que é mais fácil ir registrando por aqui do que ficar prometendo escrever um livro. E ele tem histórias incríveis de quem viveu a guerra de perto, sendo um dos poucos sobreviventes de um grupo prisioneiros do nazismo.

Seu espírito de luta e seu exemplo, foram importantes para forjar minha personalidade, que se não é das melhores é das mais sinceras.

Fica o registro pro meu velho, mesmo com o atraso de uma semana. Seja sempre bem-vindo ao Brasil. "Se agapó para poli, patera!" ("Te amo demais, pai", em grego)

Um beijo, ao meu grego favorito.

A sintaxe do adeus

O frio que a morte traz
quem o sente não é o morto.
O morto apenas esfria.
É o frio do calafrio...
E são os vivos que sentem.
Também os vivos têm medo
de olhar nos olhos do morto.
Ah, o terrível segredo.
E alguém, com dedos de rosa
vem e automaticamente
pra que o morto não nos veja,
lhe fecha as pálpebras como
a duas pétalas e adeus.
A-deus quer dizer sem Deus.
Cassiano Ricardo
Jornalista, poeta e ensaísta (1895/1974)

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

"Dira fames auri culpae regina parensque". [Walther].
"A terrível fome de dinheiro é rainha e mãe do pecado".

Para descontrair



A charge de Atorres no Diário do Pará de hoje é definitiva. Meu Papão está enterrado. Só me resta torcer para que o Remo não saia da terceirona, onde é o seu lugar.

Alter do Sairé

A eternamente linda Alter do Chão, no registro feito hoje pela manhã, por Ronaldo Ferreira.
Hoje também, foi a abertura do Sairé 2005, o maior evento folclórico que está rendendo estudos e mais estudos, debates e mais debates, disputas e mais disputas. Concordo com o depoimento dado recentemente por frei Florêncio Vaz no Blog do Jeso (leia AQUI), quando diz que é preciso "curtir os botos e deixar o Sairé em paz".
Alter do Sairé, na linda imagem, feita hoje pela manhã por Jurandir Azevedo, na abertura da festa, com o ritual do Sairé:

Histórias de Miltinho


A estréia da seção "Pérolas da Comunicação" (veja AQUI) gerou o comentário do grande companheiro videomaker Jorge Cohen (foto), o popular Jorge Gordo (da produtora Set Light):
O nosso querido Miltinho tem muita coisa boa pra contar. Nós trabalhamos juntos na TV Ponta Negra, no início, o nosso transporte era uma Kombi estilo furgão (cargueira), e o Miltinho era o único que ficava confortável naquele carro. Ele viajava em pé...
Um abraço meu amigo, você merece todas as homenangens, por tudo aquilo que você fez e faz pela comunicação em Santarém.
Jorge Cohen
Comentário do blog: sem dúvida o Miltinho é um profissional dos mais competentes, mas também o que viveu diversas histórias cômicas por causa de seu tamanho "mignon", que ele sempre encarou com o maior humor (daí a sua empatia com todos). Eu mesmo vivi um momento inesquecível com o Miltinho, quando trabalhava na Rural AM. Dirigia minha moto e ele pediu uma carona. Ao chegar em frente à rádio precisei saltar da moto para pegar um objeto que havia esquecido e larguei o Miltinho na garupa dizendo: "Segura a moto um instante, Miltinho!". Quando vi, o pequenino Milton foi ao chão com moto e tudo! Tinha me esquecido de que suas pernas curtinhas não encostavam no chão...

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Sairé, a expectativa

Antecipo no blog, trechos da matéria que deve ser publicada amanhã no Diário do Pará, assinada por mim e pela jornalista Jeane Oliveira:

Sairé começa hoje em Alter do Chão
Santarém respira a partir de hoje, até terça-feira, 13/09, sua maior festa folclórica, o Sairé. Há uma grande expectativa sobre o evento este ano, por ser o primeiro organizado pela administração da prefeita Maria do Carmo, que reestruturou o projeto concebido há oito anos pelo ex-prefeito Lira Maia, seu adversário político.
A festa que havia sido revitalizada a partir de 1997 com a criação da disputa entre os grupos folclóricos representando os botos Tucuxi e Cor de Rosa, após muitos debates entre a Coordenadoria Municipal de Cultura (CMC) e os moradores da vila, definiu a separação dos dois eventos, já que no entendimento do advogado Beto Teixeira, coordenador da CMC “estava havendo uma descaracterização do rito tradicional do Sairé”. Outra mudança fundamental foi o retorno da grafia do Sairé com “S” e não com o polêmico “Ç”, que apesar do forte apelo de marketing dividia opiniões entre lingüistas e folcloristas. (...)
HISTÓRICO DA FESTA DO SAIRÉ

O Sairé é a mais antiga manifestação da cultura popular da Amazônia. A festa resiste há mais de 300 anos, mantendo intacto o seu simbolismo e a sua essência. A origem remonta ao período da colonização, quando os padres jesuítas, na missão evangelizadora pela bacia do rio Amazonas, envolviam música e dança na catequese dos índios (essa é a hipótese mais provável, já que, antes da catequização, os indígenas não conheciam a religião cristã, nem os textos bíblicos e nem o mistério da Santíssima Trindade).
Com as mudanças ocorridas ao longo desses 300 anos, o Sairé foi ganhando novos contornos. Atualmente, é festejado no mês de setembro e consiste em um ritual religioso que se repete durante o dia, culminando com a cerimônia da noite – ladainhas e rezas – seguida da parte profana da festa, representada pelos shows artísticos (com apresentações de danças típicas) e pelo confronto dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa. São cinco dias de muita música, dança e rituais resultantes do entrelaçamento social e cultural entre os colonizadores portugueses e índios da região do Tapajós.
A história dos 300 anos de Sairé é um tanto quanto acidentada. Sofreu uma paralisação de 30 anos (de 1943 a 1973), voltando a ser realizada por iniciativa de moradores da vila de Alter-do-Chão, numa tentativa de reviver a antiga tradição local. O belo e singelo folclore, até meados do século passado, tinha significação puramente religiosa, celebrando a Santíssima Trindade, com um semicírculo (o Sairé) de cipó torcido, envolvido por algodão e enfeitado com fitas e flores coloridas. O símbolo possui três cruzes dentro do semicírculo e outra na extremidade, representando as três pessoas da Santíssima Trindade e um só Deus – é uma criação indígena com base nos escudos portugueses. Em lugar da Cruz de Cristo que adornava os símbolos portugueses, o Sairé (certamente por inspiração de algum missionário católico) associou o mistério da Santíssima Trindade, utilizando a imagem da pomba que representa o Espírito Santo. Este estandarte segue à frente da procissão, conduzido por uma mulher, que recebe o nome de Saraipora. Há registros de que o Sairé era canto e dança de certos índios da Amazônia. Em Alter-do-Chão, o que se conhece por Sairé é o seu símbolo, cuja versão corrente representa “o respeito dos índios, usado para homenagear os portugueses quando esses aportaram em suas terras”.
Na Grande Enciclopédia da Amazônia, o historiador Carlos Roque diz que Sairé é um semicírculo de madeira, que contém o relato bíblico do dilúvio: o grande arco representa a arca de Noé; os espelhos, a luz do dia, os doces e as frutas, a abundância de alimentos existentes na arca; o algodão e o tamborim, a espuma e o ruído das ondas durante os 40 dias de dilúvio. Os três semicírculos simbolizam a Santíssima Trindade e as três cruzes o calvário, com Jesus Cristo Crucificado entre os ladrões.
O folclorista Luís da Câmara Cascudo, reproduzindo trechos da obra "Poranduba Amazonense" de Barbosa Rodrigues, diz que Sairé (também chamado de Turiua), é uma espécie de procissão de mulheres em que carregam o instrumento que tem o nome de Sairé.
Fruto da colonização portuguesa, o Sairé tornou-se ao longo dos anos um atrativo obrigatório para quem pretende descobrir os mistérios e encantos da cultura santarena.
Somente com o passar dos anos é que outros valores folclóricos foram acrescentados, incluindo aí as danças do curimbó, puxirum, lundu, desfeiteira e quadrilhas. As outras danças foram incluídas aos poucos, obedecendo à iniciativa de moradores de Alter-do-Chão, descendentes dos índios Borari. Na Festa do Sairé, é possível apreciar dezenas de manifestações folclóricas, especialmente dança e música, apresentadas pelos moradores, como: camelu, desfeiteira, lundu, valsa da ponta do lenço, marambiré, quadrilha, cruzador tupi, macucauá, cecuiara e muitas outras.
A festa do Sairé é uma manifestação que mistura elementos religiosos e profanos, começando com o hasteamento de dois mastros enfeitados, seguidos de ritual religioso e danças folclóricas desempenhadas pelos moradores da vila. No último dia, na segunda-feira, ocorrem a “varrição da festa”, a derrubada dos mastros, o marabaixo, a quebra-macaxeira e a “cecuiara” (almoço de confraternização). A programação termina à noite, com a festa dos barraqueiros.
Este ano, o Sairé acontece entre os dias 8 e 12 de setembro, envolvendo o tradicional ritual religioso, manifestações folclóricas variadas, shows artísticos (Margareth Menezes e Barão Vermelho) e apresentação dos Botos Tucuxi e Cor-de-Rosa no Lago dos Botos (antigo sairódromo), além de arraial e do banho no paradisíaco Lago Verde. A fauna amazônica é uma fonte inesgotável da cultura popular e inspirou os folguedos que abundam em toda a Região, como a lenda do boto (na terceira parte do ritual, por exemplo, ele é arpoado e morto pelo pescador porque emprenhou a cunhã-borari, filha da poderosa Principaleza, a senhora do Lago Verde. Mas logo é ressuscitado pelos pajés da tribo). (Fonte: PMS)


O RITUAL DOS BOTOS

Toda a trama e coreografia do folclore dos botos Tucuxi e Cor de Rosa gira em torno da sedução, morte e ressurreição destes personagens, entre lendas regionais, tribos indígenas, a Cunhantã-iborari, a Principaleza do Lago Verde, a Rainha do Sairé, o Tuxaua, o Pajé e os pescadores. O enredo tem ideologia ecológica, pois ressalta a natureza, em especial o Lago Verde, palco da trama. E quando o boto é morto por ordem do Tuxaua, pai da Cunhantã-iborari, que foi engravidada pelo golfinho amazônico, recai sobre ele a fúria dos maus espíritos da região. Por isso, a pedido do próprio Tuxaua, vem o Pajé e ressuscita o boto. É a apoteose do folclore.
Boto é um cetáceo que vive nas águas do rio Tapajós, também chamados pelos índios de Pirajaguara, ou peixe-onça. O boto tem como virtude ser amigo do homem, amparando náufragos e conduzindo o alimento à rede do pescador. Daí tornar-se, segundo a iconografia cristã, símbolo da Eucaristia.
A Amazônia é rica em lendas e tradições, mas nenhuma se compara à lenda do Boto. Caboclas e caboclos contam estórias e crenças sobre o irresistível sedutor amazônico. Quem ainda não ouviu falar da fama de conquistador que lhe é atribuída? Dizem que, nas festas, comparece sempre de chapéu à cabeça e procura seduzir mulheres jovens e bonitas.
O boto tem inspirado grupos folclóricos na criação de danças que retratam sua lenda. Em Alter-do-Chão, na Festa do Sairé (símbolo do respeito dos indígenas pelos portugueses colonizadores), é difícil dizer o que mais surpreende: se o próprio local e suas praias paradisíacas, chamadas de "Caribe da Amazônia", ou a festa nascida dos índios Borari, nos tempos do Brasil colônia. (Fonte: PMS)

Wlad no Jô


Deu hoje, na Coluna do Guilherme Augusto (Diário do Pará):
O deputado peemedebista Wladimir Costa, que saiu do anonimato por sua peculiar atuação na CPI do Mensalão, fala da comissão e toca antigos sucessos de sua banda, amanhã, no programa do Jô. A gravação foi na segunda-feira passada. Depois, saiu pra jantar com o apresentador.
Comentário do Blog: ou o Jô faz essa cortesia a todos os que vão ao programa ou ficou encantado com o Wlad, já que como político Wlad é um excelente humorista...
Aliás, essa entrevista do Wlad já gerou comentários interessantes no Blog do Jeso estes dias. O Juvêncio informou que Wlad ganhou até uma rádio FM em Monte Alegre!
Me lembro que quando Lira Maia assumiu a prefeitura e eu trabalhei na Assessoria de Comunicação, ele comentou que estava aperreado por que o Wlad queria-porque-queria ser incluído na programação do Sairé (naquele ano, Çairé), como atração. Maia, a contragosto, acabou cedendo.
Wlad não é só cômico: é trágico, pernicioso, nefasto. E anotem aí, ele já está se assanhando para ser candidato ao Governo do Estado, por um partido nanico! E diante da atual carência de candidatos para suceder Jatene...
É possível que até Jader Barbalho esteja arrependido de tê-lo lançado na política. Pobre Pará, que continuará sendo chacota nacional com políticos como Wlad, Helinho Gueiros, Babá ou Carlos Santos.

Pérolas da Comunicação - Miltinho

Com o atraso de pelo menos uma semana, lanço hoje a nova seção do Blog do Jota: Pérolas da Comunicação. Neste espaço, sempre que puder destacarei um profisional da comunicação em Santarém, mostrando o seu perfil biográfico para que fique registrado na blogosfera. Aí, quem quiser destacar alguma coisa sobre o colega a ser enfocado, pode enviar comentários ou depoimentos sobre o profissional.
Para estrear, eu não poderia deixar de homenagear o grande Miltinho, que este ano completou 25 anos de invejável carreira. Ele já foi bem homenageado no jornal editado pelo colega José Ibanês em maio de 2005. E foi de lá que tirei as informações que apresento abaixo:
MILTON JOSÉ RÊGO CORRÊA, o Miltinho, nasceu na Vila de Aritapera (Santarém) em 10 de março de 1957. Filho de Milton Viana Corrêa (falecido) e Tereza Rêgo (Dona Lelé), sendo o primogênito de seis irmãos.
Iniciou sua atividade profissional em 02/05/1980, como redator, no Jornal de Santarém, semanário ligado ao jornal A Província do Pará. Em 1989, coordenou a equipe de jornalismo da Rádio e Tv Ponta Negra, tendo nesse ano uma rápida passagem pela Rádio Rural. Como colunista, escreveu em O Tapajós.
Envolvido com cultura e política, Miltinho idealizou a Semana da Poesia, embrião da Associação de Poetas e Escritores de Santarém (hoje, desativada), escreveu um livro de poesias e foi secretário municipal de Cultura (governo Ronan Liberal), além de ter sido chefe de gabinete do prefeito Francisco Cayres (Monte Alegre) e assessor parlamentar do presidente da Câmara Municipal de Santarém, Waldomiro Fernandes (1993/1994). Também tentou uma vaga na Câmara Municipal em 1992, pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), sem sucesso.
De 1997 a 2005, Miltinho foi coordenador de jornalismo da Guarany FM, de onde saiu recentemente. Retornou à Ponta Negra onde dirige o jornalístico Rota 5, além de atuar como assessor de comunicação da ACES - Associação Comercial e Empresarial de Santarém desde 1995, no qual edita o Informe Empresarial, boletim mensal da entidade, além de escrever desde 1995, a coluna Fatos e Fatos, no jornal O Impacto.
Este ano, com justa razão, ele recebeu a maior de todas as homenagens que um profissional pode ter: foi eleito o Profissional do Ano pelo Sindicato dos Radialistas de Santarém.

De Jota para Jota


Recebo e publico comentário do amigo Jota Parente:


Criei vergonha, hoje, mesmo tarde da noite e acessei teu blog.
Amigo, não é para jogar confete, não. Realmente está muito bom, como, aliás, tudo que fazes.
Estou em Itaituba, como acho que já sabes, num empreendimento que não é dos mais fáceis. Lancei um jornal, na verdade, um modesto tablóide, segmentado para o noticiário do mundo econômico de Itaituba e da região. O começo foi promissor para quem chegou num momento muito difícil para a economia desta parte do Estado.
No mais, só o Roselito que tem surtos de Odorico Paraguaçu.
Manda notícias.

Jota Parente
Comentário do blog: se existe um cara batalhador, seu nome é Jota Parente. Foi meu chefe na Rádio Rural e devo a ele um dos momentos mais bonitos de minha carreira no rádio. Em 1984, ele produzia e apresentava o programa "Canta Brasil", ocupando um espaço esquecido no canto da programação da Rural AM, nos sábados à tarde. Coisa de visionário. Um programete de MPB, comentado! Logicamente a audiência não era das melhores e nem rendia nenhum faturamento. Era curtição. Um dia ouvi ele dizer que pararia com o programa por falta de tempo para produzi-lo. Eu, que só fazia reportagens policiais e pequenas participações na programação, me atrevi a pedir para continuar produzindo o programa. Ele confiou em meu potencial e dias depois lá estava eu produzindo e apresentando o "Canta Brasil". Começou uma sintonia maior entre nós, até que eu ousei pedir outro espaço ao Parente, que era na época o diretor de programação. Ele gostou da idéia e um pouco antes de deixar a Rural para comandar a Tropical AM, lançamos o Bazar Brasileiro, nos domingos à noite, com muita música, entrevistas e humor. Um programa "cabeça" de 5 horas de duração, no domingo à noite numa AM, competindo com o Fantástico da Globo! Coisa de louco! Mas foi sucesso. Reencontrei o Parente num momento difícil de sua vida e (revelo agora), lhe estendi a mão retribuindo a confiança que ele teve em mim no início de carreira, indicando-o para assumir minha função de Gerente de Jornalismo da TV Tapajós, assim que passei no concurso do TJE. Parente topou a parada e conseguiu atuar por dois anos, mas seu negócio não era a TV (assim como o meu não é) e agora ele retorna à Itaituba para um novo desafio. E tem até um blog! Se quiser visitá-lo, clique AQUI

Comentando Dossiê

Recebo e publico comentário do colega Fábio Rangel, altamirense que foi funcionário do Banco do Brasil em Santarém e trabalhou comigo no Fórum de Ananindeua, onde exerce a função de Escrivão Judicial da 5ª Vara Criminal:
Visitei (o blog), muito bacana. U sinhô leva todo o jeito pra cronista.
PT. Óh PT, quem te viu e quem te vê...
E olha que sou vermelhinho desde meu primeiro voto aos 16 anos (pode?).
Bração, negão!
Fábio Rangel, o "Roberto".
"Lingua mea calamus scribae velociter scribentis". [Vulgata, Salmos 44.2]

"A minha língua é pena de escrivão que escreve velozmente".

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Mais momentos

Leitor anônimo comenta:
Olá! Ninos,
o blog atualizado está ótimo.
Mas que tal o momento Nara Leão, Simone e outros como a Marrom?
Comentário do blog: se você acompanhar o blog verá que sempre que posso insiro letras e poesias dos mais diversos autores. Mas Chico tem um momenmto especial, por eu ser seu fã nº 0. Este é um dos objetivo do blog, incluídos no perfil no cabeçalho: divulgar qualquer manifestação cultural e principalmente Chico Buarque. Mas não deixarei de inserir pérolas de outros autores, nem mesmo das três que você indicou, que na verdade são grandes intérpretes e pouco ou quase nada produziram de composições. A baiana Simone Bittencourt Oliveira tem interpretações fenomenais que eu adoro e que não consigo imaginar outra pessoa interpretando. O exemplo insiro abaixo, considerada uma das 20 músicas preferidas dos fãs de Simone em seu site, pro meu amigo leitor anônimo:
Pequenino Cão

(Caio Sílvio e Fausto Nilo)


É a qualidade das paixões de quem procura

ser maltratando maltratando a criatura
Adormeceu em minha mão, como um menino
Sol sem destino, um pequenino cão.
Se a vida abraça a redenção das amarguras
Você não faça a eternidade na tortura
Entorpecendo o coração a gente espanta
O passarinho por pavor ou medo.
Eu sei que o certo sem sabor é a tua loucura
Eu sei que a cor do teu amor é muito escura
E sem poder te dar a luz, meu coração, eu durmo cedo
E só te peço amor: não me abandone mais.
Quando desperto e vejo na porta da frente
Uma saída, minha vida, noutra vida diferente
E sem poder te dar à luz, meu coração, eu durmo cedo
E só te peço amor: não me abandone mais

Um mapa, uma vida

Uma noite
Num pedaço de papel
Em todo o mundo
As vezes escuridão
Parece claro
Parece imenso
Solidão e frio
Luz néon vazio
As vezes perdido
As vezes me acho só
A luz apagou
Tudo morre por aqui
De um sonho acordo
Num mapa me acho
Na vida, uma vida
Que vida há num sonho?
Que mapa se acha a vida?
Que sonho se anda em mapa?
Vivo sonhando
Por um mapa vivendo
Por um sonho “mapeado”.
Comentário do blog: Claudio Roberto é um cara interessante, que tem um blog cheio de contos e poesias. Tropeceri no blog dele e encontrei o poema que incluí neste post. Quem quiser conhecer outros textos do car entre no blog O ladrão de palavras

Camisinha anti-estupro

Passeando na blogosfera, encontrei um blog interessante que debate questões sexuais de forma aberta, inclusive com consultas on-line. De lá tirei esta notícia que vem da África do Sul:

KLEINMOND, África do Sul (Reuters) - Uma inventora sul-africana apresentou na quarta-feira uma camisinha feminina antiestupro, que se gruda ao pênis do agressor. A invenção tem o objetivo de reduzir uma das maiores taxas de estupros do mundo.
"Ninguém nunca fez nada para ajudar as mulheres, para que elas não sejam estupradas, e achei que já estava mais que na hora", disse Sonette Ehlers (foto), 57, sobre o "rapex" (algo como "estuprex"), um dispositivo parecido com um absorvente interno (ou "tampax") que já causa polêmica no país. (...)
(...) Mas o "rapex" causou preocupação entre ativistas antiestupro, que temem que ele faça aumentar a violência contra as mulheres. "Se a vítima estiver usando um dispositivo como esse, o agressor pode ficar ainda mais furioso, o que pode causar mais danos", disse Sam Waterhouse, da entidade Rape Crisis. Outras pessoas acusaram a camisinha de ser um método medieval e bárbaro - adjetivos que, para Ehlers, deveriam ser usados para o estupro.
Para ler a notícia completa e outras informações, acesse o blog Sexo Para Terráqueos.

Momento Chico


Quando o carnaval chegar

Quem me vê sempre parado,
distante
Garante que eu não sei
sambar
Tou me guardando
pra quando o carnaval
chegar
Eu tô só vendo, sabendo,
sentindo,
escutando E não posso
falar
Tou me guardando
pra quando o carnaval
chegar
Eu vejo as pernas de louça
da moça que passa e não posso
pegar
Tou me guardando
pra quando o carnaval
chegar
Há quanto tempo desejo seu
beijo
Molhado de
maracujá
Tou me guardando
pra quando o carnaval
chegar
E quem me ofende, humilhando,
pisando, pensando
Que eu vou
aturar
Tou me guardando
pra quando o carnaval
chegar
E quem me vê apanhando da vida
duvida
que eu vá
revidar
Tou me guardando
pra quando o carnaval
chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo,
pedindo pra gente
cantar
Tou me guardando
pra quando o carnaval
chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada,
abafada,
quem dera
gritar
Tou me guardando
pra quando o carnaval
chegar

Chico Buarque/1972
Para o filme Quando o carnaval chegar de Cacá Diegues
Comentário do Blog: há quanto tempo eu não postava Chico? Que pecado. O Momento Chico é obrigatório neste blog, inda mais quando Chico nos lembra metaforicamente que o carnaval há de chegar, nesta bela canção feita para o filme em que ele, Nara (foto), Bethânia e Caetano, são dirigidos por Cacá Diegues. Mas o carnaval de certa forma chegou, né Chico. Sambamos muito, mas agora vivemos uma quarta-feira de muita cinza. Até quando? Até quando o carnaval chegar...

Dossiê PT – estórias que não gostaria de contar

Capítulo III – A “pré-história” do PT em Santarém (parte 1)

No primeiro capítulo eu já havia falado um pouco sobre o que eu chamo “pré-história” do PT em Santarém. O trabalho da igreja católica e a missão dos freis Pastana e Peloso, que fizeram a tal “opção pelos pobres”, lema da Teologia da Libertação. (Leia AQUI o capítulo anterior)

Mas o movimento inicial carecia de uma estratégia militar, que somente um treinado comunista preparado para implantar um movimento guerrilheiro poderia arquitetar. A primeira equipe da Fase (Federação dos Órgãos de Assistência Social e Educacional), a ONG que começou a assessorar aquele grupo de trabalhadores rurais liderados por dois franciscanos, não tinha esse elemento e por isso a primeira investida para tomar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santarém (STR), foi frustrada. Isso ocorreu em 1977, e somente dois anos depois eles voltariam à carga, agora com um projeto mais bem acabado.

Foi quando a Fase enviou a segunda equipe, chefiada pelo intelectual pernambucano Antonio Vieira, misto de déspota e poeta. Um artista da palavra, das imagens. Um militar, nas ações. Posso afirmar categoricamente que SE VIEIRA NÃO TIVESSE VINDO A SANTARÉM, A HISTÓRIA DO MOVIMENTO SINDICAL E DO PT SERIA OUTRA! E desafio qualquer ex-companheiro (que possa estar lendo estas linhas com ódio de minhas revelações) a me provar o contrário!

A perspicácia e o poder de persuasão de Vieira beiravam a loucura. Perfeccionista ao máximo, detestava falhas e humilhava qualquer um que não atendesse suas ordens. Mas, descaradamente, no momento seguinte, com a candura de um menino, abrandava a voz e seduzia seu interlocutor, fazendo-o entender o porquê errou. Vi muitos companheiros suarem frio ao terem que relatar alguma tarefa para Vieira, com medo do esporro que viria. Eu mesmo tive uma experiência traumática com ele, que vou relatar em outro episódio.

Mas enfim, Vieira acreditava piamente que era preciso criar um novo foco revolucionário na Amazônia (inclusive armado) e em Santarém. Daí a necessidade de ocupar todos os espaços no movimento sindical e popular. Começaria-se pelo campo, onde já havia um foco de resistência. Criou-se então a tal “Corrente Sindical Lavradores Unidos”, com um cabedal de instrumentos de ideologização: cartilhas, cartazes, folderes e hinos, tudo produzido pela mente fértil do próprio Vieira.

Até hoje soa em minha cabeça o hino da Corrente Sindical, uma letra magnífica e uma música arrebatadora que enebriava a todos (qualquer dia desse divulgo a letra). Me lembra muito a cena do filme “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick, em que o jovem Alex é torturado com música de Beethoven para deixar a delinqüência juvenil e torna-se a tal “laranja”. Nós, éramos forjados para a luta em nome de um ideal. A letra enfatizava que a terra “é sangue, que nos dá força para vencer” e coisas do gênero. Toda uma simbologia que foi sendo assimilada primeiro pelos líderes, depois por “lugares-tenentes”, de tal forma que a lavagem cerebral ganhava corpo...

Mas voltando à pré-história... Vieira, depois que sentiu o grupo da “Corrente Sindical” estruturado, trouxe uma discussão para o grupo que aqueles lavradores não conseguiam entender, inicialmente. Ele teria dito que era necessário juntar as forças do campo e da cidade se todos quisessem realmente um mundo de libertação. A “Corrente” deixava de ser apenas um grupo de lavradores para se tornar o quartel-general de um movimento maior.

Surge então Pedro Peloso. O irmão de frei Ranulfo, que já tinha ajudado em algumas tarefas durante a campanha de conquista do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Era um jovem audacioso, perspicaz e com uma grande capacidade de disciplina. Mostrou para Vieira maior desenvoltura que Ranulfo e Pastana, que como todo religioso, tinham certos bloqueios que a ideologia cristã lhes impunha. Vieira ficou impressionado, principalmente porque Pedro era mais pragmático e não levava desaforo pra casa. Talvez tenha visto nele uma espécie de clone seu, mais jovem. E foi assim que Pedro passou a ser a ponte do movimento rural com o embrião de uma organização mais urbana: ele foi entronizado na “Corrente Sindical” com status de “comandante”, passando a ser uma espécie de segunda pessoa de Vieira.

Mas isso não bastava. Era preciso formar novos grupos na cidade que fossem formadores de opinião, para disseminar a idéia nas periferias. Vieira acreditava que a tomada do poder nunca se daria com o movimento rural, afinal já havia a frustração das ligas camponesas, de Chico Julião, no nordeste. Pedro e Ranulfo foram incumbidos de formar um núcleo de formação de jovens de classe média, que seriam atraídos para uma proposta de “teatro engajado”. E aí que eu entro.

Mas o texto já está muito grande e o sono me impede de continuar. Em breve lanço a conclusão deste capítulo.

Livre para voar


A seqüência de fotos é um momento singelo e mágico captado pelas lentes de Édson Queiroz, provavelmente em sua casa.

Retrata a paciência de flagrar um pássaro se aproximando do homem de forma fugaz e sumindo tão rápido quanto apareceu.

Lindo.

Poesias (Paulo Leminski)

I
Confira
tudo que
respira
conspira

II
Tudo é vago
e muito vário
meu destino não tem siso,
o que eu quero não tem preço
ter um preço é necessário,
e nada disso é preciso

III
Cinco bares,
dez conhaques
atravesso são paulo
dormindo dentro de um táxi

IV
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

V
O pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique

VI
Chora de manso e no íntimo... procura.
Curtir sem queixa
o mal que te crucia.
O mundo é sem piedade e até riria
Da tua inconsolável amargura.
Só a dor enobrece e é grande e é pura
Aprende a amá-la que a amarás um dia.
Então ela será tua alegria,
E será, ela só, tua aventura...
A vida é vã como a sombra que passa...
Sofre sereno e de alma sobranceira
Se um grito sequer, tua desgraça
Encerra em ti tua tristeza inteira
E pede humildemente a Deus que a faça
Tua e constante companheira.
Comentário do blog: se vivo fosse, Paulo Leminski (foto), esse grande poeta paranaense, um dos líderes do movimento da poesia marginal dos anos 70, estaria com 61 anos, completados há 12 dias atrás. Ele morreu em 79, e nos deixou um legado de poesias como essa, uma de suas últimas, mostrando o marginal poeta que ele sempre foi. A primeira estrofe é profética. Leminski é um dos meus preferidos.

Capa do Diário do Tapajós - 06.09.2005

O Diário do Tapajós, suplemento regional do Diário do Pará, circula nesta terça-feira com essa capa.
"Rabiem livoris acerbi nulla potest placare quies". [Claudiano]

"Nenhuma paz pode aplacar a fúria da inveja violenta".

Dupla de Jotas

O velho Juvêncio, invadindo meu blog de novo...
Ninos,
Que surpresa ver o Lula em seu blog. Amores antigos, como só uma mulher perceberia, comentando Fagner.
Bom saber que você vagueia nos blogs, desvelando máscaras, o poema em cima da hora. Lindo. Mais uma vez obrigado pelo carinho. Quem sabe a gente não monta uma dupla e sai por aí? Que tal Prosa e Verso? Jotão e Jotinha? Marajó e Tapajós?
Prá concluir, estou postando aqui, no Cristóvam, porque foi uma alegria revê-lo fazendo às vezes de José Midlin Lafer. Esse caboco aí é uma das melhores cabeças do estado, realizador, criativo, e, nem precisava, um sedutor. Da próxima vez que for a Santarém vou levar um coifo de carangueijos vivos prá ele.
Pisa aí no dossiê
tá muito legal de lê
é bom a gente sabê
e nos vai agradecê.
passa o tempo e não se vê
o que foi acontecê
como esse sonho, o petê.
Comentário do blog: Eu escrevi no blog do Parente que "de Jota em Jota, estamos reescrevendo o Jornalismo". Jota de Ninos, de Parente, de Juvêncio de Jeso. Jota de Juventude e de Justiça. Tudo isso nas ondas do blog, longe das amarras dos outros mass media. E Juvêncio blogueia aqui e ali, levando no bico sementes a serem plantadas em outros "sítios", enquanto eu poeto, poeto, poeto.
Ei, eu também quero carangueijo, cara!

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

Manhãs de Setembro


Fui eu que se fechou no muro e guardou lá fora
Fui eu que num esforço se guardou na indiferença.
Fui eu que em numa tarde se fez tarde de tristeza
Fui eu que conseguiu ficar e ir embora.
E fui esquecida
Fui eu
Fui eu que em noites frias se sentia bem
E na solidão sem ter ninguém fui eu
Fui eu que em primavera só não viu as florese o sol
Nas manhãs de setembro.
Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs de setembro
Nas manhãs de setembro
Nas Manhãs...
Ouvi Pedrinho falando desta música em seu Planeta, com Vanusa (foto) e resolvi postar a letra, acreditando que ele tocaria. Mas fico aguardando...
Lembrei meus tempos de romantismo meio brega da adolescência, principalmente quando Vanusa cantava muito o Antonio Marcos, um cara que tinha umas letras muito bonitas, mas nunca foi muito compreendido pela crítica musical, e morreu sem ser reconhecido como grande compositor.
Além das músicas, ele nos deixou a bela filha Paloma Duarte...

Planeta em blog

A blogosfera, em breve, terá um novo e brilhante integrante.
Trata-se do meu amigo Pedro Fernando que nos encanta e nos embala às noites de segunda-feira com o melhor da música brasileira e internacional em seu Planeta Música pela 94 FM, que anuncia a criação de um blog para interagir com os internautas.
Eu, que juntamente com Tato Gomes, diagramador do Diário do Tapajós, ficamos sintonizados todas as segundas-feiras neste Planeta, de certeza estaremos ligados, também, no blog, enquanto fechamos mais uma edição do Diário.
Ave, Pedrinho!

Comentando Dossiê

Recebo e registro comentário da empresária Vânia Maia:

Caro Ninos,
Quero te parabenizar pelo blog. Está muito bom. Agora sim, atualizado diariamente, fica gostoso de ler.
Mas quero te parabenizar mesmo é pelo "Dossiê PT", um marco para a história política santarena. Quando você mostra as entranhas do PT e sua verdadeira trajetória, está dando oportunidade para a atual e futuras gerações saberem como se construiu o outrora combativo partido dos trabalhadores na região.
Espero que o meu amigo e sempre atento Cristóvam Sena consiga reunir e um dia publicar esses e outros registros da política santarena.
Tem sido gostoso ler os comentários do Juvêncio, pessoa que aprendi admirar pelo seu profissionalismo, educação e competência. Foi legal também perceber que o Juvêncio tem forte ligação com Santarém e que as duas campanhas que ele veio fazer na cidade, serviram para deixar amizades e respeito entre as pessoas que conviveram com ele, ou que estiveram, como foi o teu caso, em "trincheiras" opostas.
Sucesso!
Vânia Maia.
Comentário do blog: obrigado à Vânia. Assim como o comentário dela, tenho recebido outros incentivos idênticos e como sempre gostei de política, não pretendo ficar só na história do PT. Essa eu conheço de perto, porque fui integrante, mas como repórter convivi nos bastidores políticos, e como marqueteiro, também presenciei muitas histórias. Não sei se terei fôlego para tanto.

domingo, 4 de setembro de 2005

Dossiê PT – estórias que não gostaria de contar

Capítulo II – Decifra-me ou te devoro (parte 2)

Na última parte de meu “Dossiê PT” falava dos bastidores da primeira eleição para a escolha do primeiro Diretório Municipal do partido. (Leia AQUI o capítulo anterior)

Enquanto o padre Edilberto Sena, assessorado de perto por seu então pupilo Dinaldo Pedroso (que anos mais tarde viria a ser meu cunhado), filiava pessoas em todos os bairros, a “Corrente” se reunia para discutir se valia a pena entrar no PT. Recebeu convite para entrar no partido, mas pediu “um tempo”. Enquanto isso, Edilberto filiava...

Quando a “Corrente” finalmente decidiu entrar no PT, definiu que poria todo o seu peso espalhando milhares de fichas de filiação no planalto, na várzea, no Tapajós e no Arapiuns. Disse “sim” aos “edilbertistas”, mas com uma condição: “Nós vamos dirigir o partido”.

Mário Feitosa, sindicalista ligado aos tecelões reagiu de pronto: não era justo que os correntistas quisessem assumir o partido, depois de todo o esforço que seu pessoal já havia feito. Edilberto e seus pupilos rejeitaram a proposta. A “Corrente” não abriu mão de ter seu maior líder, Geraldo Pastana, à frente do PT. Do outro lado, Mário Feitosa era o candidato do grupo de Edilberto. Sem acordo, decidiram disputar no voto.

No dia da eleição, cada qual usou dos meios que tinha para levar seus filiados. Estava instalado um clima de guerra, mas os “correntistas” tinham um poderio bem maior. Em pouco tempo já haviam conseguido maior número de filiados. O trabalho das delegacias sindicais foi intenso. Mas havia um problema: a estrutura para bancar a vinda de tanta gente do interior para participar da Convenção Municipal. Do outro lado, praticamente 100% dos filiados dos Feitosa e dos Sena era de trabalhadores da cidade.

Mesmo assim, a “Corrente” usou de todo os recursos que pôde dispor. Provavelmente, com grande suporte financeiro da Fase (Federação dos Órgãos de Assistência Social e Educacional, mentora dos “correntistas”). O resultado foi um plenário da Câmara Municipal (onde hoje é a Semed) lotado. As duas facções em pé-de-guerra. Difícil saber quem ganharia.

Mas aconteceu a catástrofe (para os “correntistas”): o barco que vinha com uns 25 filiados da região do Tapajós, comandados pelo frei Ranulfo Peloso, pregou no meio do caminho. A convenção terminava às cinco da tarde. Não fui testemunha disso, mas pelo que me contaram, os “companheiros” corriam da sala para a cozinha e viam o tempo se esgotar... Não havia uma precisão, mas tudo indicava que os votos não seriam suficientes.

E não foram: pela diferença de apenas 6 votos (!), Edilberto Sena & cia. impuseram a primeira derrota à arrogância “correntista”. A festa foi grande e Mário Feitosa tornou-se o primeiro presidente do Diretório Municipal do PT. Dos 21 cargos do Diretório, a turma de Edilberto ficou com a esmagadora maioria: 15, sobrando as seis restantes para a “Corrente”.

Arrasados, os companheiros foram para uma grande avaliação (da qual não participei), mas só ouvia rumores de que Antonio Vieira, o grande guru do movimento jogava toda a culpa em Ranulfo Peloso, dizendo que ele teria sido displicente ao fretar um barco com o mínimo de antecedência. Os filiados do Tapajós só chegaram no outro dia após a votação... A vitória da “Corrente” se acabou no meio do rio...

Mas o poder de recuperação da “Corrente” era muito grande. Passado o desânimo, veio a estratégia da retomada. Decidiu-se fazer do PT a grande ferramenta de luta e atazanar os dirigente do partido. Criaria-se um “PT paralelo”, após a fundação de diversos núcleos de base. Seria o chamado “internúcleos” (de que falarei em breve).

Como já disse no primeiro capítulo, o primeiro núcleo de base do PT em Santarém foi o da Interventoria, que tinha como coordenador o professor Orlando Gamboa (hoje, assessor da Semed para o Planalto). Junto a ele, pessoas como a valorosa Teca (Tereza Corrêa, irmã do jornalista Miltinho) e “seu” Teles, um pedreiro que ajudou a construir as bases do partido naquele bairro.

O nascimento da resistência da “Corrente” na Interventoria tinha um sentido simbólico: o bairro, que até hoje não tem esse nome como oficial, sempre foi um centro de lideranças cristãs e de militantes contra qualquer tipo de opressão (o nome Interventoria é justamente uma alusão à época em que Santarém teve interventor). Mas a intervenção “correntista” no processo de construção do PT em Santarém, traria bons frutos e ao mesmo tempo recrudesceria uma visão torpe baseada no stalinismo de Vieira, que contaminou todo o movimento popular de Santarém.

Eu estava lá, na fundação do primeiro núcleo, mas como cheguei ali? No próximo capítulo volto um pouco no tempo, mostrando o que considero a “pré-história” do PT em Santarém.

A cara do Juvêncio

Remexendo meus arquivos fotográficos, encontrei e resolvi postar uma foto de Juvêncio Arruda, de 2004 (tava com a cara do Lula, hein Juve?), o publicitário que atuou em duas campanhas políticas em Santarém. Numa delas eu o enfrentei (Lira Maia x Bené - 2000), na outra ele assumiu minha equipe e meu potencial cliente (Alexandre Von, antes de eu virar Escrivão Judicial).
Juvêncio redescobriu Santarém através do blog do Jeso e não parou de postar comentários e até fazer polêmicas. Depois invadiu outros blogs da região e tem se mostrando um gentleman do texto.
Foi através da blogosfera que exorcizamos qualquer resquício de mal-estar existente no final da campanha de 2000. Afinal, além de profissionais da comunicação, somos poetas, e nossa alma é fértil para o sentimento que qualquer razão desconhece.
Em meu blog sua participação ainda é tímida, mas não posso deixar de registrá-la quando acontece, ainda que seja com atraso (por um lapso meu).

Ninos, meu caro.
Achei que por aqui era o canal pra matar um desejo.
Sei que tua alma de poeta entenderá e tua carcaça de ex-marketeiro vai rir com a compreensão dos generosos.
Há um ano, nesta data, pelas sete da manhã liguei prá ele. Sabia-o acordado há tempos. Mandei um abraço e voltei ao trabalho.
Ótimo cliente, raciocínio rápido, participativo, delegativo, supervisionativo (existe isso?) e muitos outros adjetivos.
Naquele dia mandei um abraço.Hoje mando outro.
Parabéns Lira Maia. (01/09)
Comentário do blog: concordo com Juvêncio em alguns adjetivos ao Lira Maia, embora tenha me decepcionado com ele, como político e homem público já no segundo mandato. Até hoje tenho uma relação pessoal muito boa com Lira Maia e grande parte dos que participaram de seu governo. Eu e ele nunca tivemos afinidades ideológicas, mas sempre exisitiu um respeito mútuo entre ambos. Entretanto, creio que ele ficou devendo a Santarém, e por isso tem rejeição de determinados setores. Mas pela minha experiência, acredito que isso não o impedirá de se eleger deputado federal nas próximas eleições (sem o meu voto, é claro). Não sei se será bom pra Santarém, mas para ele certamente será.

Nas graças de Cristóvam

Nosso "memorialista" maior, Cristóvam Sena, participa do blog e dá força para que continuemos o trabalho:
Caro amigo Ninos,

Gostei da tua "revolta", principalmente porque é um blog diferente do do Jeso. Os dois se completam.

Abraços,
Cristovam Sena
Comentário do blog: encontrei Cristóvam numa fila de banco e ele disse que está guardando os textos sobre a história do PT que estou publicando aqui no blog, para quem sabe um dia editá-los. Ainda estou devendo a ele os originais do meu primeiro livro, que seria uma coletânea de artigos escritos na imprensa + poesias. Já marquei duas datas, mas diversos afazeres me impediram de cumprir a promessa. Espero poder cumpri-la até o final do ano (Jeso e outros devem estar rindo de mais uma promessa pública minha. Acho que minha relação com políticos me deixou com um vício feio, de prometer e não cumprir...)

Comentando Fágner

Mirika, a mais assídua freqüentadora de blogs de Santarém, ainda acredita neste blogueiro e visita nosso espaço para comentar o último post:

Parabéns, pela "refundação" do blog, pensei até que seria "revitalização" ou seja restituir à vida, dar mais vigor...vê se não paras tanto tempo tá?
Não sei se sabes, mas sou apaixonadíssima pelo Fagner, tenho lembranças maravilhosas da minha vida com suas músicas. Estou adorando também essas tuas histórias do PT, só espero que não seja apenas como essa música do Fagner que diz: " ...não é coisa de momento, raiva passageira. Mania que dá e passa feito brincadeira, o amor (no teu caso PT) deixa marcas, que não dá pra apagar..."
Beijocas
Miriam Bemerguy
Comentário do blog: não creio que eu corra risco de uma "recaída" pelo PT. A traição foi muito grande. Levei "chifre" nos meus ideais. E fui traído não por um "Ricardão", e sim por um "Robertão"...

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

O Frenesi de Fagner

A felicidade corre sem parar
Bela é uma cidade velha
Na velocidade a tarde leva o teu olhar
Longe descansar na estrela
E um corpo passa por mim
Água do rio na areia
Adormecendo assim
Esta pedra em mim
E meu leito clareia
Fosse paixão frenesi
Doce ilusão moça bela
A solidão mora aqui
E a cidade é sem fim
Qual a tua janela
Tudo igualTal e qual
Fosse paixão.
"FRENESI" (Fausto Nilo-Petrúcio Maia-Ferreirinha)
Disco: ''BELEZA''
Comentário do blog: de repente meu deu saudade de Fágner, cuja coleção tenho toda em vinil (são mais de 300 bolachões, a maioria MPB, que guardo em minha casa). Frenesi é uma dessas músicas que marcaram minha vida, pois quando vivi na Europa entre 1988 e 1991, resolvi me arriscar numa empreitada maluca: saí da Grécia na minha volta ao Brasil, mas acabei aceitando o convite de um amigo alemão de passar por Frankfurt, para 'ganhar uns trocados" como garçon. Acabei lavando pratos num restaurante grego, cujo cozinheiro era um turco chamado Hussein!!! Voltava triste para casa, pois não era o que eu queria, e Fágnerm me fazia companhia, enquanto eu mirava do outro lado da rua o campus da Universidade Goethe. Era um Frenesi...
(Quem sabe o Nélson Mota ou o Pedrinho da 94, desencavam qualquer dia desses essa pérola do arigó...)

Como comentar?

Um amigo que não é muito acostumado com esse lance de internet, me liga e diz que acessou meu blog, quis comentar, mas não sabia como. Aí vai uma instrução básica: na pagina, cada nota é chamada de "post" e é indicada, em inglês, por quem foi postada (posted by...)
No desenho abaixo, um fragmento do meu blog e o link circundado onde está escrito "comments". Ali é só clicar com o mouse, abre-se uma nova janela e você pode comentar:
O comentário é livre e me reservo o direito de publicá-lo na página principal ou não. Também posso excluí-lo da caixa de comentários se for ofensivo ou grosseiro. Mas sei que os leitores do meu blog têm classe...
Ah! tem mais: ao lado do link de comentários há outro ícone em forma de envelope. Ao clicar lá, abre-se uma página para que você possa enviar aquela informação a quem você quiser.
Já o pequeno ícone em forma de lápis só pode ser usado pelo dono do blog, para editar a matéria postada.
Outra dica importante: se você está navegando na Internet e leu todos os posts, você pode deixar a janela do meu blog aberta e sempre que quiser ver se já foi atualizada, bas ta maximizar a janela e aperta a tecla F5, que a página será imediatamente atualizada. No meu caso, aviso que faço as atualizações geralmente à noite, assim, durante o dia dificilmente será necessária a utilização desse recurso.
Aguardo sua participação, nesse momento de "refundação" do blog...

Novo leitor


O radialista Theo Neves acessou o blog e divulgou na 94 FM a informação sobre o São Raimundo e ainda deixou seu recado:

Olá meu amigo!
Li sua informação no meu programa, e já divulguei seu blog, inclusive quero te parabenizar, tá muito bom!
Theo Neves

Dossiê PT – estórias que não gostaria de contar

Capítulo II - Decifra-me ou te devoro (parte 1) (Leia AQUI o capítulo anterior)
O PT é um partido enigmático. Nascido das organizações sindicais urbanas e rurais e com forte apoio da Teologia da Libertação, solidificou uma base estrutural baseada numa ação cristã mesclada a um sindicalismo aguerrido. Intelectuais escreveram as bases teóricas do partido dentro dessa visão maniqueísta e vários grupos minoritários, remanescentes de movimentos políticos da década de 1960, após ser dado o golpe militar, participaram de suas bases para dar o “tempero” do que seria a dialética das tendências. Começava assim o processo autofágico do PT em todo o Brasil.

No Pará, estado dominado por elites conservadoras inspiradas no alacidismo e no jarbismo, a década de 1980 era profícua para uma terceira via, que tinha em Jader Barbalho sua maior liderança. O PT em Belém era um simulacro de organização partidária e acabou “invadido” por pessoas que eram tidas como oportunistas, a ponto de haver uma intervenção federal do Diretório Nacional! E grande parte dos expurgados, acabou migrando para o PMDB, como o deputado Bira Barbosa (que recentemente trocou o PMDB pelo PSDB).

Mas em Santarém a unidade do grupo representado pela tendência “Corrente”, tinha tudo para evitar os erros de Belém. A organização sindical era decantada em todo o Brasil como exemplar e aqui não haviam grupelhos da esquerda mais radical, muito embora o discurso “correntista” fosse sectário. Entretanto, a arrogância, que foi a grande marca desse grupo (do qual fiz parte), acabou pregando uma peça nos clãs Pastana, Peloso e Ganzer.

Eu não participei diretamente da primeira eleição do diretório municipal, em junho de 1981, no antigo prédio da Câmara Municipal (hoje, Semed) quando duas chapas disputaram os votos dos convencionais, mas ouvi nos bastidores a história do confronto. De um lado a ‘Corrente” e do outro um grupo sem muita tradição de embate sindical, mas com um baixinho atrevido que até hoje constrói e destrói estruturas: padre Edilberto Sena.

Edilberto, apesar de ser considerado da ala esquerda da igreja, não comungava (literalmente) das idéias de outros padres que deram sustentáculo à “Corrente”. Seguiu um caminho solo e reuniu alguns seminaristas diocesanos que trabalhavam na gráfica Tiagão e viviam no Tiaguinho (uma espécie de república de seminaristas nos fundos da Diocese) em seu redor. Apostou na nova proposta partidária e começou a filiar simpatizantes. Convenceu dois irmãos, que surgiam como lideranças no bairro de Aparecida e Carananzal: Mário e Gonçalo Feitosa. O primeiro era presidente do extinto Sindicato dos Tecelões e o segundo era do Sindicato dos Gráficos, na condição de gerente da gráfica Tiagão.

Assim estava formado o primeiro embate no Partidos dos Trabalhadores em Santarém: de um lado uma facção com forte inclinação para o campo, tendo a estrutura do poderoso Sindicato dos Trabalhadores Rurais e do outro um grupo concentrado na cidade e com forte influência na área de atuação do padre Edilberto Sena (até hoje): Laguinho (Salé), Liberdade e Mapiri.
Como essa história vai longe e o texto pode ficar cansativo, deixo para publicar a outra parte noutra ocasião.
"Quae amentia est, poenas a se infelicitatis exigere et mala sua manu augere". (Sêneca)
"Que loucura é punir-se por sua má sorte e com a própria mão aumentar os seus males".

São Raimundo não viaja a MT

Quando havíamos acabado de fechar no início da noite a edição do Diário do Tapajós, que circula nesta terça-feira, perdemos o furo do dia e que o blog dá em primeira mão: a equipe do São Raimundo perdeu o vôo que levaria os jogadores à Belém, para em seguida pegarem outro avião até Cuiabá e de lá seguirem, pela estrada em direção a Rondonópolis para sua última partida na primeira fase da 3ª Divisão contra o Vila Aurora.
Segundo Bena Santana, nosso repórter, Celso Lima (CDP), que apoiou a equipe para conseguir essa viagem, trabalhou a noite toda para tentar conseguir outro vôo e embarcar a equipe de madrugada! Se a equipe não conseguir viajar e não se explicar à CBF, corre o risco de sofrer uma severa punição, com expulsão do Campeonato Brasileiro!
Seria o triste fim de um sonho que já se revelou um pesadelo, e que os cartolas, no alto de sua desorganização, não aprenderam com a lição que o São Francisco já havia dado: entrar numa competição nacional sem estrutura é certeza de catástrofe. Depois virão as dívidas, a venda do patrimônio, o fim caótico do futebol santareno.
Torçamos para que a equipe pelo menos possa viajar, mas mesmo que consiga, o rendimento dos jogadores já estará comprometido. O Pantera precisa de uma vitória a qualquer custo para seguir em frente no campeonato. Sou Pantera, mas, sinceramente, acho que o melhor agora seria perder para o Vila Aurora e cair na real, antes que o barco vire um grande Titanic!

Capa do Diário do Tapajós em 02.09.2005

Correção

Recebi informação de um leitor atento, com relação ao post anterior, que a Semplan - Secretaria Municipal de Planejamento (leia-se Everaldo Martins), já se alojou no início da semana no prédio cor de rosa de dois andares, na Mendonça Furtado próximo á Barjonas de Miranda.

O despertar de Maria?

Fontes seguras da Prefeitura de Santarém dão conta de que a prefeita Maria do Carmo deu um "chega pra lá" em Everaldo Martins, seu primeiro-irmão, há poucos dias.
A briga teria sido muito feia, segundo a fonte, e Maria teria até mesmo cogitado demitir o manda-chuva de sua administração, por causa de sua constante intromissão em todos os assuntos da Prefeitura e a centralização do poder do Governo em suas mãos.
Mas no final, prevaleceu o bom senso de Lito Martins, o terceiro na sucessão. Deu uma de bombeiro e apaziguou a briga. Espera-se que Maria realmente ponha ordem na casa e evite que Everaldo seja um novo José Dirceu.
Por falar nisso, Everaldo Martins e Socorro Pena, têm sido vistos com freqüência num bonito prédio da Mendonça Furtado, próximo à Barjonas. Lá deverá funcionar o bunker de Everaldo, que quer mais espaço para sua Secretaria de Planejamento.

Dossiê só amanhã e nova seção no sábado

O segundo capítulo do dossiê PT só será divulgado amanhã. Resolvi acrescentar fotos de meu arquivo pessoal, mas a conexão negou fogo.
E no sábado nova seção no blog: Pérolas da Comunicação, um perfil dos profissionais da imprensa local. Aguardo colaborações

Sossega, coração! Não desesperes!


Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.

Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!

Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo!
Dorme!O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa, 2-8-1933.

Para descontrair

Na internet rola de tudo sobre a crise nacional. Este "classificado" é uma orgia de humor...