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domingo, 5 de maio de 2019

Trinta e cinco anos depois, um novo retorno

Nesta segunda-feira (06/05), quando eu entrar no estúdio da Rádio Guarany FM um pouco antes da 7 da manhã, começo uma nova caminhada neste ano em que comemoro 35 anos de jornalismo. Ao lado dos jornalistas Miguel Oliveira e Rogéria Almeida, parceiros em outras empreitadas jornalísticas do passado, estarei no comando do novo programa da emissora o "Cartas na Mesa", uma produção do Portal EstadoNet.



Desde o início deste ano, quase sem querer, mudanças importantes vem acontecendo em minha vida pessoal de tal forma que resolvi iniciar um retorno mais participativo da carreira jornalística meio deixada de lado, desde que passei no concurso do TJPA (Tribunal de Justiça do Pará) em 2003. Além do programa Bazar Brasileiro (criado em 1985) que retomei na Rádio Rural entre 2011 e 2014 e o trabalho informal de assessoria de comunicação do Judiciário, meu ímpeto comunicacional se restringiu às redes sociais compartilhando notícias e comentando.

E por ter abandonado este pobre Blog que criei em 2005, depois de várias idas e vindas, quero retomar as postagens por aqui aproveitando a comemoração dos 35 anos e a estreia do novo programa da Rádio Guarany. Espero poder postar com mais frequência crônicas, comentários e lembranças pessoais que estão armazenadas nos links deste blog.

Cartas na Mesa

Sobre o novo programa da Guarany, fui contatado pelo Miguel Oliveira a cerca de um mês quando me apresentou a proposta e me convidou para integrar a equipe. A proposta de um programa radiojornalístico em formato de Revista Radiofônica, com notícias, comentários e música, me fascinou. de lá para cá, começamos a trocar ideias pelo WhatsApp, que será um canal para dinamizar o programa, na era em que as mídias convergem para os aplicativos de mensagens e redes sociais. O programa será transmitido também por essas mídias, ao vivo ou em gravações compactas para quem não acompanhou a transmissão.

Jota, Rogéria e Miguel discutindo o Cartas na Mesa.
A proposta do programa é fazer um jornalismo plural, com três jornalistas de ideologias bem diferenciadas e que têm respeito entre si, num momento em que o Brasil passa por um processo de intolerância no que se refere à diversidade de ideias. Além dos três apresentadores, o programa terá participação de outros comunicadores locais e regionais, nomes como Ércio Bemerguy, Santino Soares, Gerson Nogueira, Socorro Carvalho, Leíria Rodrigues, Sidney Canto e muitos outros que ainda estão sendo convidados a participar dessa "força-tarefa da informação", por assim dizer.

A diretora geral da Rádio e TV Guarany, Cida Serique, viúva do empresário Milson Pereira, acolheu o projeto e acompanhou sua produção, apostando num novo produto jornalístico. Pouca gente sabe que Cida (ainda na gestão do marido) sugeriu a criação de um dos programas de maior sucesso da emissora, o Rádio Interativo, hoje apresentado pelo jornalista Acivan Monteiro. Com essa experiência, ela teve a sensibilidade de entender o projeto.

Agora, é só colocar as Cartas na Mesa! Aguardo sua audiência à partir desta segunda-feira, 06/05/2019. De segunda à sexta, das 06h50 às 07h50.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Dia da Imprensa2

Afinal, qual é o verdadeiro dia para se comemorar como "Dia da Imprensa"?

Se buscar na internet, você encontra várias DATAS COMEMORATIVAS DA COMUNICAÇÃO:


Janeiro -  05 · Criação da 1ª Tipografia no Brasil;

Fevereiro - 16 · Dia do Repórter; 

Abril - 07 · Dia do Jornalismo;

Maio - 17 · Dia Internacional da Comunicação e das Telecomunicações; 31 · Dia Mundial das Comunicações Sociais (Hoje!!);

Junho -  01 · Primeira Transmissão de TV no Brasil;   01 . Dia da Imprensa; 21 · Dia da Mídia

Setembro - 10 · Fundação do 1º Jornal do Brasil;

Novembro - 07 . Dia do Radialista;

Dia da Imprensa1

Depois de passarem por uma batalha de versões, os jornalistas de Santarém poderão comemorar o Dia da Imprensa numa festa programada para esta sexta-feira (01/06) pelo Sindicato dos Radialistas de Santarém presidido por Augusto Sousa (foto O Impacto)e pela Superintendência do BASA, com premiação aos profissionais que se destacaram no ano de 2011, nos segmentos de Rádio, Televisão, Blogs e Jornal Impresso.
O evento será às 16horas, no Auditório  "Pérola do Tapajós", do Banco da Amazonia, localizado na Praça Barão de Santarém.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Idéias nem sempre geniais devem ser totalmente esquecidas?(*)

O que diferencia uma boa idéia de uma loucura estapafúrdia? Acredito que depende muito do resultado que a tal idéia proporcionar. Na verdade, as grandes idéias estão sempre ligadas a momentos de loucura de determinadas pessoas. Daí, talvez, se forjem os grandes gênios da história.
Provavelmente muitas das loucuras que não tiveram bom resultados, foram esquecidas. As que deram certo transformaram-se em grandes inventos, coisas revolucionárias que transformaram as vidas das pessoas. Coisas como o avião de Santos Dumont, por exemplo. Mas sabe-se que antes dele, muitos “loucos de pedra” tentaram voar e se arrebentaram por aí.

Dia desses reassisti o filme “Chaplin”, do cineasta Richard Attenborough, que mostra a trajetória deste gênio do cinema a partir de sua autobiografia. Ver a vida de Charles Spencer Chaplin desde criança é determinante para definir de onde vem sua genialidade e porque sua “loucura” transformou-se numa obra prima. Mas o próprio Chaplin errava e para chegar ao ponto certo repetia trocentas vezes uma cena, até alcançar a perfeição.
Desde a concepção da idéia que gerou suas grandes obras até à produção de seus grandes filmes, Chaplin passou por muitos dilemas, mas nunca desprezou nenhuma das idéias (na foto acima, no filme "O Grande Ditador", de 1941). Este é o ponto a que quero chegar: não basta ser um gênio predestinado, é preciso antes de tudo ser obstinado, ter um pouco de sorte, mas principalmente nunca desistir de uma idéia, por mais louca que ela pareça...
A coisa funciona mais ou menos assim: você chega e diz para o seu chefe que se fizer algo de tal forma a empresa ganha e quem sabe o chefe seja lembrado como um grande empreendedor. O chefe aposta, mas avisa que se a idéia não der certo e ele for ridicularizado, terá que castigar o louco varrido... No fim das contas, o “gênio” está sozinho e tanto pode se dar mal quanto virar um astro!
Minha obstinação para alcançar certos objetivos, me causou muitos dissabores desde a adolescência. Lembro da vez em que cheguei em casa resoluto a comer aquele pacote de biscoitos finos que ficava guardado em cima do armário da cozinha. Todo mundo dormia em casa e essa era a chance de alcançar o objeto do desejo. Mas como combater a altura com meu meio metro de gente?
Pego um banco de madeira de pernas altas, subo e estico o braço. Ainda está longe. Desço, olho ao redor e encontro uma lata de manteiga daquelas grandes, recém aberta. A altura parece boa, mas as bordas da lata sem tampa são perigosas. O biscoito continua desafiando minha inteligência lá do alto da prateleira, até que dou de cara com uma tábua de cortar carne. Uma tampa perfeita para a lata. Subo na minha pirâmide improvisada e estico o braço e... nada! Ainda falta um pouco.
“Não é possível!”, esbravejo. Roda daqui roda de lá, o biscoito parece rir de mim, até que vejo uma outra lata de leite, média. Não penso duas vezes. Coloco em cima do meu projeto de torre Eiffel e subo os degraus da fama. Equilibrado sobre minha engenhoca estico o braço e pego a caixa de biscoitos! Que alegria, mas de repente, perco o equilíbrio e minha torre desmorona. O pé vai direto para a borda da lata de manteiga: resultado 12 pontos na palma do pé, uma noite de sermão do pai e uma semana de cama em casa. Foi uma péssima idéia? Nem tanto. “Gazetei” a aula por sete dias e ainda tive a chance de ficar em casa, sozinho, com uma nova empregada que acabou cuidando de mim muito bem...

Até as péssimas idéias, às vezes, geram bons frutos...

Mas eu cresci e continuei aprontando das minhas. No auge de minha “genialidade”, achei que tinha me tornado um verdadeiro Midas: tudo o que eu tocasse viraria ouro. Em 1986, quando fui demitido pela primeira vez de uma emissora de rádio por questões ideológicas, comecei a saborear as benesses de “ser mártir”. Havia saído da Rádio Rural, onde já tinha um programa de grande audiência. Era o mês de abril e no dia 1º de maio daquele ano a nova rádio AM da cidade, a Rádio Tropical, completava seu primeiro aniversário. Tentando se firmar como uma opção frente à líder de audiência, nada melhor do que contratar o “repórter polêmico’, como eu era conhecido. O amigo Jota Parente, que me conhecia desde a Rural e agora era gerente da Tropical, não duvidou: apostou naquele maluco.
Na primeira semana na emissora, enquanto preparávamos meu programa de estréia (que até hoje está lá, o Comando Tropical), a equipe de jornalismo me recebia como quem recebe um Messias. Qual era a fórmula para desancarmos o Jornal do Meio-Dia, da Rural, campeão de audiência? O chefe da equipe, o jornalista José Ibanês (hoje editor do Diário do Tapajós) me fez a pergunta e disse que precisávamos ousar, apresentar algo diferente, que balançasse a concorrência.
Do alto de minha genialidade não duvidei e lancei uma idéia: que tal o nosso jornal ter três apresentadores? Todos se entreolharam, mas antes que dissessem “não”, comecei a defender a idéia “brilhante” com tanta ênfase que convenci a equipe. E arrematei: “vamos fazer segredo da idéia e não contaremos nem mesmo para o Parente!”
Ibanês olha para os lados e começa a achar que eu sou realmente louco. “Mas e se...” Antes que a frase termine, eu arremato: “Xá comigo!” Afinal eu era ou não o Midas do rádio naquele momento? A equipe de Ibanês se convence e resolve embarcar na minha louca nau...
Dia seguinte, nosso jornal entra no ar. No estúdio, três locutores, Ibanês, eu e um terceiro colega (que prefiro não citar o nome para evitar problemas). Cada um com suas laudas nas mãos. Na técnica, José Mário Dutra, o “Dentinho”, um grande amigo que adorava minhas loucuras. Preparou as trilhas e estava empolgado com o projeto. As gravações dos repórteres estão no ponto.
Começa o jornal, com o anúncio de “um novo tempo no rádio.” As laudas vão saindo das mãos. O primeiro bloco de notícias locais se completa sem nenhum erro. Parece que a idéia vai dar certo. A gente está feliz, Ibanês torcendo para que Parente esteja ouvindo e eu começo a tufar, me achando “o cara”.
Vem o segundo bloco. Como sou sempre o primeiro a começar, leio a primeira frase da primeira notícia, Ibanês a segunda e o terceiro colega a terceira. Quando vou entrar na segunda notícia, um nome estrambótico de alguma autoridade russa se engasga na minha garganta. Tento repetir, mas começo a rir. Ibanês tenta se agüentar e continua a frase, mas se desmancha em gargalhadas. O terceiro colega também começa rindo e não termina a notícia. No lado de lá do “aquário” vemos o “Dentinho” estrebuchando de rir e antes de cair ao chão ainda consegue subir o BG (sigla de Back Ground, o som incidental que toca ao fundo de uma narrativa jornalística)...
No estúdio, os três apresentadores com ataque de risos olham um para o outro e ninguém toma iniciativa de recomeçar. Foi o BG mais longo do rádio! Ibanês já ri aterrorizado e torce para que Parente não esteja ouvindo a emissora. Eu já imagino minha segunda demissão em menos de uma semana, mas não consigo parar de rir. Até que o terceiro colega, mais controlado que os outros, consegue se levantar pede som no microfone e apenas decreta: “Termina aqui, o Jornal Tropical”.
A risada continua e resolvemos abandonar a brilhante idéia. Agora precisamos esperar a fúria de Jota Parente. Mas exatamente naquele dia, nem ele e nem o dono da emissora, o Dr. Ubaldo Corrêa ouviram o programa. Talvez o melhor da minha idéia foi ter sugerido que não contássemos nada da estréia.
Talvez só depois de ler essas linhas, o Jota Parente, hoje em Itaituba, acabe descobrindo porque naquela semana só faltamos engraxar os seus sapatos...

Mas um dia ainda apresento um radiojornal, com três apresentadores!
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(*) Artigo publicado em minha coluna semanal Perípatos, no encarte regional Diário do Tapajós de 17.06.2008, que circula com o jornal Diário do Pará.