sábado, 21 de junho de 2014

Jornalistas de Santarém fazem manifesto pela valorização profissional

Um grupo com cerca de 30 jornalistas fez um manifesto pacífico intitulado“Comunic#ação pela Valorização” no final da tarde desta sexta-feira (20/06) pelas ruas do centro de Santarém, utilizando como mote a semana de aniversário da cidade (que se comemora no domingo, 22/06) e a torcida pela seleção brasileira na Copa 2014. Os jornalistas saíram pelas ruas do comércio com apetrechos de torcedores da seleção fazendo um “apitaço” e distribuindo um panfleto para as pessoas que passavam. Ao final da passeata, os jornalistas e radialistas fizeram discursos na Praça do Pescador, onde já acontecia um manifesto de estudantes que acabaram se integrando ao movimento.
Cartaz-convite de mobilização espalhado pelas redes sociais
 “Nós fazemos, diariamente, cobertura sobre movimentos grevistas de todas as categorias, agora é nossa vez”, dizia o jornalista Jefferson Santos, um dos animadores da passeata que saiu do Mirante do Tapajós, passou pelas ruas do comércio e se concentrou na Praça do Pescador. Jefferson ressaltou ainda que o grupo de manifestantes representava cerca de 30% dos jornalistas em atividade. “Muitos colegas não estão aqui com medo de represálias em suas empresas, mas estão apoiando a manifestação”, disse ele.
Jornalistas em manifesto pelas ruas de Santarém
O movimento dos jornalistas é histórico e foi organizado pelas redes sociais dentro de uma semana pela jornalista Ronilma Santos, após o anúncio do último acordo coletivo do Sindicato dos Radialistas de Santarém que definiu um percentual de reajuste nos salários da categoria abaixo de 6%. O movimento foi espontâneo e nem o Sindicato dos Jornalistas do Pará (Sinjor) foi comunicado.
Ormano Sousa e Jota Ninos discursando na Praça do Pescador
Piso defasado - Durante o protesto, o presidente do sindicato, Augusto Sousa – que é chefe de fiscalização do trânsito da Prefeitura de Santarém e deu apoio logístico à manifestação dos jornalistas além de participar da passeata – elogiou a iniciativa dos jornalistas e disse que a proposta inicial apresentada aos empresários era de 12%, na tentativa de amenizar as perdas salariais no já defasado piso salarial da categoria (um dos menores do país, um pouco acima do salário mínimo), mas a classe patronal bateu pé e só concedeu menos da metade do esperado. “Cheguei a sugerir em assembleia, ainda no processo de discussão do acordo coletivo, que fizéssemos uma paralisação de advertência em todas as emissoras de Rádio e TV, mas no dia marcado para o protesto os associados foram ao trabalho”, afirmou Augusto.
Ronilma, que recentemente foi demitida da empresa de TV onde trabalhava por reclamar das condições de trabalho, é membro da Diretoria Regional provisória do Sinjor em Santarém, e resolveu encabeçar o movimento pelas redes sociais, pois as reuniões no sindicato (tanto dos radialistas quanto dos jornalistas) eram maçantes e infrutíferas. “A caminhada teve a finalidade não só de integrar os profissionais de comunicação, como também mostrar , à população, de cara limpa e sem o glamour que cerca a profissão, a dura realidade de quem faz a comunicação nesta cidade que completa 353 anos”, disse Ronilma.  Desde o ano passado, segundo ela, vem sendo feito um trabalho para a filiação no Sinjor dos jornalistas já diplomados, para se iniciar a discussão de um piso salarial diferenciado para a categoria. “O próximo passo é convocar uma assembleia até o final do ano e eleger uma diretoria regional definitiva, para atuar no oeste do Pará, com apoio do Sinjor”, finalizou a sindicalista.

Profissionalização de jornalistas ainda divide comunicadores de Santarém

“Há 161 anos, surgiu o primeiro jornal impresso. Há 66 anos, a primeira emissora de rádio. Há 35 anos, o primeiro canal de TV e há 10 anos, os primeiros sites e blogs na internet. Os profissionais que têm surgido nesses meios, em grande parte, têm sido desvalorizados com salários aviltantes”. A frase consta do manifesto dos jornalistas de Santarém, que saíram às ruas na tarde desta sexta-feira (20/06), para protestar contra o índice de aumento definido entre empresários e o Sindicato dos Radialistas de Santarém, que ainda representa a maioria dos profissionais da comunicação.
Jornalistas concentrados no Mirante do Tapajós, antes da passeata
Desde 2010, com a formação da primeira turma de Jornalismo em faculdade local, os profissionais começaram a questionar essa relação com o Sindicato. Alguns buscaram se filiar ao Sindicato dos Jornalistas do Pará, mas ainda hoje vive-se a transição entre um carreira e outra. Hoje já há cerca de 100 jornalistas diplomados ou em via de se diplomar, sendo que grande parte trabalha em emissoras de Rádio e TV, e se sente aviltado pelo baixo piso da categoria. Alguns jornalistas acabaram desistindo e buscando outras profissões ou trabalham em assessoria de imprensa, onde os salários são maiores.
Essa situação divide os profissionais de Santarém. Alguns radialistas da chamada “velha guarda” que preferiram não entrar na Academia em busca de diploma ou locutores e blogueiros que questionam a necessidade de um diploma para trabalhar na área, chegam a criticar jovens jornalistas diplomados acusando-os de “soberba”. Estes por sua vez, rebatem dizendo que investiram na capacitação pagando mensalidades caras nas duas únicas faculdades privadas que oferecem o curso de Jornalismo e, portanto, merecem ter um melhor reconhecimento das empresas.
Luta sindical – Apesar dos debates, todos reconhecem que é preciso um mínimo de organização para melhorar as condições financeiras de todos. O Sindicato dos Radialistas surgiu há 25 anos, no momento em que o número de emissoras de Rádio e TV se multiplicou em Santarém. Até 1979, havia apenas duas emissoras AM em Santarém: a Rádio Clube de Santarém (atual Rádio Ponta negra) e a Rádio Rural de Santarém, ligada à Igreja católica. Com o surgimento, naquele ano, da TV Tapajós (afiliada da Rede Globo), deu-se o início da fundação de diversas emissoras de Rádio e TV chegando ao final da década ao incrível número de 5 emissoras de rádio (três AM e duas FM) e 6 canais de televisão (uma geradora e cinco retransmissoras de TV).
As emissoras não tinham uma política definida de salários. A grande maioria pagava apenas o salário mínimo e algumas chegavam a pagar menos que isso, além de manterem um clima de terror contra os profissionais. O Sindicato dos Radialistas surgiu da insatisfação dos profissionais, mas logo de início muitos acabaram sendo vítimas da represália das empresas, por organizarem o sindicato. Houve demissões e alguns radialistas conseguiram inclusive a reintegração às empresas, por serem membros das diretorias eleitas.
Com o tempo, foi conquistado um piso salarial, com o chamado salário normativo da categoria que sempre foi maior que o salário mínimo. Mas a maioria das empresas se nega a pagar mais que o mínimo, e acaba forçando os profissionais a cumprirem jornadas mais extensas, a título de “acúmulo de função”, para ganharem mais 40% de remuneração.
"Apitaço" de jornalistas nas ruas de Santarém

Atualmente, mais uma emissora de Rádio e outra de TV, completam o número de seis emissoras de Rádio e sete de TV. O número de profissionais envolvidos, entre funcionários da administração, técnicos e locutores, além dos profissionais que atuam diretamente com a informação, ultrapassa o número de 200 pessoas, segundo dados não-oficiais obtidos por consulta entre os jornalistas que organizaram o protesto.
A ruptura entre radialistas e jornalistas, que já ocorre em nível nacional há décadas, começa a se desenhar em Santarém, e ao que tudo indica, o manifesto encabeçado pelos jornalistas pode ser o divisor de águas entre as duas categorias. “Apoio a manifestação de vocês e no que depender de mim à frente do sindicato, não criarei empecilhos para a organização dos jornalistas em outra entidade”, declarou Augusto Sousa, presidente do Sindicato dos Radialistas de Santarém. “Vamos lutar por um piso salarial condizente com nossos investimentos na profissionalização, mas seria bom que todos, radialistas e jornalistas, se unissem para acabar com a exploração das empresas de comunicação de Santarém”, concluiu Ronilma Santos, organizadora do manifesto dos jornalistas.

O manifesto dos Jornalistas distribuído nas ruas da cidade:

MANIFESTO COMUNIC#AÇÃO 2014!

JORNALISTAS DE SANTARÉM
NA LUTA PELA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL


Neste dia 22 de junho de 2014, Santarém completa 353 anos de fundação. Hoje, os jornalistas de Santarém aproveitam para também entrar na história e pela primeira vez fazer um manifesto público e pacífico pela valorização dos profissionais da comunicação, no clima da Copa de Futebol que se realiza no Brasil em plena época de festas juninas.
Santarém é uma terra de comunicação e de comunicadores, e tem exportado talentos para fora daqui. Há 161 anos, surgiu o primeiro jornal impresso. Há 66 anos, a primeira emissora de rádio. Há 35 anos, o primeiro canal de TV e há 10 anos, os primeiros sites e blogs na internet. Os profissionais que têm surgido nesses meios, em grande parte, têm sido desvalorizados com salários aviltantes.
Os radialistas se organizaram e criaram seu sindicato há 25 anos, quando perceberam que unidos poderiam diminuir as injustiças. À época, a maioria das empresas sequer pagava um salário mínimo para os profissionais. Depois de alguns anos de luta, os radialistas conseguiram definir um piso salarial, que sempre foi um pouco maior que o salário mínimo e outras garantias sociais. Alguns sindicalistas foram perseguidos e demitidos por tentarem organizar a categoria.
De lá para cá, o Sindicato dos Radialistas vem tentando conseguir reajustes mais condizentes, pelo menos com os índices da inflação, mas os empresários da comunicação insistem em não aceitar aumentos que valorizem a profissão, mesmo com profissionais que investiram em sua capacitação, na maioria das vezes com seus parcos recursos.
Desde 2010, várias turmas de jornalismo vêm sendo formadas por instituições privadas de ensino superior. Muitos colegas ainda continuam sem diploma por não conseguirem reunir o dinheiro necessário para sua formação acadêmica. Outros foram mais além e conseguiram até fazer cursos de pós-graduação, mas nem isso tem sensibilizado a classe patronal a dar um salário digno aos profissionais que levam a informação através dos meios de comunicação, com jornadas de trabalho que precisam ser muitas vezes estendidas, para que o profissional faça jus a um percentual de 40% por acúmulo de função. Hoje somos mais de 100 profissionais trabalhando nesta área!
O último reajuste acertado entre o Sindicato dos Radialistas e a classe patronal não chegou a 6%, o que apenas se aproxima dos índices inflacionários. Hoje, os profissionais de comunicação em Santarém ganham menos que a maioria das categorias de trabalhadores de Santarém!
Esse manifesto surgiu pela indignação entre jornalistas que trabalham nas redações, com apoio de colegas que hoje trabalham em assessorias de imprensa (onde os salários são um pouco maiores), mas que gostariam de estar trabalhando no dia a dia da notícia. Não foi feita nenhuma reunião, apenas uma mobilização pelas redes sociais. Queremos neste ato falar para Santarém, aquilo que provavelmente não será dito nos noticiários das rádios e das TVs e de alguns jornais e sites: FAZER JORNALISMO EM SANTARÉM É QUASE UM SACRIFÍCIO!
Muitos profissionais já tiveram que sair daqui para buscar empregos em outros centros. Mas aqueles que ficaram querem, agora, se organizar e fazer funcionar a Diretoria Regional do Sindicato dos Jornalistas do Oeste do Pará, criada pelo Sinjor/PA há dois anos. Uma diretoria provisória chegou a tentar organizar, mas com pouco apoio quase não avançou em seus trabalhos. Um grupo de jovens jornalistas assumiu nos últimos meses um trabalho para a filiação ao Sindicato, para que possamos lutar por um piso salarial condizente com o esforço que tem sido feito pelos profissionais que buscaram um diploma nas universidades. E aqueles que ainda não tem diploma, querem poder também conquistar essa graduação.
Este documento será encaminhado à direção estadual do Sinjor/PA, solicitando que a nova diretoria eleita dia 11 de junho, venha a Santarém para dar maior apoio à consolidação da Diretoria Regional e que inclua nas negociações salariais com empresas de Belém, um piso salarial para os jornalistas do interior do Pará. Abaixo, vão assinaturas dos profissionais da comunicação que apóiam o movimento.
CONVOCAMOS OS JORNALISTAS, DIPLOMADOS OU NÃO, A BUSCAREM SEU REGISTRO PROFISSIONAL E SE FILIAREM AO SINDICATO DOS JORNALISTAS DO PARÁ.
PELA VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL DOS JORNALISTAS!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Fim do toque retal?

A notícia não é nova e vem rolando em vários sites e blogs na internet, desde março Mas para quem como eu já passou dos 40, é uma notícia alvissareira! Pode ser lida na versão online da revista VEJA, clicando no link abaixo:

Novo teste de urina para câncer de próstata 

pode estar disponível em 2015

Foto em: http://goo.gl/H4p4dT
A notícia me lembrou uma antiga postagem aqui no blog, sobre um debate na Assembleia Legislativa da Bahia em que um deputado, pastor e sargento (e que seria um "ex-gay"), à época filiado ao PT, relatou sua experiência nem tanto edificante neste caso...

domingo, 25 de maio de 2014

30 anos de jornalismo nas veias

Era uma sexta-feira, 25 de maio de 1984. Faltavam menos de dois meses para eu completar 21 anos. Cheguei à garagem da Rádio Rural com minha velha Mobylette Caloi cor de prata (uma motoneta que havia ganhado de meu pai, no Natal anterior) e perguntei onde era a sala de um tal Eriberto Santos.

Meu corpo – à época com pouco mais de 60 quilos, hoje é quase o dobro – tremia muito, num misto de paúra e excitação. Ia me apresentar para um teste de repórter da maior emissora de rádio da região. No ano anterior, durante alguns meses, tinha tido a experiência de produzir e apresentar na emissora o programa dominical Momento Sindical, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, junto com a futura reitora da Ufopa, Raimunda Monteiro. No programa não havia participação ao vivo, apenas gravações, mas todos que me conheciam dos movimentos sociais (onde atuava como militante) diziam que eu levava jeito pra coisa e me incentivaram para tentar a vaga.

“Meu nome é João Georgios Ninos, e soube que vocês têm uma vaga para repórter”, balbuciei ao Eriberto. Ele me apresentou a outro rapaz do qual nem recordo o nome e com o qual disputaria a vaga. Recebemos pautas e saímos para cumpri-las. “Quem chegar primeiro – disse, rindo, o Eriberto – fica com a vaga”. No fim do dia, apesar de meus infortúnios (que relatei de forma pitoresca no post http://goo.gl/lrc15R), consegui a vaga! Começava ali minha saga de jornalista, no interior da Amazônia!

Hoje comemoro essa data solitariamente, sem muita pompa, fazendo aquilo que sempre gostei de fazer desde adolescente: escrever. E escrevo neste maltratado blog, que parei de alimentar diariamente (e com muitos intervalos e retornos), por conta de minhas atribuições como servidor do Judiciário e auxiliar do juiz do Tribunal do Júri, que me toma muito o tempo, desde que passei no concurso público em 2003. Mesmo atuando como analista judiciário, não deixei de lado meu “Eu” jornalista. E sempre que posso, deixo minhas palavras impressas em algum lugar, principalmente nas redes sociais.
Repóorter magrinho em início de carreira.


Entro de férias dentro de uma semana e espero poder finalizar um livro que sempre anuncio, mas nunca consigo terminar, com uma coletânea do que melhor escrevi nesses 30 anos de profissão, em reportagens e crônicas, para publicar em julho, nos meus 51 anos de vida (e quem sabe assistindo a vitória da seleção brasileira na final da Copa de 2014, que acontecerá justamente no dia do meu aniversário!).

Mas enquanto o livro não sai, faço aqui (quase no fim do dia) uma pequena análise pro meu ego e reparto com meus poucos leitores, as impressões dessa jornada cheia de altos e baixos, que ajudou de alguma forma a moldar meu senso crítico.

Um repórter engajado e atormentado

Como disse no início do texto, antes de trabalhar como repórter eu era militante do movimento popular. Um pequeno-burguês que acreditava que mudaria o mundo. Foi no comércio de meu pai, uma lanchonete que fazia sensação no centro da cidade (Nino-Lanche), que conheci, em 1979, a então militante Raimunda Monteiro (atual reitora da Ufopa), a eterna Raimundinha. E através dela acabei indo frequentar um grupo de jovens que apresentava peças de teatro com temática engajada nos bairros da periferia e questionavam a ditadura militar. Aos 16 anos, comecei a forjar um articulador de movimentos sindicais, populares e estudantis, até me filiar a um partido que surgiria em 1981, nascido exatamente destas lutas contra a ditadura: o Partido dos Trabalhadores (PT).

Pelo talento (ou seria pela porra-louquice?) que demonstrava sempre eram-me repassadas as funções de registro dos acontecimentos do movimento, seja em atas ou em gravações reproduzidas depois em panfletos. Por conta disso, participei de um mini-curso para produção de boletins informativos do movimento e atuei em muitos dos que foram criados à época, sendo o mais importante deles o da extinta Associação dos Comerciários: O Talonário.

Foi com essa bagagem que cheguei ao cargo de repórter. A Rádio Rural vivia naquele momento dos anos 1980, uma mudança de direcionamento, dando maior espaço aos movimento populares em sua programação, por conta da influência dos padres da chamada Teologia da Libertação que passaram a ocupar a direção da emissora. Um ex-seminarista chamado Dornélio Silva, que voltou de Belém para atuar na antiga Catequese Rural (hoje Comissão Pastoral da Terra – CPT) e que tinha experiência em comunicação, foi atuar no Setor de Jornalismo da Rural e seria fundamental para a minha carreira.


Ao saber que seria aberta uma vaga no setor, Dornélio procurou os líderes dos movimentos sindicais de Santarém para saber se havia algum jovem que se moldasse à função, para que a vaga fosse ocupada por alguém sensível às causas populares. Ninguém pestanejou em apontar meu nome e logo fui chamado e desafiado a dar tudo de mim para ocupar a vaga, como se fosse uma tarefa de luta. Naquele momento, ainda via a chance como auto-afirmação de militante de uma causa, não como sacerdócio profissional.

Depois de aprovado no teste, percebi que o engajamento político me causaria problemas. Na emissora, muitos colegas viravam o rosto pra mim, acreditando que eu tinha sido “indicado pelos padres” (e eu não entendia o porquê da repulsa). Achavam até que eu era mais um dos seminaristas que já haviam atuado no Jornalismo, mas mal sabiam que nunca tinha nem frequentado igreja e que desde cedo decidi não ter religião alguma! Foi aí que percebi que apesar de muitos padres pregarem a “opção pelos pobres”, não cuidavam dos trabalhadores de sua própria emissora que reclamavam injustiças diárias e salários baixos!

O pior é que os “companheiros” me viam como um braço do movimento dentro da emissora, e encaminhavam líderes sindicais para me levarem notícias. Eriberto Santos, sempre gozador, encaminhava todos que chegavam para trazer informes das comunidades para o “repórter do PT, lá no fundo da sala”... Ainda imaturo, não sabia reagir àquilo tudo, ao mesmo tempo em que cada vez mais me convencia de que queria ser um jornalista profissional, mas não tão engajado e nem tampouco omisso. Como fazer a transição entre o engajamento partidário e a afirmação profissional?

Formadores de um repórter

Minhas angústias eram remoídas nas noites de plantão, enquanto produzia o Jornal da Manhã. Dornélio Silva, mais experiente, passou a ser meu interlocutor e solidificamos uma amizade que dura até hoje. Chegamos a morar juntos e trocar confidências pessoais. Uma amizade que ia além da ideologia. Mas outras pessoas foram importantes na minha formação, naquele início de carreira e sou grato à elas até hoje.

O já falecido amigo Eriberto Santos, sem dúvida, foi fundamental naquele início. Acreditou no meu potencial desde o primeiro dia. Deu dicas preciosas e era o tipo do chefe dos sonhos: deixava rolar e adorava manter um clima de euforia no departamento. Não me lembro de ter levado qualquer “bronca” dele, mesmo quando cometia algum deslize. Ao contrário, chamava pra uma conversa e dizia onde errei e como deveria proceder. “Você é responsável pelo que faz”, dizia sempre. Isso atiçava meu senso de disciplina adquirido na militância política, e fazia tudo para evitar novos erros. Até hoje, nas experiências de chefia que tive, tentei usar o mesmo estilo de Eriberto na condução das equipes que comandei, seja no Jornalismo, seja na Justiça.

Poucos meses depois de estrear, comecei a ousar em alguns textos e mostrei minha verve humorística, que Eriberto adorou. O pessoal da Rádio começou a notar o talento que eu tinha com as palavras, principalmente na cobertura da Câmara Municipal. Meus comentários pela manhã misturavam notícia sobre vereadores e frases irônicas. Adorava pinçar detalhes pitorescos das sessões e jogava no texto, como o desalinho de um vereador com a roupa sempre amassada, os erros de português de outro, ou a mosca que insistia em não deixar um terceiro vereador falar da tribuna. Pequenas coisas que faziam meu texto ser “guerrilheiro” e atacar as “autoridades constituídas”. Era a influência da leitura dos textos non sense do jornalista carioca Carlos Eduardo Novaes, do qual era fã, além dos textos irreverentes da revista Casseta Popular e do periódico satírico Planeta Diário (os autores destas duas edições se uniriam mais tarde para escrever o roteiro do revolucionário programa TV Pirata, e anos mais tarde, o Casseta & Planeta!). E isso começou a atrair inimigos contra mim...
Jota Ninos, Ormano Sousa e Manuel Dutra: pupilos e o mestre.

O respeitável jornalista Manuel Dutra, que tinha sido gerente da emissora e fazia o comentário diário do Jornal da Manhã, um dia me encontrou no corredor da Rural e me elogiou pelos textos. Daquele primeiro contato surgiu uma nova e sólida amizade que transformei na relação de pupilo e mestre, até hoje. Dutra passou a me dar orientações e até chamava minha atenção quando passava do ponto. Houve um episódio em que chegou a me esculachar e dizer que eu tinha feito molecagem (outro dia dou detalhes).

Mas não posso esquecer também da contribuição de outras pessoas nesse início de carreira: o ex-redator gaúcho, o falecido Sérgio Henn (sim, aquele da avenida mais perigosa do trânsito...) e Ismaelino Soares (irmão de Santino Soares), com os quais também dividi madrugadas na redação e que sempre buscavam frear minhas loucuras; as dicas para a reportagem em campo me foram passadas pelo mais experiente dos repórteres da época: Sampaio Brelaz; e finalmente, o amigo José Parente de Sousa, o Jota Parente, chefe de programação da Rural, que sempre abalizou muitas das minhas loucuras no jornalismo e me deu a chance de ser apresentador do Canta Brasil, programa com músicas de MPB que ele produzia e apresentava nas tardes de sábado, e que eu adorava. Dali, para apresentar o Bazar Brasileiro (criado em 1985) nas noites de domingo, foi um pulo.

A gênese de um repórter polêmico

Quanto mais eu me embrenhava no Jornalismo, mais eu me distanciava da militância política. A imaturidade de algumas lideranças sindicais daquele período (tendo à frente meu grande mentor nos movimentos sociais, Pedro Peloso – à época esposo de Raimundinha), me levou à condição de proscrito nos movimentos sociais e até de “traidor da causa dos trabalhadores”. Ao ponto de alguns até tramarem minha saída da emissora (que ocorreria, finalmente, em 1986).


Mas apesar disso, comecei a cunhar minha fama de “polêmico”, epíteto que incorporei ao meu nome de guerra. Nas primeiras férias da emissora fui rever minha Belém, mas procurei os radialistas que faziam sucesso. Santino Soares me levou à Rádio Liberal e me mostrou como se faziam os programas policiais. O mais famoso à época era o do Adamor Filho. Achei que podia fazer aquilo em Santarém, mas com outra roupagem.

Uma famosa entrevista coletiva com Ronaldo Campos (centro) da qual participo (1986).
Na foto estão (da direita para a esquerda) os colegas: Manuel Dutra, Adriana Lins,
Joanir Silva, Jota Ninos, Marco Nogueira, os irmãos Ray e Josivaldo Pereira,
e Jurandir Anselmo. Ao fundo Eriberto Santos (falecido), o ex-vereador Davi Pereira
e o comunicador Geraldo Bandeira (também falecido). Foto do Acervo do ICBS.
Quando voltei, levei a ideia ao gerente da emissora, Eduardo dos Anjos (hoje, meu colega como oficial de Justiça), que não aprovou. Ele acreditava que Santarém não estava preparada para um programa policial, até porque as ocorrências na delegacia eram poucas. Dornélio me ajudou a convencê-lo mostrando que o programa teria uma abertura para a população se manifestar, através de cartas, numa sequência que se chamaria “Broncas do Povão”. Parente foi decisivo: “Acho que vai dar certo”. Nascia ali o programa que viria a ser a maior audiência da emissora: o Plantão da Cidade. Inicialmente era um programa de 15 minutos após o jornal do Meio-Dia, que era apresentado por Oswaldo de Andrade. A apresentação irreverente e a parceria com Clenildo Vasconcelos, que era programador musical, era o tempero que faltava. Clenildo e os operadores de áudio que antes me viravam a cara passaram a disputar o horário, pois eu dava liberdade para criarem vinhetas que adicionassem humor. E as Broncas do Povão, segunda parte do programa eram o maior sucesso. As reclamações eram as mesmas de hoje, falta d’água, luz nos postes, buracos nas ruas. Mas eu aproveitava para desancar o prefeito de plantão. Um deles foi Ronan Liberal (pai do vereador Ronan Liberal Jr.) e outro viria se tornar meu maior inimigo: Ronaldo Campos de Souza, pai do hoje radialista e blogueiro JK.

Criei o personagem Honestino Honesto da Silva, personificado por Clenildo Vasconcelos, com sua irreverência de imitar um velho caboclo do interior. Honestino era uma sátira contra os políticos desonestos, já que era um demagogo de primeira. Eu fazia os textos e Clenildo os interpretava ao vivo. O sucesso do personagem foi tão grande que nas eleições de 1985, o lancei como candidato a prefeito e houve o registro de pelos menos três votos (de protesto) nas urnas de papel! Mas Ronaldo Campos venceu as eleições e eu passei a ser seu principal adversário. Até que em 1986 fui demitido, e muita gente logo atribuiu minha demissão à perseguição do prefeito, mas eu sabia que nos bastidores o meu partido havia contribuído com a demissão, por eu ter iniciado a criação de uma tendência partidária que se opunha à direção de então. Mas isso é assunto pra outra postagem...

Repórter andarilho

A saída da Rural, no auge da audiência, ajudou a construir a imagem do repórter andarilho, desde então. Passei por várias empresas e sempre era demitido por injunções político-partidárias, nunca por incompetência. Quando saí da Rural, reforcei a sequência das Broncas do Povão criando outro personagem, o Broncolino Bronqueado da Silva, que era interpretado por um jovem conhecido como Amadeu dos Santos (irmão do Tadeu, famoso vocalista da Banda 5ª Dimensão). Broncolino seria irmão de Honestino na minha ficção e era um caboclo que odiava os corruptos como seu “irmão”, e como porta-voz da ira do povão passou a ser meu alterego. Ao sair da Rural levei o personagem comigo para a recém-inaugurada Rádio Tropical, do empresário Ubaldo Corrêa, onde criei o programa Comando Tropical, que até um dia desses ainda estava no ar. Foram cinco meses intensos nessa emissora, e acabei tendo a chance de trabalhar pela primeira vez na TV Tapajós, já que Ubaldo era diretor dessa emissora (à época os Pereira e os Corrêa ainda não haviam desfeito a sociedade).

Em 1986 vivi a experiência de trabalhar no jornal O Tapajós, jornal que chegou a ter três edições semanais e foi o primeiro completamente produzido e impresso em Santarém. Antes disso, já havia tido uma experiência escrevendo alguns artigos sobre política no extinto Jornal de Santarém, na gestão do falecido jornalista Arthur Martins. Demitido da Tropical, mais uma vez por pressões políticas (desta feita por obra do prefeito Ronaldo Campos), preparei meu retorno à Rural no ano seguinte. O detalhe curioso é que na Tropical cunhei o apelido de “prefeito abelha” (quando não está voando está fazendo cera) contra Ronaldo Campos por causa de suas eternas viagens em busca de verbas que nunca chegavam, e isso era a coisa que ele mais odiava, além das denúncias (o engraçado foi ver recentemente seu filho JK usar a mesma expressão contra outros prefeitos da região, em seu blog...rs).

A briga com o prefeito continuaria no meu retorno à Rádio Rural em janeiro de 1987. Só que um pedaço de mim ficou na Tropical: o personagem Broncolino foi “confiscado” e eu bem que poderia ter feito uma briga judicial por direito autoral, mas à época nem liguei pra isso. Na Rural, meu programa continuava, mas já não era o mesmo. Eu precisava resgatar sua credibilidade. Passaram-se cinco meses, até que ocorreu o episódio dos sacos de cimento e da invasão do prefeito ao estúdio, como já contei em outra postagem: http://goo.gl/BSaEiX. Estava restabelecida a sina do repórter polêmico.

Mas esse episódio me deu medo, pelas ameaças anônimas que recebi. Meu pai providenciou minha ida à Grécia para estudar, com medo que eu fosse mais uma vítima de pistoleiros, que agiam despudoradamente na região. Em 1988 fui para minha segunda Pátria e passei três anos lá. Tive a primeira experiência como correspondente internacional, primeiro escrevendo artigos para O Tapajós e depois para o semanário recém-criado (1989) Gazeta do Tapajós, dos irmãos Carneiro (Jeso e Celivaldo), dos quais sou amigo até hoje.

O retorno do filho pródigo

Sérgio Henn, Jota Ninos, Edinaldo Mota e Eriberto Santos:
Assessoria de Comunicação da PMS (1997)
No retorno a Santarém, passei pela TV Ponta Negra (1992), onde trabalhei como editor-chefe de um jornal que vinha depois do Jô Onze e meia (pouca gente assistia); fui repórter, redator e editor do jornal Estado do Tapajós (1993/1994), do empresário Admilton Almeida (atual proprietário do jornal O Impacto); experimentei em 1995/1996 o trabalho de assessoria de comunicação de uma ONG ambientalista (Projeto Várzea, hoje IPAM), sob a coordenação de Socorro Pena. 

Em 1997, entrei para o mundo do marketing político, estreando como marketeiro e ajudando a eleger o então deputado Lira Maia por dois mandatos! Nesse período, atuei como chefe da Divisão de Comunicação e Marketing na gestão Lira Maia, sob a coordenação do amigo Sérgio Henn, com quem me reencontrei durante a campanha (ele era assessor de Alexandre Von); em seguida fui parar na assessoria de comunicação da Câmara Municipal auxiliando entre 1997/2001 os presidentes Mário Feitosa (PMDB) e Osmando Figueiredo (PDT); criei a empresa Lexis Marketing e Pesquisas (1998/2001) e fui sócio da produtora Set Light com Celia Henn e Paulo Tihammer.

Voltei ao jornalismo como correspondente do extinto jornal A Província do Pará (1999/2000) e nesse mesmo período trabalhei com Miguel Oliveira na instalação do jornal Província do Tapajós (que depois se tornaria O Estado do Tapajós, hoje só em versão online); em 2001 ingressei na TV Tapajós, a convite de Vânia Maia, assumindo a chefia do departamento de Jornalismo até 2003, quando passei no concurso do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), atuando inicialmente em Ananindeua. Nesse período convivi com colegas como Suelen Reis e Claudenice Lopes, que ainda hoje mantém a filosofia de trabalho que construímos juntos naquele período. Também vivi uma grande parceria com os amigos Grazziano Guarany, na criação do portal NoTapajós (hoje G1 Santarém) e com Nélson Mota e Pedro Liberal, na criação do programa Meio-dia em Ponto, da 94 FM, que até hoje está no ar.

Ao retornar a Santarém em 2004, tentei várias vezes atuar no jornalismo. Primeiro criando este blog e depois, a convite de Vânia Maia amiga de Jader Barbalho Filho, assumi por alguns meses a sucursal do Diário do Pará e lancei o encarte Diário do Tapajós (assumido depois pelo casal José Ibanês e Albanira Coelho); voltei a trabalhar na TV Tapajós, como chefe de Comunicação Corporativa e assessor de Comunicação da empresa, por um curto período em 2006.

Em 2007 voltei a apresentar o Bazar Brasileiro na Rádio Rural, atuando algumas vezes como comentarista nas eleições, sempre a convite de meu "líder espiritual" (rs) Edilberto Sena. O programa saiu do ar em 2009 e retornou em 2011, saindo novamente em 2013. Atualmente renegocio novo retorno ao programa que é meu xodó.

Com a falta de tempo, tenho colaborado com vários blogs ou como free lance em revistas e jornais, sendo o mais assíduo o blog do amigo Jeso Carneiro. Desde 2006, colaboro como assessor de imprensa informal do Judiciário, sendo liberado pela presidência do TJPA a produzir relises para o site do TJ e recentemente para a Rádio WebJus, no qual colaboro inclusive com boletins gravados.

Sindicalismo nas veias

A velha experiência com movimentos sindicais foi providencial na organização dos trabalhadores da comunicação. Em 1986, aquela insatisfação que víamos nos olhos dos colegas da Rural, se transformou em algo sólido, com a criação (um ano depois) da Associação dos Radialistas de Santarém, agregando colegas de várias emissoras como os irmãos Adilson e Adélson Sousa. Elegemos Dornélio Silva nosso primeiro presidente e eu fui vice. Depois que Dornélio e eu viajamos, Adélson Sousa assumiu e junto com Augusto Sousa (atual presidente), fundaram o Sindicato dos Radialistas em 1988. Colaborei com quase todas as diretorias do Sindicato, principalmente nas presidências de Ormano Sousa (1990/1994), Paulo Tihammer (1994/1996), Ronei Oliveira (1996/1998) e Rosa Rodrigues (1998/2000). A partir daí me afastei das atividades.

Em 2006 entrei para a 1ª turma de comunicação social, coordenada por Manuel Dutra, no Iespes – Instituto Esperança de Ensino Superior. Formados em Jornalismo em 2010, recebemos a incumbência de tentar mais uma vez a instalação de uma delegacia regional do Sinjor – Sindicato dos Jornalistas do Pará, agora com o nome de Diretoria Regional, sendo empossado em 2012 pela atual presidente Sheila Faro com mais quatro colegas: Rosa Rodrigues, Minael Andrade, Ednaldo Rodrigues e Ronilma Santos. Mas de lá para cá, apesar de várias reuniões e conversas pela internet, não conseguimos o objetivo de filiar os quase 100 jornalistas já diplomados aqui, e a maioria nem poderá votar nas eleições do Sinjor que vão ocorrer em junho, o que pra mim foi uma frustração. O envolvimento de todos os membros da diretoria com o curso de especialização da Ufopa, foi um dos motivos de não se dedicar com maior empenho na tarefa.  Mas uma comissão de jovens jornalistas, liderados pela colega Ronilma Santos trabalha para finalizar esse doloroso processo, no qual ainda pretendo colaborar, se for possível. 

-------------------------------

Neste dia em que completo 30 anos de Jornalismo, só pude terminar o texto agora à noite, porque aguardava o nascimento da nova filha, Nicole, mas que decidiu não sair para ser meu grande presente nesta data...

E que venha a madrugada e continuarei esperando a pequerrucha, e quem sabe outros trinta anos (rs)...

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O renascimento de um blog

Como bom descendente de grego sempre gostei de simbologias para definir meus atos. Adoro datas simbólicas que podem definir o encerramento de um ciclo da vida e o recomeço de outro. Acredito que é dessa forma que podemos repensar o passado e começar a reconstruir o futuro, no presente.
Já reativei este meu blog diversas vezes. Em cada uma delas renasci. E por vários motivos parei de postar, mas sempre acreditando que um novo ciclo de postagens viria.
Mas afinal, o que esse blog tem de importância em minha vida? É isso que quero compartilhar nesta nova postagem, que espero seja a primeira de muitas do novo ciclo de vida que estou vivendo: o ciclo do renascimento, em todos os sentidos.

Blogs: 20 anos de história na internet

No próximo mês de setembro, a invenção do jornalista americano Justin Hall (foto ao lado) completa 20 anos na internet. Ele criou o que se considera ser o primeiro blog do mundo, ainda sem ter essa denominação. O que era pra ser um registro diário pessoal na web (ou um “weblog”, de onde se cristalizou o nome final de “blog”), invadiu redações de grandes empresas de comunicação ou saiu delas para dar voz aos jornalistas que não conseguiam dizer o que queriam em seu trabalho. Para saber mais sobre a história cronológica dos blogs na internet, vale a pena acessar este link.
Hall: o primeiro blogueiro
Mas a facilidade de acesso à internet e a criação de uma ferramenta mais simples do que um site, podendo ser utilizada de forma gratuita, fez com que milhões de blogs fossem sendo criados por qualquer internauta para discutir os mais variados assuntos. Surgia o termo “blogueiro”, para identificar as pessoas que postavam nestes espaços. Virou uma febre, e pode-se dizer hoje que chega a ser até uma profissão ou pelo menos uma fonte de renda para muitos internautas, antes anônimos.

Da primeira à última postagem

Quando criei meu blog em março de 2005, a utilização desta ferramenta de comunicação já vinha se proliferando no espaço cibernético mundial há 11 anos, mas poucos jornalistas de Santarém usavam esta ferramenta. A blogueira pioneira de Santarém, entre os jornalistas, foi a colega Wal Nascimento, ex-repórter da TV Tapajós que criou o blog Bicho da Goiaba (hoje, desativado) onde postava algumas informações sobre os bastidores da redação e suas humoradas impressões sobre vários temas. Num blog coletivo da 1ª turma de Jornalismo de Santarém, um ano depois, esse trabalho foi destacado.
Wal não tinha a pretensão de fazer um blog informativo com notícias do dia-a-dia, mas serviu para incentivar pessoas – como eu – que ainda engatinhavam na seara cibernética, a criar um espaço próprio de informação e opinião. Antes de mim, o colega Jeso Carneiro criava aquele que é considerado até hoje o “pai” dos blogs jornalísticos da região oeste do Pará, que surgiu postando informações produzidas na redação do jornal Gazeta de Santarém, do qual era chefe de redação, para se tornar praticamente um grande fórum de debates, onde anônimos tinham (e tem) espaço garantido para comentar e muitas vezes são a própria fonte da notícia. Isso levou muita gente de outras redações a se pautar pelo blog e passar a colaborar com ele. Hoje, eu mesmo ainda colaboro com o blog com poesias ou artigos sobre temas diversos. 
De lá para cá, a blogosfera tapajoara se inundou de dezenas blogs e já existe até uma Associação de Blogueiros. Como disse recentemente em meu perfil do Facebook, nesse mundo de blogs e blogueiros nem tudo é maravilha, mesmo quando alguns tentam se aglutinar numa associação. Mas afora os embates ideológicos e a fogueira das vaidades que está inserida no contexto dos que trabalham com a comunicação, todos acabam contribuindo para uma reflexão sobre as rápidas mudanças da sociedade, até mesmo quando se utilizam de sensacionalismos baratos ou estão a serviço de grupos partidários... 
Mais uma cara nova do bloguinho
Mas voltando ao meu blog, da primeira postagem em 10 de março de 2005, até a última quase um ano atrás, no dia do meu aniversário, foram até hoje apenas 711 postagens quase nunca diárias. E com diversas paradas e retomadas, tornando-o quase que um “filho enjeitado”. Este, nunca foi um blog apenas informativo. Acima de tudo é opinativo, já que como jornalista sempre trabalhei mais na produção de artigos e crônicas sobre temas diversos, usando a experiência das redações. 
Por adorar história, gosto muito de fazer postagens extensas, com muitos detalhes históricos e cronológicos, sempre com o intuito de contextualizar os eventos comentados. Esse novo “renascimento” é simbólico porque, prestes a completar 30 anos de profissão e 51 anos de vida, sinto alcançar a plenitude como ser humano que se reinventa a cada dia. E nesse "renascimento", modifico mais uma vez o visual do blog, sem contudo mexer na estrutura que organizei nos últimos anos. 

Do nascimento ao renascimento

"Grávidos"
Nos próximos dias, nascerá meu quinto rebento fruto de uma nova relação amorosa das tantas que tive, com uma pessoa que hoje me completa e me rejuvenesce, a bacharel em Direito, Ana Charlene (foto ao lado). O nascimento de Nicole não é mais importante dos que foram os dos outros quatro filhos: Carla, Helena, Thiago e Georgios. E nem é mais importante que o nascimento de duas netas: Saloniki (Helena) e Sophia (Thiago). Mas é o sinal de um renascimento que venho construindo nos dois últimos anos, na tentativa de consolidar minha passagem por este mundo e, quiçá, demarcar novos territórios.

Nicole é antes de tudo um desafio para que eu tente cuidar mais da minha saúde, para poder guiar os primeiros passos desta criança do século 21. Ela é meu renascimento, e por acompanhar de perto e vivenciar uma gestação de forma mais partícipe, me sinto até um militante da causa do “renascimento do parto”, que detalharei posteriormente.

E que meu eterno "filho enjeitado”, este mísero blog, possa renascer agora e ter uma vida mais longa e constante.

sábado, 13 de julho de 2013

Com os grãos de areia em nossas mãos, para dizermos o que pensamos

10 de julho de 2013. Dez horas da manhã.

Dirijo meu golzinho preto 2004 (com corpinho de 2003) pela BR-163 em direção à chácara Pouso Alto, na localidade de Cipoal. Já passamos do posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e relaxo ao volante sem precisar segurar os 40 quilômetros por hora.

Ao meu lado, o velho grego Georgios Ninos, do alto de seus 92 anos, tenta me dar um pouco mais de suas lições. Com a mente já um pouco fraca – pelo tempo – apesar de manter o vigor da juventude em seu corpo cuidado à base de rígida dieta vegetariana e exercícios físicos, o velho grego tenta se comunicar comigo em mais um dia que passamos juntos no meu período de férias/licença do Judiciário, mas as palavras lhe faltam. Suas ideias já não conseguem se traduzir com a mesma maestria de alguns anos. O peso da idade.

O velho Ninos e sua "gororoba vegetal"

Tentando balbuciar algumas lições ao filho desleixado que continua não cuidar da saúde, na semana em que este está prestes a completar meio século de vida, o velho grego acaba me transportando para um mundo inaudito, fazendo-me lembrar de velhas lendas da mitologia helênica que estudei na adolescência, nos livros que ele me comprou. O carro parece flutuar, enquanto meu pai continua balbuciando suas mesmas lições e a mitologia atravessa à minha frente. O cavalo à beira da estrada vira um Pégaso (o cavalo alado dominado pelo herói Belerofonte) e me transporta além das nuvens negras de mais um dia nublado no oeste do Pará.

Me veem à mente duas dessas lendas, das mais tristes tragédias contadas por Homero e outros escritores da antiguidade helênica. São lendas sobre o amor e a velhice, numa Santarém de 352 anos dos quais 35 vi de perto quando aqui cheguei, aos 15 anos adolescentes.

Sibila de Cumas e Apollo, de Giovanni Domenico Cerrini

Uma das lendas fala da Sibila de Cumas, uma das 10 sibilas (profetisas) do deus Apolo, que para se tornar sua esposa resolveu pedir a vida eterna, mas de uma forma inusitada: colocou um punhado de areia em sua mão e pediu-lhe para viver tantos anos quantos fossem as partículas de terra que tinha ali. Entretanto, esqueceu-se de pedir, também, a eterna juventude. Com o passar dos anos tornou-se tão consumida pela idade que teve de ser guardada no templo de Apolo, na cidade de Cumas. A lenda diz que a Sibila de Cumas viveu nove vidas humanas de 110 anos cada! 

Aurora abandona Titono, de Louis Jean François Lagrenée
A outra lenda grega é sobre o amor da deusa Eos (Aurora, irmã do Sol e da Lua) por um príncipe mortal, Títono, irmão do rei Príamo, de Tróia. Ela, um dia o raptou, casaram e tiveram dois filhos, mas enquanto Eos conservava uma juventude eterna, Títono, por ser mortal, começou a envelhecer. Eos conseguiu então que Zeus, o deus dos deuses, concedesse a imortalidade ao seu amado, mas por falta de reflexão não pediu também a juventude eterna para o amado e este envelheceu continuamente, enfraquecendo. Chegou ao ponto de ficar pequeno como inseto encarquilhado, até que ela, penalizada, pediu a Zeus que o transformasse em uma cigarra.

10 de julho de 2013. Dez e cinco da manhã.

Grandes caminhões graneleiros ocupam as duas laterais da estrada entre Santarém (PA) e Cuiabá (MT) e eu preciso desanuviar meus devaneios mitológicos para não dar de cara com aqueles monstros de nossa mitologia moderna, do famoso deus Mercado. Meu pai continua balbuciando suas lições. Entre gergelins e linhaças, iogurtes e beterrabas, o velho grego para de falar sobre as receitas de suas famosas gororobas e me emociona dizendo “queria ter tua idade, para poder dizer o que penso”.

Entre o medo de chegar à idade dele e não poder “dizer o que penso” e o medo de morrer antes dele pelo descuido à ditadura do regime alimentar, escolho a vontade de viver com experiência. E quem sabe, diminuir uns quilinhos...

Por isso, o ato de refletir sobre o meio século que completo neste sábado, 13/07/2013, passa pela estrada trilhada pelo velho Ninos, mesmo que eu tenha buscado atalhos diversos do dele, e que juntos possamos dizer que cada um, ao seu modo, viveu a vida.

10 de julho de 2013. Dez e quinze da manhã.

Entro na chácara e vejo meu pai sair do carro com uma pequena lágrima retida no canto do olho. Os Ninos são feitos de manteiga derretida. Choramos por qualquer coisa. E a velha desculpa de sempre: “tem poeira aqui”. Os Ninos são orgulhosos. Não gostam de se mostrarem frágeis, mas às vezes, se debulham em lágrimas, seja cantando uma canção ou assistindo a uma novela na TV.

Fico parado dentro do carro por alguns instantes. Naquele momento, as ideias para esse artigo começam a brotar. Quase todos os anos, escrevo sobre o dia do meu aniversário como se quisesse deixar um testemunho de mim a cada ano. Um diário de bordo de uma nau enlouquecida. Pitadas literárias de um filho que tentou ser mais que o pai. Agora, nesse meio século, essa relação parece ficar mais próxima, tanto quanto mais distante.

Olho pra trás e vejo toda minha existência tentando me firmar como um cidadão de bem. Como meu pai ensinou. Como sempre me cobrou, com puxões de orelha. Com berros. Até eu sair de casa aos 16 anos e achar que tinha um mundo a conquistar. Foram idas e vindas de um filho pródigo, que um dia conseguiu provar ao pai que tinha algum valor. Não porque se tornou um jornalista, com certo prestígio, numa cidade perdida no meio do nada amazônico, como são todas as cidades do Verde Vagomundo, do ximango Bené Monteiro. Nem tampouco por que fez filhos e filhos perpetuando o nome, um dos orgulhos helênicos. Mas porque, apesar de tudo, manteve a essência dos ensinamentos do velho grego turrão, que ainda hoje quer puxar (literalmente) nossas orelhas...

10 de julho de 2013. Dez e vinte da manhã.

Saio da Chácara de minha irmã e sigo pela estrada. Ainda tenho um TCC de pós-graduação pra terminar. Preciso revisar o livro de poesias que agora vou lançar (acertei tudo com o Cristóvam Sena, do ICBS). Mais um loucura minha. [No final, por problemas de última hora, o livro foi adiado mais uma vez]

“Queria ter tua idade, para poder dizer o que penso”. A frase do velho grego ecoa em minha mente. Ele disse muita coisa pelas mãos. Com seu faro de pequeno comerciante, deixou sua marca na cidade que adotou como sua.  E do alto de seus rompantes de arrogância, misturados ao velho sorriso cativante, um dia me disse: “Houve um tempo em que tu eras o filho do seu Ninos, o homem do lanche mais gostoso da cidade. Hoje me orgulho quando alguém me pergunta se sou o pai do Jota Ninos”. Os Ninos são metidos a bestas.

Mesmo depois de me dizer essa frase de me deixar todo gabola, não duvidou em me ordenar que partisse para a Grécia, antes que eu “amanhecesse com a boca cheia de formiga”, como lhe diziam os telefonemas ameaçadores da época em que adorava polemizar com poderosos locais, pela Rádio Rural. “Prefiro um filho vivo sem fama, do que um filho morto famoso”, decretou. E mais uma vez definiu meus rumos, já nos altos de meus 25 anos!

Três anos de autoexílio (1988/1991), em sua terra natal, para evitar que minha boca expressasse o que eu pensava. Três anos de amadurecimento, numa Grécia de encantos, onde pude respirar das lendas de outrora e até tentar por juízo na cabeça socialista de sempre. [A Grécia de hoje, nem de perto lembra ao menos a Grécia que eu conheci. Muito menos a Grécia de meu pai ou a das lendas mitológicas]

Eu, na Grécia de meu pai, aos 25 anos.

Amadureci tanto que, após ter retornado ao meu “Santo Harém” (como chamava ironicamente a cidade, em alguns artigos de jornal, à época), um colega jornalista disse que eu havia me “despolemizado” (rs)! Afinal, um ex-militante petista fazer assessoria de marketing para um prefeito do antigo PFL (hoje, DEM) era o fim da picada!

10 de julho de 2013. Dez e vinte e cinco da manhã.

O carro vai mais lento, pois a PRF é logo ali. Nada de pensar em lendas gregas agora. Passada a barreira, começo a fazer um retrospecto do que vivi depois de retornar da Grécia.

A carreira jornalística chegava ao limite do tolerável no inicio do século XXI, mas o acúmulo de conhecimentos foi suficiente para entrar, através de concurso público no Poder Judiciário, onde já atuo por dez anos como analista judiciário (“babá” de processos carcomidos pelo tempo), sem deixar de lado a carreira de jornalismo e atuando num setor onde a comunicação se faz presente: o Tribunal do Júri.

No final de 2009, vivi a experiência de voltar a ser solteiro depois de 17 anos com uma família, quatro filhos, duas netas, cinco cachorros... E aos poucos, voltei a reescrever poesias guardadas em velhos sacos de papel. Voltei a comprar algumas brigas pelos blogs da vida. Voltei a polemizar, até me filiando ao PCdoB, pelo qual sonhei em organizar um grupo para mudar o status quo local, mas fracassei. Até um plebiscito pela criação de um novo estado, enfrentei. E fracassei. E me envolvi num sem-número de atividades como ativista cultural, ambientalista, pesquisador de história e voltei até a ser sindicalista! E em muitas coisas fracassei. Enquanto isso o açúcar se acumulava no sangue, até eu ser agarrado pelo mal do século: o diabetes. E tenho tentado me curar, mas tenho fracassado. Puxão de orelha do velho Ninos.

Aos 50 anos, chego ao terrível dilema de continuar querendo “dizer o que penso”. Seja em um programa de rádio, seja nas redes sociais, seja neste pobre blog, que de vez em quando abandono. Não existe fracasso quando se quer dizer liberdade. Talvez seja uma questão de ponderar que já não tenho o vigor da juventude para abraçar tantas causas. Então o primeiro passo talvez seja me desvencilhar da maioria das atividades e tentar a tal “vida saudável”. Depois do TCC de Especialização, quem sabe um mestrado e/ou doutorado? Quem sabe um livro dois, livros? Quem sabe um filho, uma árvore?..

10 de julho de 2013. Meio dia. De volta a Santarém. Tempo de lembrar o que tenho feito recentemente, para chegar aos 50 anos.

De um ano pra cá encontrei uma nova razão para continuar “dizendo o que penso”. Um novo amor, que não me cobra a juventude (plena, que já não tenho), e sim a experiência de que precisamos para os novos tempos em que muita gente vai às ruas “dizer o que pensa”.

Eu (com cara de babaca) com minha nova razão de viver, Ana Charlene.

O que importa, nestas primeiras horas do meu meio século, é que eu não queira a eternidade por um punhado de areia nas mãos, nem tampouco sonhar em virar uma cigarra...

13 de julho de 2013. Um pouco mais da meia-noite. Termino o texto e revigoro o blog. O recado do seu Ninos está aí.

EU DIGO O QUE PENSO: FELIZ ANIVERSÁRIO, SEU BABACA!




sexta-feira, 12 de julho de 2013

Pensaram que eu morri?


O Blog do Jota Ninos volta mais uma vez (não sei até quando), exatamente no dia em que completo 50 anos de vida. 
Fiz algumas mudancinhas básicas no layout. Acho que ficou legal. Daqui há pouco posto um artigo especial de aniversário.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Mudanças no blog em 2013

Passado o recesso de fim de ano, vou preparando mudanças neste pobre blog, para que em 2013 possa estar mais ativo. Aguardem!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os primeiros secretários de Alexandre Von

Zuíla Von, Alexandre Von e Jaci Barros, em recente encontro.
Foram anunciados hoje pela manhã, 11 titulares de pastas do Governo Von, que toma posse em janeiro/2013. A maioria dos nomes já é conhecida por ter integrado os governos Lira Maia (1997/2000 e 2001/2004):

  1. Jaci Barros - Chefe de Gabinete;
  2. Irene Escher - Secretaria Municipal de Educação (Semed);
  3. Zuíla Von - Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtras);
  4. Edilson Pimentel - Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra)
  5. Mauro Maués (Adjunto Seminfra);
  6. Nato Aguiar – Secretaria Municipal de Cultura (Secult);
  7. Irene Belo – Secretaria Municipal de Turismo (Semtur);
  8. Rosivaldo Colares – Secretaria Municipal de Agricultura e Incentivo à Produção Familiar (Semap);
  9. João Clóvis Lisboa (Adjunto Semap);
  10. Darlison Maia (Coordenadoria de Defesa Civil);
  11. Edivaldo Bernardo (Coordenadoria de Apoio ao Estado do Tapajós).
Jaci Barros, Rosivaldo Colares e João Clóvis Lisboa, agrônomos, são antigos aliados do deputado Lira Maia, com forte atuação na área da agricultura, principalmente através da Emater, de onde Maia é oriundo. 


Irene Belo é professora e sócia do BeloAlter, o maior hotel de Alter do Chão e esposa de um grande amigo de Lira Maia, o empresário da área de turismo José Carlos Zampietro.

Darlison Maia, administrador de empresas que chegou a gerenciar o Detran/Santarém, ja trabalhou no Gabinete do Prefeito Lira Maia.

Edilson Pimentel e Mário Maués, são engenheiros que também teriam ligações com o deputado Lira Maia (essa afinidade foi ventilada por alguns setores da imprensa, mas não confirmada).

Da cota de Alexandre nessas primeiras indicações, sua esposa Zuila Von, administradora de empresas e filha do empresário Chico Coimbra; Irene Escher, professora cuja família tem vinculações com a esposa de Von; e o cantor e compositor Nato Aguiar, piauiense já incorporado à cultura local, tendo sido secretário de cultura em Itaituba (quando era filiado ao DEM), e agora em Santarém como professor da Uepa e filiado ao PSDB.

Edivaldo Bernardo, filiado ao PSB, é da cota do vereador reeleito Reginaldo Campos (PSB), aliado de última hora que pulou do barco de Maria do Carmo um dia antes das convenções municipais realizadas em junho, para apoiar a chapa de Von.
(Veja fotos do novos secretários na página d'O Impacto.)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Prefeito no Bazar

Alexandre, no Bazar, domingo.
O prefeito eleito Alexandre Von (PSDB) confirmou sua presença em meu programa dominical pela Rádio Rural de Santarém e participará do Bazar Brasileiro na seção "Papo de Botequim", onde converso com meus entrevistados sobre os mais variados temas, dando maior enfoque às questões culturais. 

Quem quiser participar do programa, pode mandar sua pergunta para o e-mail bazarbrasileiro@gmail.com, com identificação. Perguntas anônimas e/ou ofensivas não serão liberadas.



O Bazar Brasileiro foi criado em 1985, por mim e pelo companheiro Dornélio Silva e ficou no ar até 1993, sendo apresentado por vários radialistas quando a dupla saiu da cidade. Em 2007, retomei o programa inicialmente com a companhia do também jornalista Ormano Sousa. Uma breve parada em 2010 e o retornei em setembro de 2011.

O Bazar Brasileiro pode ser captado pelas ondas médias (AM), na frequência 710, ou pela internet no site da rádio. O programa de domingo começa às 20h30 (oito e meia da noite).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012



Versos brutos (Buriti versus Juá)
Veias minhas que te enterrei
Nas entranhas de teu corpo
Te fiz meu porto,
Náufrago sem mar
De águas ensandecidas
Que lagrimei em tua pele devastada... 
Seivas minhas que te singrei
Na vastidão de tua vergonha
Te fiz minha fronha
E te babei, embrutecida,
De meu furor enlouquecido
De te habitar eternamente
E te estuprei a alma estarrecida...

E agora, que o vento já não faz sentido?
Que o tempo já não tem fronteiras?
O que faço de teu corpo ensanguentado?
O que digo à beleza de teus caprichos em desalinho?
Já não me resta uma tímida lembrança
Da qual eu possa te fazer relíquia... 
Diz-me qual a pena que me ordenas!
Qual penitência de tuas rezas?
Será que ainda me prezas?
Será que perdoas por usurpar-te
A natureza em meu nome-fantasia?
O que será de mim, agora que somos nada? 
Deixa que eu te faça dos meus versos
A estrofe esquecida
E do acalanto,
O estribilho mal concebido
Mas que um dia eu possa realizar-te o sonho
Do pesadelo de eu nunca ter nascido
Ser natimorto, de um passado esquecido...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Tapajós: o sonho interrompido


(*) DORNÉLIO SILVA

Depois de um ano do plebiscito, relembrando a campanha histórica para a criação dos Estados do Tapajós e Carajás, manifesto neste pequeno artigo uma releitura da campanha e demonstro uns dos pecados capitais cometidos pelas lideranças políticas que conduziram esse processo, levando a derrocada.

Dornélio Silva
Havia uma apatia muito grande no Pará Remanescente, mas era neste Pará que continha o maior número de eleitores que decidiam a eleição. Ninguém mobilizava ninguém! Ninguém motivava ninguém! Nem a causa motivava ou mobilizava alguém! Ninguém se motivava a sair de casa para abraçar a causa. A não ser alguns poucos militantes com certa consciência induzida pela emoção. A “espetacularização” dos programas de TV e rádio era a grande expectativa dos “donos” do processo para que esse ente inerte chamado povo-eleitor pudesse espreguiçar-se e, quem sabe, começar a ter forças para levantar-se e começar a comentar – pelo menos – em bares, no trabalho, em casa. Será que isso aconteceu? Será que a força da TV e Rádio conseguiu acordar o eleitor que dormia em “berço esplêndido” ao som dos bregas, dos carimbós, dos sertanejos e das vozes apelativas e chorosas nos palcos televisivos? Mesmo com a “espetacularização”  a apatia e o desinteresse continuaram a abraçar nosso Grande Eleitor!

Foi uma eleição histórica e atípica. Não iríamos votar em pessoas ou legendas. Historicamente e culturalmente não votamos em ideias, infelizmente! Os partidos existem para viabilizar candidaturas. As regras do sistema eleitoral determinam a forma que influencia na decisão do voto. As campanhas são personalizadas. Votamos em pessoas. Não há abstração. Existe o João, a Maria, o Antonio, o Manoel que receberá meu voto para me representar. Essa eleição plebiscitária foi atípica: ia votar numa ideia, numa abstração. O que move a consciência do eleitor para a decisão do voto? Em eleições personalizadas como é a nossa, muitos são os motivos, passando do psicológico/emocional, dos interesses de grupos sociais onde a conversação social pode formar opiniões individuais, e dos interesses utilitaristas; dos que  votam se esse ato for visto como potencialmente capaz de trazer-lhes algum benefício social ou econômico, e tem aqueles que votam por seus bolsos.

Em todo o processo de campanha política há os ingredientes intrínsecos ao eleitor de paixão e de interesse. O ato de votar implica em escolher a alternativa que produza o melhor resultado ou escolher entre as alternativas disponíveis que garanta minimamente a satisfação de seus interesses. Então, quando o custo de votar não for compensado pelos benefícios derivados de determinadas  ações por quem se propugna a ser governo ou legislativo, o eleitor não vota. Agora imagine numa eleição – o plebiscito – onde não existiam candidatos? A vacância na mente do eleitor seja ele médio ou comum era enorme.

Os defensores do SIM e do NÃO ensaiaram timidamente na região do Pará remanescente alguns momentos de campanhas. A maioria desses ensaios foi localizado através de eventos de debates. O povão, a grande maioria, aquele que decide a eleição passou ao largo. Os defensores do SIM e do NÃO apostaram tudo na TV e Rádio. O palco televisivo seria o instrumento para esclarecer, informar, mobilizar e convencer os eleitores para votar nesta ou naquela proposta.

Depois de uma semana de horário eleitoral, o que se via do lado do NÃO era uma densa dose de paixão/emoção, de sentimento de perda e de vitimização; do lado do SIM se via intensa manifestação de racionalidade propositiva.

Por outro lado, ao invés de informar, estavam desinformando a população. Os dois, tanto SIM quanto NÃO, faziam os programas como se fosse apenas UM voto (SIM ou NÃO e estaria tudo resolvido). Não apresentavam informações precisas do porque EU tenho que votar SIM no Tapajós ou Carajás; mesma situação do NÃO, não apresentavam também informações do porque que eu tenho que votar Não no Tapajós e Carajás.

Os marqueteiros, tanto do SIM quanto do NÃO, colocaram tudo dentro da mesma panela, temperaram com os mais variados ingredientes a gosto e, depois, ofereceram a sopa aos eleitores, afirmando que “a minha sopa é a mais gostosa e suculenta do que a sua”. Será que o povo estava conseguindo tomar aquela sopa? Não percebiam que dentro daquela panela existiam ingredientes completamente diferentes que tinham dificuldades de se misturar. O que se tinha em comum é que Tapajós e Carajás queriam se emancipar.

Para tornar realidade e tentar convencer o eleitor a votar nesta ou naquela proposta, cada região emancipacionista deveria falar com sua linguagem própria. Tapajós tem características culturais, econômicas, sociais, históricas completamente diferentes do Carajás; que também tem características completamente dispares do Tapajós. Por que os marqueteiros e suas lideranças políticas não mostraram isso à população? Não existia nenhum diferencial de mercado do voto sendo apresentado na TV e Rádio que mostrasse claramente porque o eleitor queria o Tapajós emancipado ou não; porque queria ou não o Carajás emancipado? Tapajós perdeu a grande oportunidade de confirmar sua luta histórica de 154 anos. E suas lideranças políticas de ficarem na história como os baluartes desta conquista. Mas, estes, por acreditarem em milagres televisivos, e em marqueteiros “deuses”, frustraram o sonho de uma população. 

----------------------------------
(*) Mestrando em Ciência Política – PPGCP/UFPA/ Especialista em pesquisa de opinião e diretor da Doxa Comunicação Integrada

O artigo foi escrito a pedido deste poster, sendo o primeiro de uma série que publicarei nos próximos dias, de várias pessoas que acompanharam esse movimento, como forma de analisarmos o porquê da nossa derrota e o que vem pela frente.