sábado, 13 de julho de 2013

Com os grãos de areia em nossas mãos, para dizermos o que pensamos

10 de julho de 2013. Dez horas da manhã.

Dirijo meu golzinho preto 2004 (com corpinho de 2003) pela BR-163 em direção à chácara Pouso Alto, na localidade de Cipoal. Já passamos do posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e relaxo ao volante sem precisar segurar os 40 quilômetros por hora.

Ao meu lado, o velho grego Georgios Ninos, do alto de seus 92 anos, tenta me dar um pouco mais de suas lições. Com a mente já um pouco fraca – pelo tempo – apesar de manter o vigor da juventude em seu corpo cuidado à base de rígida dieta vegetariana e exercícios físicos, o velho grego tenta se comunicar comigo em mais um dia que passamos juntos no meu período de férias/licença do Judiciário, mas as palavras lhe faltam. Suas ideias já não conseguem se traduzir com a mesma maestria de alguns anos. O peso da idade.

O velho Ninos e sua "gororoba vegetal"

Tentando balbuciar algumas lições ao filho desleixado que continua não cuidar da saúde, na semana em que este está prestes a completar meio século de vida, o velho grego acaba me transportando para um mundo inaudito, fazendo-me lembrar de velhas lendas da mitologia helênica que estudei na adolescência, nos livros que ele me comprou. O carro parece flutuar, enquanto meu pai continua balbuciando suas mesmas lições e a mitologia atravessa à minha frente. O cavalo à beira da estrada vira um Pégaso (o cavalo alado dominado pelo herói Belerofonte) e me transporta além das nuvens negras de mais um dia nublado no oeste do Pará.

Me veem à mente duas dessas lendas, das mais tristes tragédias contadas por Homero e outros escritores da antiguidade helênica. São lendas sobre o amor e a velhice, numa Santarém de 352 anos dos quais 35 vi de perto quando aqui cheguei, aos 15 anos adolescentes.

Sibila de Cumas e Apollo, de Giovanni Domenico Cerrini

Uma das lendas fala da Sibila de Cumas, uma das 10 sibilas (profetisas) do deus Apolo, que para se tornar sua esposa resolveu pedir a vida eterna, mas de uma forma inusitada: colocou um punhado de areia em sua mão e pediu-lhe para viver tantos anos quantos fossem as partículas de terra que tinha ali. Entretanto, esqueceu-se de pedir, também, a eterna juventude. Com o passar dos anos tornou-se tão consumida pela idade que teve de ser guardada no templo de Apolo, na cidade de Cumas. A lenda diz que a Sibila de Cumas viveu nove vidas humanas de 110 anos cada! 

Aurora abandona Titono, de Louis Jean François Lagrenée
A outra lenda grega é sobre o amor da deusa Eos (Aurora, irmã do Sol e da Lua) por um príncipe mortal, Títono, irmão do rei Príamo, de Tróia. Ela, um dia o raptou, casaram e tiveram dois filhos, mas enquanto Eos conservava uma juventude eterna, Títono, por ser mortal, começou a envelhecer. Eos conseguiu então que Zeus, o deus dos deuses, concedesse a imortalidade ao seu amado, mas por falta de reflexão não pediu também a juventude eterna para o amado e este envelheceu continuamente, enfraquecendo. Chegou ao ponto de ficar pequeno como inseto encarquilhado, até que ela, penalizada, pediu a Zeus que o transformasse em uma cigarra.

10 de julho de 2013. Dez e cinco da manhã.

Grandes caminhões graneleiros ocupam as duas laterais da estrada entre Santarém (PA) e Cuiabá (MT) e eu preciso desanuviar meus devaneios mitológicos para não dar de cara com aqueles monstros de nossa mitologia moderna, do famoso deus Mercado. Meu pai continua balbuciando suas lições. Entre gergelins e linhaças, iogurtes e beterrabas, o velho grego para de falar sobre as receitas de suas famosas gororobas e me emociona dizendo “queria ter tua idade, para poder dizer o que penso”.

Entre o medo de chegar à idade dele e não poder “dizer o que penso” e o medo de morrer antes dele pelo descuido à ditadura do regime alimentar, escolho a vontade de viver com experiência. E quem sabe, diminuir uns quilinhos...

Por isso, o ato de refletir sobre o meio século que completo neste sábado, 13/07/2013, passa pela estrada trilhada pelo velho Ninos, mesmo que eu tenha buscado atalhos diversos do dele, e que juntos possamos dizer que cada um, ao seu modo, viveu a vida.

10 de julho de 2013. Dez e quinze da manhã.

Entro na chácara e vejo meu pai sair do carro com uma pequena lágrima retida no canto do olho. Os Ninos são feitos de manteiga derretida. Choramos por qualquer coisa. E a velha desculpa de sempre: “tem poeira aqui”. Os Ninos são orgulhosos. Não gostam de se mostrarem frágeis, mas às vezes, se debulham em lágrimas, seja cantando uma canção ou assistindo a uma novela na TV.

Fico parado dentro do carro por alguns instantes. Naquele momento, as ideias para esse artigo começam a brotar. Quase todos os anos, escrevo sobre o dia do meu aniversário como se quisesse deixar um testemunho de mim a cada ano. Um diário de bordo de uma nau enlouquecida. Pitadas literárias de um filho que tentou ser mais que o pai. Agora, nesse meio século, essa relação parece ficar mais próxima, tanto quanto mais distante.

Olho pra trás e vejo toda minha existência tentando me firmar como um cidadão de bem. Como meu pai ensinou. Como sempre me cobrou, com puxões de orelha. Com berros. Até eu sair de casa aos 16 anos e achar que tinha um mundo a conquistar. Foram idas e vindas de um filho pródigo, que um dia conseguiu provar ao pai que tinha algum valor. Não porque se tornou um jornalista, com certo prestígio, numa cidade perdida no meio do nada amazônico, como são todas as cidades do Verde Vagomundo, do ximango Bené Monteiro. Nem tampouco por que fez filhos e filhos perpetuando o nome, um dos orgulhos helênicos. Mas porque, apesar de tudo, manteve a essência dos ensinamentos do velho grego turrão, que ainda hoje quer puxar (literalmente) nossas orelhas...

10 de julho de 2013. Dez e vinte da manhã.

Saio da Chácara de minha irmã e sigo pela estrada. Ainda tenho um TCC de pós-graduação pra terminar. Preciso revisar o livro de poesias que agora vou lançar (acertei tudo com o Cristóvam Sena, do ICBS). Mais um loucura minha. [No final, por problemas de última hora, o livro foi adiado mais uma vez]

“Queria ter tua idade, para poder dizer o que penso”. A frase do velho grego ecoa em minha mente. Ele disse muita coisa pelas mãos. Com seu faro de pequeno comerciante, deixou sua marca na cidade que adotou como sua.  E do alto de seus rompantes de arrogância, misturados ao velho sorriso cativante, um dia me disse: “Houve um tempo em que tu eras o filho do seu Ninos, o homem do lanche mais gostoso da cidade. Hoje me orgulho quando alguém me pergunta se sou o pai do Jota Ninos”. Os Ninos são metidos a bestas.

Mesmo depois de me dizer essa frase de me deixar todo gabola, não duvidou em me ordenar que partisse para a Grécia, antes que eu “amanhecesse com a boca cheia de formiga”, como lhe diziam os telefonemas ameaçadores da época em que adorava polemizar com poderosos locais, pela Rádio Rural. “Prefiro um filho vivo sem fama, do que um filho morto famoso”, decretou. E mais uma vez definiu meus rumos, já nos altos de meus 25 anos!

Três anos de autoexílio (1988/1991), em sua terra natal, para evitar que minha boca expressasse o que eu pensava. Três anos de amadurecimento, numa Grécia de encantos, onde pude respirar das lendas de outrora e até tentar por juízo na cabeça socialista de sempre. [A Grécia de hoje, nem de perto lembra ao menos a Grécia que eu conheci. Muito menos a Grécia de meu pai ou a das lendas mitológicas]

Eu, na Grécia de meu pai, aos 25 anos.

Amadureci tanto que, após ter retornado ao meu “Santo Harém” (como chamava ironicamente a cidade, em alguns artigos de jornal, à época), um colega jornalista disse que eu havia me “despolemizado” (rs)! Afinal, um ex-militante petista fazer assessoria de marketing para um prefeito do antigo PFL (hoje, DEM) era o fim da picada!

10 de julho de 2013. Dez e vinte e cinco da manhã.

O carro vai mais lento, pois a PRF é logo ali. Nada de pensar em lendas gregas agora. Passada a barreira, começo a fazer um retrospecto do que vivi depois de retornar da Grécia.

A carreira jornalística chegava ao limite do tolerável no inicio do século XXI, mas o acúmulo de conhecimentos foi suficiente para entrar, através de concurso público no Poder Judiciário, onde já atuo por dez anos como analista judiciário (“babá” de processos carcomidos pelo tempo), sem deixar de lado a carreira de jornalismo e atuando num setor onde a comunicação se faz presente: o Tribunal do Júri.

No final de 2009, vivi a experiência de voltar a ser solteiro depois de 17 anos com uma família, quatro filhos, duas netas, cinco cachorros... E aos poucos, voltei a reescrever poesias guardadas em velhos sacos de papel. Voltei a comprar algumas brigas pelos blogs da vida. Voltei a polemizar, até me filiando ao PCdoB, pelo qual sonhei em organizar um grupo para mudar o status quo local, mas fracassei. Até um plebiscito pela criação de um novo estado, enfrentei. E fracassei. E me envolvi num sem-número de atividades como ativista cultural, ambientalista, pesquisador de história e voltei até a ser sindicalista! E em muitas coisas fracassei. Enquanto isso o açúcar se acumulava no sangue, até eu ser agarrado pelo mal do século: o diabetes. E tenho tentado me curar, mas tenho fracassado. Puxão de orelha do velho Ninos.

Aos 50 anos, chego ao terrível dilema de continuar querendo “dizer o que penso”. Seja em um programa de rádio, seja nas redes sociais, seja neste pobre blog, que de vez em quando abandono. Não existe fracasso quando se quer dizer liberdade. Talvez seja uma questão de ponderar que já não tenho o vigor da juventude para abraçar tantas causas. Então o primeiro passo talvez seja me desvencilhar da maioria das atividades e tentar a tal “vida saudável”. Depois do TCC de Especialização, quem sabe um mestrado e/ou doutorado? Quem sabe um livro dois, livros? Quem sabe um filho, uma árvore?..

10 de julho de 2013. Meio dia. De volta a Santarém. Tempo de lembrar o que tenho feito recentemente, para chegar aos 50 anos.

De um ano pra cá encontrei uma nova razão para continuar “dizendo o que penso”. Um novo amor, que não me cobra a juventude (plena, que já não tenho), e sim a experiência de que precisamos para os novos tempos em que muita gente vai às ruas “dizer o que pensa”.

Eu (com cara de babaca) com minha nova razão de viver, Ana Charlene.

O que importa, nestas primeiras horas do meu meio século, é que eu não queira a eternidade por um punhado de areia nas mãos, nem tampouco sonhar em virar uma cigarra...

13 de julho de 2013. Um pouco mais da meia-noite. Termino o texto e revigoro o blog. O recado do seu Ninos está aí.

EU DIGO O QUE PENSO: FELIZ ANIVERSÁRIO, SEU BABACA!




sexta-feira, 12 de julho de 2013

Pensaram que eu morri?


O Blog do Jota Ninos volta mais uma vez (não sei até quando), exatamente no dia em que completo 50 anos de vida. 
Fiz algumas mudancinhas básicas no layout. Acho que ficou legal. Daqui há pouco posto um artigo especial de aniversário.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Mudanças no blog em 2013

Passado o recesso de fim de ano, vou preparando mudanças neste pobre blog, para que em 2013 possa estar mais ativo. Aguardem!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os primeiros secretários de Alexandre Von

Zuíla Von, Alexandre Von e Jaci Barros, em recente encontro.
Foram anunciados hoje pela manhã, 11 titulares de pastas do Governo Von, que toma posse em janeiro/2013. A maioria dos nomes já é conhecida por ter integrado os governos Lira Maia (1997/2000 e 2001/2004):

  1. Jaci Barros - Chefe de Gabinete;
  2. Irene Escher - Secretaria Municipal de Educação (Semed);
  3. Zuíla Von - Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtras);
  4. Edilson Pimentel - Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra)
  5. Mauro Maués (Adjunto Seminfra);
  6. Nato Aguiar – Secretaria Municipal de Cultura (Secult);
  7. Irene Belo – Secretaria Municipal de Turismo (Semtur);
  8. Rosivaldo Colares – Secretaria Municipal de Agricultura e Incentivo à Produção Familiar (Semap);
  9. João Clóvis Lisboa (Adjunto Semap);
  10. Darlison Maia (Coordenadoria de Defesa Civil);
  11. Edivaldo Bernardo (Coordenadoria de Apoio ao Estado do Tapajós).
Jaci Barros, Rosivaldo Colares e João Clóvis Lisboa, agrônomos, são antigos aliados do deputado Lira Maia, com forte atuação na área da agricultura, principalmente através da Emater, de onde Maia é oriundo. 


Irene Belo é professora e sócia do BeloAlter, o maior hotel de Alter do Chão e esposa de um grande amigo de Lira Maia, o empresário da área de turismo José Carlos Zampietro.

Darlison Maia, administrador de empresas que chegou a gerenciar o Detran/Santarém, ja trabalhou no Gabinete do Prefeito Lira Maia.

Edilson Pimentel e Mário Maués, são engenheiros que também teriam ligações com o deputado Lira Maia (essa afinidade foi ventilada por alguns setores da imprensa, mas não confirmada).

Da cota de Alexandre nessas primeiras indicações, sua esposa Zuila Von, administradora de empresas e filha do empresário Chico Coimbra; Irene Escher, professora cuja família tem vinculações com a esposa de Von; e o cantor e compositor Nato Aguiar, piauiense já incorporado à cultura local, tendo sido secretário de cultura em Itaituba (quando era filiado ao DEM), e agora em Santarém como professor da Uepa e filiado ao PSDB.

Edivaldo Bernardo, filiado ao PSB, é da cota do vereador reeleito Reginaldo Campos (PSB), aliado de última hora que pulou do barco de Maria do Carmo um dia antes das convenções municipais realizadas em junho, para apoiar a chapa de Von.
(Veja fotos do novos secretários na página d'O Impacto.)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Prefeito no Bazar

Alexandre, no Bazar, domingo.
O prefeito eleito Alexandre Von (PSDB) confirmou sua presença em meu programa dominical pela Rádio Rural de Santarém e participará do Bazar Brasileiro na seção "Papo de Botequim", onde converso com meus entrevistados sobre os mais variados temas, dando maior enfoque às questões culturais. 

Quem quiser participar do programa, pode mandar sua pergunta para o e-mail bazarbrasileiro@gmail.com, com identificação. Perguntas anônimas e/ou ofensivas não serão liberadas.



O Bazar Brasileiro foi criado em 1985, por mim e pelo companheiro Dornélio Silva e ficou no ar até 1993, sendo apresentado por vários radialistas quando a dupla saiu da cidade. Em 2007, retomei o programa inicialmente com a companhia do também jornalista Ormano Sousa. Uma breve parada em 2010 e o retornei em setembro de 2011.

O Bazar Brasileiro pode ser captado pelas ondas médias (AM), na frequência 710, ou pela internet no site da rádio. O programa de domingo começa às 20h30 (oito e meia da noite).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012



Versos brutos (Buriti versus Juá)
Veias minhas que te enterrei
Nas entranhas de teu corpo
Te fiz meu porto,
Náufrago sem mar
De águas ensandecidas
Que lagrimei em tua pele devastada... 
Seivas minhas que te singrei
Na vastidão de tua vergonha
Te fiz minha fronha
E te babei, embrutecida,
De meu furor enlouquecido
De te habitar eternamente
E te estuprei a alma estarrecida...

E agora, que o vento já não faz sentido?
Que o tempo já não tem fronteiras?
O que faço de teu corpo ensanguentado?
O que digo à beleza de teus caprichos em desalinho?
Já não me resta uma tímida lembrança
Da qual eu possa te fazer relíquia... 
Diz-me qual a pena que me ordenas!
Qual penitência de tuas rezas?
Será que ainda me prezas?
Será que perdoas por usurpar-te
A natureza em meu nome-fantasia?
O que será de mim, agora que somos nada? 
Deixa que eu te faça dos meus versos
A estrofe esquecida
E do acalanto,
O estribilho mal concebido
Mas que um dia eu possa realizar-te o sonho
Do pesadelo de eu nunca ter nascido
Ser natimorto, de um passado esquecido...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Tapajós: o sonho interrompido


(*) DORNÉLIO SILVA

Depois de um ano do plebiscito, relembrando a campanha histórica para a criação dos Estados do Tapajós e Carajás, manifesto neste pequeno artigo uma releitura da campanha e demonstro uns dos pecados capitais cometidos pelas lideranças políticas que conduziram esse processo, levando a derrocada.

Dornélio Silva
Havia uma apatia muito grande no Pará Remanescente, mas era neste Pará que continha o maior número de eleitores que decidiam a eleição. Ninguém mobilizava ninguém! Ninguém motivava ninguém! Nem a causa motivava ou mobilizava alguém! Ninguém se motivava a sair de casa para abraçar a causa. A não ser alguns poucos militantes com certa consciência induzida pela emoção. A “espetacularização” dos programas de TV e rádio era a grande expectativa dos “donos” do processo para que esse ente inerte chamado povo-eleitor pudesse espreguiçar-se e, quem sabe, começar a ter forças para levantar-se e começar a comentar – pelo menos – em bares, no trabalho, em casa. Será que isso aconteceu? Será que a força da TV e Rádio conseguiu acordar o eleitor que dormia em “berço esplêndido” ao som dos bregas, dos carimbós, dos sertanejos e das vozes apelativas e chorosas nos palcos televisivos? Mesmo com a “espetacularização”  a apatia e o desinteresse continuaram a abraçar nosso Grande Eleitor!

Foi uma eleição histórica e atípica. Não iríamos votar em pessoas ou legendas. Historicamente e culturalmente não votamos em ideias, infelizmente! Os partidos existem para viabilizar candidaturas. As regras do sistema eleitoral determinam a forma que influencia na decisão do voto. As campanhas são personalizadas. Votamos em pessoas. Não há abstração. Existe o João, a Maria, o Antonio, o Manoel que receberá meu voto para me representar. Essa eleição plebiscitária foi atípica: ia votar numa ideia, numa abstração. O que move a consciência do eleitor para a decisão do voto? Em eleições personalizadas como é a nossa, muitos são os motivos, passando do psicológico/emocional, dos interesses de grupos sociais onde a conversação social pode formar opiniões individuais, e dos interesses utilitaristas; dos que  votam se esse ato for visto como potencialmente capaz de trazer-lhes algum benefício social ou econômico, e tem aqueles que votam por seus bolsos.

Em todo o processo de campanha política há os ingredientes intrínsecos ao eleitor de paixão e de interesse. O ato de votar implica em escolher a alternativa que produza o melhor resultado ou escolher entre as alternativas disponíveis que garanta minimamente a satisfação de seus interesses. Então, quando o custo de votar não for compensado pelos benefícios derivados de determinadas  ações por quem se propugna a ser governo ou legislativo, o eleitor não vota. Agora imagine numa eleição – o plebiscito – onde não existiam candidatos? A vacância na mente do eleitor seja ele médio ou comum era enorme.

Os defensores do SIM e do NÃO ensaiaram timidamente na região do Pará remanescente alguns momentos de campanhas. A maioria desses ensaios foi localizado através de eventos de debates. O povão, a grande maioria, aquele que decide a eleição passou ao largo. Os defensores do SIM e do NÃO apostaram tudo na TV e Rádio. O palco televisivo seria o instrumento para esclarecer, informar, mobilizar e convencer os eleitores para votar nesta ou naquela proposta.

Depois de uma semana de horário eleitoral, o que se via do lado do NÃO era uma densa dose de paixão/emoção, de sentimento de perda e de vitimização; do lado do SIM se via intensa manifestação de racionalidade propositiva.

Por outro lado, ao invés de informar, estavam desinformando a população. Os dois, tanto SIM quanto NÃO, faziam os programas como se fosse apenas UM voto (SIM ou NÃO e estaria tudo resolvido). Não apresentavam informações precisas do porque EU tenho que votar SIM no Tapajós ou Carajás; mesma situação do NÃO, não apresentavam também informações do porque que eu tenho que votar Não no Tapajós e Carajás.

Os marqueteiros, tanto do SIM quanto do NÃO, colocaram tudo dentro da mesma panela, temperaram com os mais variados ingredientes a gosto e, depois, ofereceram a sopa aos eleitores, afirmando que “a minha sopa é a mais gostosa e suculenta do que a sua”. Será que o povo estava conseguindo tomar aquela sopa? Não percebiam que dentro daquela panela existiam ingredientes completamente diferentes que tinham dificuldades de se misturar. O que se tinha em comum é que Tapajós e Carajás queriam se emancipar.

Para tornar realidade e tentar convencer o eleitor a votar nesta ou naquela proposta, cada região emancipacionista deveria falar com sua linguagem própria. Tapajós tem características culturais, econômicas, sociais, históricas completamente diferentes do Carajás; que também tem características completamente dispares do Tapajós. Por que os marqueteiros e suas lideranças políticas não mostraram isso à população? Não existia nenhum diferencial de mercado do voto sendo apresentado na TV e Rádio que mostrasse claramente porque o eleitor queria o Tapajós emancipado ou não; porque queria ou não o Carajás emancipado? Tapajós perdeu a grande oportunidade de confirmar sua luta histórica de 154 anos. E suas lideranças políticas de ficarem na história como os baluartes desta conquista. Mas, estes, por acreditarem em milagres televisivos, e em marqueteiros “deuses”, frustraram o sonho de uma população. 

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(*) Mestrando em Ciência Política – PPGCP/UFPA/ Especialista em pesquisa de opinião e diretor da Doxa Comunicação Integrada

O artigo foi escrito a pedido deste poster, sendo o primeiro de uma série que publicarei nos próximos dias, de várias pessoas que acompanharam esse movimento, como forma de analisarmos o porquê da nossa derrota e o que vem pela frente.

Tribunal do Júri fecha o ano julgando crime de 2011


O réu preso Erasmo Conceição Rocha, o conhecido "Zagaia", de 28 anos, será o último réu a ser julgado pela 10ª Vara Penal de Santarém, nesta quinta-feira, 13/12, a partir das 08h00. A sessão começará com a diplomação da última turma de jurados e o sorteio da primeira turma de jurados de 2013. 

"Zagaia" é acusado de matar com quatro facadas, no dia 25/05/2011, o servente de pedreiro Jardel Sousa da Costa, que à época tinha 35 anos. Os dois bebiam num bar e Jardel tirou brincadeiras com "Zagaia", que não gostou e saiu para buscar uma faca e teria aplicado as facadas na vítima.

O réu responde ao crime de  Homicídio Qualificado por Motivo Fútil, cuja pena varia de 12 a 30 anos. Debaterão no plenário o promotor público Evandro Ribeiro e o defensor público Daniel Archer, sob a presidência do juiz Gerson Marra Gomes.
Juiz Gérson Marra Gomes
lendo sentença.

Passional -  No penúltimo júri do ano, ocorrido ontem e que terminou por volta de nove da noite, o corpo de jurados da 10ª Vara Penal adotou uma posição salomônica, ou seja, acatou parte da tese da Defesa  e parte da tese da Acusação.

Por conta disso o braçal Elielson Castro das Neves, vulgo "Tatuagem", de 39 anos, acusado de tentar matar com uma facada sua companheira Maria da Conceição Ferreira Ramos acabou condenado por Tentativa de Homicídio Simples, que resultou numa pena aplicada pelo juiz Gerson Marra Gomes de 03 anos, 7 meses e 28 dias, em regime aberto.

O caso era de Tentativa de Homicídio Duplamente Qualificado, pelo motivo fútil (ciúme) e sem chance de defesa. O Ministério Público, através do promotor Evandro Ribeiro, resolveu pedir que os jurados não aplicassem a  primeira qualificadora. Já a Defesa, através do defensor público Vinicius Toledo, pediu para que fossem tiradas as duas qualificadoras, o que acabou ocorrendo.

O crime ocorreu no município de Belterra, no dia 17/12/2004, quando "Tatuagem" chegou mais uma vez embriagado e passou a discutir com a vítima que vivia com ele há 12 anos. Ela teria dito que não queria mais viver com ele, e por isso, ele usou da faca dizendo que "se não quer viver comigo, não vai viver com ninguém", segundo consta nos Autos. Conceição foi esfaqueada uma única vez nas axilas, mas teve força de expulsar de casa a remadas seu companheiro, e depois foi levada ao hospital.
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Atualizado ás 23h00 de 13/12/2012:



A maioria dos jurados definiu pela condenação do réu Erasmo Conceição Rocha, que matou com quatro facadas Jardel Costa, em maio do ano passado. O juiz Gerson Marra Gomes leu a sentença por volta de 21h00 e aplicou a pena de 13 anos, 5 meses e 15 dias, em regime fechado. O réu estava preso e não terá o benefício de recorrer em liberdade. 

A  defesa representada pelo defensor público Daniel Archer, ficou de analisar se recorre da Sentença. O promotor Evandro Ribeiro comemorou o resultado junto com o assistente de acusação contratado pela família, Marcos Nadalon. O Tribunal do Júri volta a se reunir no dia 08/01/2013.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Jornal recusa publicidade da Buriti Imóveis

Numa atitude corajosa, o Jornal O Estado do Tapajós acaba de anunciar que recusou mídia da poderosa Buriti Imóveis, responsável pelo desmatamento na área próxima ao Juá (foto abaixo). O editor Miguel Oliveira acaba de publicar no blog do jornal um post com esse teor.

Foto de Manuel Dutra

A estratégia de marketing da empresa Buriti (Imóveis e Empreendimentos), sócia da Sisa (Salvação Empreendimentos Imobiliários) tem sido tão devastadora quanto sua atividade na área em questão. Além  dos spots de TV, divulgados maciçamente com o slogan "Realizando Sonhos", invadiu a festa da padroeira dos católicos de forma acintosa, com a distribuição de milhares de ventarolas e viseiras para os romeiros.

As ventarolas da Buriti (Foto de Manuel Dutra)



BURITI: PROJETO LESIVO AO MEIO AMBIENTE

(Reproduzo aqui no blog, na íntegra, o excelente artigo da advogada Janete Gonçalves, publicado no jornal O Impacto. Janete foi minha colega no curso de Jornalismo do Iespes em 2006, onde estudou dois semestres, mas abandonou a turma para ingressar no curso de Direito. Perdemos uma grande jornalista, mas ganhamos uma brilhante advogada.)

Até bem pouco tempo atrás era aprazível pegar a estrada rumo a Alter-do-Chão e apreciar a vegetação que ladeava todo o caminho. É bem verdade que esta beleza cênica continuaria a encher nossos olhos se não fosse a ação irresponsável de uma empresa que se instalou em nossa Santarém sob o embuste de “construir sonhos”, e o que pior o Poder Executivo Municipal endossou sua entrada, facilitando a perpetração de um dos maiores crimes ambientais cometido em nosso município: o desmate de mais de 150 hectares de vegetação nativa, às proximidades do Lago do Juá e Rio Tapajós, cuja visão é apocalíptica.


Janete Gonçalves, advogada.
A supressão de floresta nativa foi tamanha que não passou despercebida nas imagens registradas pelos satélites de fiscalização ambiental presentes na região. Parece que só a estrábica Secretaria Municipal do Meio Ambiente não viu o desastre ecológico que aí está. É evidente, e, inclusive, uma determinação constitucional que a instalação de uma obra dessa dimensão, potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente requer do Poder Público Municipal, in casu, a exigência do estudo prévio de impacto ambiental, ao qual se dará ampla publicidade (CF, art. 225, §1º, inciso IV), o que infelizmente não foi feito.

Ao que tudo indica mais uma vez o Poder Público foi omisso à questão ambiental, já que seus agentes públicos ao licenciar a obra deixaram de exigir o estudo prévio de impacto ambiental e o respectivo relatório de impacto ambiental – EIA/RIMA – necessário quando se trata de projetos urbanísticos, acima de 100 ha ou em áreas consideradas de relevante interesse ambiental (art. 2º, inciso XV da Resolução/Conama nº 001/86).

A avaliação de impacto ambiental, que inclui procedimentos desde estudos de impacto até a audiência pública, é um dos canais de participação dos cidadãos e das organizações da sociedade civil em defesa do meio ambiente, sendo um importante instrumento preventivo da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81) indispensável ao processo de negociação ambiental fundada no princípio da informação e da participação democrática.

No que pese ser um instrumento público que começou a ser legislado em 1981, sendo considerado pelos juristas como um exemplo da política preventiva (MACHADO, 1989), a prática habitual vem na contramão desqualificando esse instrumento de política preventiva à medida que a ampla maioria dos EIAs quando elaborados com antecedência são orientados para justificar a implantação do projeto em sua forma original e não para abrir um processo de negociação, quando não, como vem ocorrendo em nossa região, são feitos a posteriori, a exemplo do “caso Cargil”, para legitimar um fato consumado, ou seja, acabam tendo uma retórica destinada a convencer que foram adotadas todas as providências possíveis para proteger o meio ambiente.

Não será surpresa, portanto, que a mesma regra seja aplicada ao caso da Empresa Buriti, que negligenciou o EIA/RIMA, uma etapa essencial no processo de licenciamento do Projeto Habitacional, que já vêm sendo implantado às margens da Avenida Fernando Guilhon ao talante dos intentos puramente econômicos, sem respeitar os limites da sustentabilidade, tampouco a legislação ambiental existente em nosso ordenamento jurídico, representando uma afronta aos preceitos do Estado de Direito Ambiental que tanto perseguimos.

Nesse trágico enredo, mas uma vez assistiremos os impactos ambientais ocasionados pela obra criminosa da Empresa Buriti serem apresentados no discurso do Poder Público Municipal e da empresa como condição inevitável para que a população do município de Santarém possam desfrutar dos benefícios da realização de seus projetos habitacionais, de forma a realizar seus sonhos de ter uma casa própria.

Mais uma tentativa de ludibriar os munícipes de Santarém, afinal que espécie de “desenvolvimento” é esse que devasta nossas florestas e seca nossos rios, nossas maiores riquezas. Do que adianta ser possuidor de um lote, construir uma bela casa tendo como quintal o cenário da destruição do Lago do Juá. Assim, o que essa empresa vem nos oferecer é a miséria ao nosso povo, visando lucrar em troca do nosso ativo verde, que tem um preço bem superior no “mercado verde”. É possível sim, se ter crescimento econômico em harmonia com a Natureza, porém empresas irresponsáveis como a Buriti não querem internalizar os custos de um empreendimento sustentável, não querem dividir seus lucros senão externalizar os efeitos deletérios dos danos ambientais por ela causados. Nesse caso deve-se aplicar o princípio do poluidor-pagador que impõe a internalização à iniciativa privada dos custos ambientais (degradação e escasseamento de recursos naturais) gerados pelos seus empreendimentos.

Cumpre destacar que a Empresa Buriti ao construir seu projeto habitacional potencialmente lesivo ao meio ambiente no município em desacordo com as normas legais incorreu em crime ambiental, se não vejamos:

Art. 60. Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes:

Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

Vale ressaltar, que mesmo que tenha obtido licença do Poder Público Municipal, caso esta tenha sido emitida com inobservância ao procedimento administrativo de licenciamento resta eivada de nulidade, devendo o ato administrativo (licença) ser fulminado do mundo jurídico.

O certo é que mais uma vez nós só procuramos colocar a tranca na porta depois de arrombada. O dano ambiental já se instalou e a cada dia seus efeitos se protraem no tempo e, com as chuvas que se iniciam tendem a piorar, já que a terra decorrente da terraplanagem efetuada pela empresa tende a assorear o Lago do Juá, já que não foi respeitada a área de preservação permanente, necessária a proteção do rio.

Essa realidade é uma amostra do despreparo do nosso Município no que tange a gestão do meio ambiente, ou seja, um reconhecimento implícito da crise do atual sistema gerador de políticas públicas ambientais. O que adianta termos um cipoal de leis ambientais se não possuímos Órgãos Ambientais idôneos na Administração Pública Municipal e, claro, bem estruturados, com pessoal e técnicos que de fato atuem na fiscalização e defesa do meio ambiente, tampouco, um conselho municipal do meio ambiente que proporcione um espaço de participação político-democrática de negociação ambiental. Todos nós, munícipes desta cidade somos atores indispensáveis nesse processo de negociação ambiental e, somos co-responsáveis na gestão deste “macrobem” que é o nosso meio ambiente (art. 225 da CF/88).

Desta forma, a melhor resposta dos santarenos à ação irresponsável da empresa Buriti é não comprar seus lotes construídos à custa do massacre de nossos recursos ambientais. Isso sim seria um exemplo de cidadania ambiental. Não somos contra a implantação de projetos habitacionais desde que respeitem a legislação ambiental pertinente, sendo construídos nos limites da sustentabilidade, sem comprometer os recursos naturais das futuras gerações.

AQUELE ABRAÇO!


ABRACE ESSA CAUSA. 

MAIS DETALHES NESTE LINK:

Mais um retorno, de tantos eternos retornos...

Os poucos leitores que ainda tentam me acompanhar por este pobre blog, sabem da minha incapacidade de mantê-lo sempre atualizado. Isso ocorre desde que o lancei em 31 de março de 2005!! O principal motivo são as muitas atribuições que acabo assumindo como ativista social nas diversas áreas, principalmente as de cunho cultural e artístico, além das limitações de horários de minha função principal de Analista Judiciário do TJE/PA, como auxiliar do juiz da Vara do Tribunal do Júri. 

Mas sempre retorno do mundo das trevas e volto a postar...E sempre acreditando que não pararei novamente...

Depois de quase três anos parado, retornei em maio deste ano e consegui arrastar aos trancos e barrancos minhas pequenas publicações por alguns meses. Consegui em alguns momentos ter grande audiência, principalmente por causa da cobertura de alguns eventos, em função de minha posição privilegiada. Isso até me causa, às vezes, o dissabor da incompreensão de quem não gosta de que haja transparência em alguns atos que são públicos por natureza, como uma sessão do Tribunal do Júri, por exemplo. 

Com a aproximação das eleições deste ano houve um interesse maior em minhas postagens, por trabalhar muitos anos na cobertura dos bastidores da política e fazer pequenas análises do que acreditava ser interessante divulgar. O período de campanha eleitoral começou (julho) e meu envolvimento direto com esse processo (por conta de minha filiação no PCdoB) me afastou novamente do blog. Trabalhei na eleição, diretamente, articulando com partidos e apoiando a campanha de candidatos que decidi ajudar. Por pouco cedi à tentação de ser um deles, mas felizmente, no undécimo minuto recuei.

Minha atuação na campanha foi produzindo programas de vereadores do partido e dando apoio à candidata que o PCdoB resolveu apoiar, a professora Lucineide Pinheiro (PT). Minha militância ficou evidente nas redes sociais, principalmente no meu perfil do Facebook. Por conta disso, acabei até rompendo algumas parcerias profissionais que mantinha no campo jornalístico, já que alguns colegas que atuavam do outro lado não gostaram de alguns posicionamentos meus. 

No dia das eleições (07/10) retornei para alguns posts e no último (anterior a este) cheguei a anunciar que indicaria os nomes que eu acreditava que se elegeriam. Minha intenção era apresentar os nomes que surgiam das conversas de bastidores, mas por estar envolvido no processo e ao mesmo tempo atuando na direção do programa da Rádio Rural de Santarém sobre a apuração, desisti da postagem, por falta de tempo e até por receio de que pudesse parecer campanha velada...

Após o programa e com os resultados saídos da urna, resolvi hibernar mais uma vez, mas sempre pensando em voltar. Acho que sempre tenho muito a contribuir escrevendo. Mesmo que seja pra levar cacetadas, por minha disposição de dar a cara à tapas, quase sempre dizendo o que outros não diriam (ou simplesmente dizendo o óbvio ululante). Me exponho francamente, pois nunca gostei de silenciar diante do que vejo. Isso não significa que eu esteja certo em minhas convicções. E por conta disso, recebo ataque gratuitos de pessoas que preferem a hipocrisia do silêncio. 

Mas meu grande mestre no jornalismo, Manuel Dutra (que até se convenceu de entrar no Facebook, após várias insistências minhas), apesar de todas as atribuições e viagens, mostra que rejuvenesce a cada dia, com suas postagens no blog que mantém na internet. E sempre me sacode para voltar a postar "nem que seja uma foto com legenda, pois fotografia é notícia", diz, sempre, ele.

Mas tenho que admitir que pelo menos num ponto alguns dos meus detratores podem até ter tido razão: minha participação direta em alguns eventos, que implicam em assumir uma postura ideológica, podem em algum momento contaminar minha tentativa de ser sensato. E até paguei um preço por isso, com ataques vis à minha pessoa em jornais e blogs de antigos parceiros que me entristeceram. Não lhes guardo rancor, mas se não querem manter as velhas parcerias, paciência! Assim como multiplico amigos, também coleciono adversários ou inimigos. Isso é natural, pois nem os deuses tem a unanimidade... 

A bela e a fera.
Talvez isso tenha me afastado do blog também, mas não posso creditar meu desleixo a isso. Na verdade, minha vida tem andado bagunçada e só começou a entrar no eixo (ou quem sabe se perdeu de vez... rs), quando meu coração passou a ter uma nova inquilina, uma jovem e brilhante acadêmica de Direito, chamada Ana Charlene (foto ao lado), com quem tenho dividido as angústias do dia-à-dia nos últimos seis meses (Uau, uma eternidade!). O amor rejuvenesce e o blog começou a exigir minha volta, mas mesmo assim resistia em voltar a escrever. Ela foi mais forte e retornou a postar no seu blog perdido em um Lugar Qualquer do mundo virtual onde sempre escrevia suas "bobagens rimadas", como ela diz.  

Nos últimos dias me envolvi num evento que surgiu quase que por acaso, por conta de minha indignação estampada numa postagem, no Facebook (minha trincheira virtual nos últimos tempos), sobre o maior crime ambiental que a cidade de Santarém vivencia nos últimos anos, por conta da sanha de uma empresa imobiliária que antecipa os problemas que teremos nos próximo anos com o tal do progresso. Isso me levou a convocar, junto com outras pessoas, o ABRAÇO AO JUÁ, pelo Facebook.

Volto hoje, 11/12, às vésperas deste ato público (Abraço ao Juá), mas principalmente em mais uma madrugada sem sono (notívago que sou...) em que me recordo que há um ano estávamos todos (de Santarém e oeste do Pará) envolvidos numa grande luta: O PLEBISCITO PELA CRIAÇÃO DO ESTADO DO TAPAJÓS

Nos próximos posts falarei disto, do Abraço do Juá e em breve uma reflexão pessoal sobre as eleições deste ano, que venho preparando desde o final do processo eleitoral. Agora, o sol bate na janela e me avisa que mais um dia está chegando, e que daqui a pouco terei que vestir minha "capinha do Batman" e atuar em mais um júri popular... (rs)

Aqueles que gostam do que escrevo, torçam para que eu tenha forças de continuar as postagens. E aqueles que não gostam, continuem torcendo para que eu pare de escrever em definitivo, pois a melhor verdade, para alguns, é aquela que nunca é dita...

P. S.: Espero que o mundo não acabe dia 21/12 e minha volta tenha sido tardia (rs).

domingo, 7 de outubro de 2012

Projeções só depois das 17h00


Alertado por um colega, decidi não apresentar minhas projeções sobre quem eu acho que pode ser eleito vereador. Assim, apresentarei estas projeções só depois das 17h00, quando todo mundo já tiver votado.

Como disse em post anterior, o Quociente Eleitoral para este ano deve cair em relação à última eleição. Naquele ano, para eleger um vereador eram preciso mais de 10 mil votos e só 176 candidatos se inscreveram. Este ano, com o aumento de vagas, mais que o dobro de candidatos resolveu tentar a sorte. O quociente eleitoral deve ficar entre 7.000 e 7.500 votos para eleger um vereador. Isso não quer dizer que o vereador sozinho tenha que conseguir essa quantidade de votos, mas a soma dos candidatos de um mesmo partido e/ou coligação.  Leia mais sobre isso neste link.

Os 351 candidatos que concorrem às 21 vagas na Câmara Municipal estão em partidos ou coligações. Dos 24 partidos que lançaram candidaturas, cinco não se coligaram com ninguém, acreditando no potencial de seus candidatos. São eles: PSL, PP, PMDB, DEM, PSOL, PRP. O PDT se coligou com o minúsculo PPL, que lançou apenas um candidato, enquanto que o PSC coligou com o PTC que não lançou nenhum candidato.

Agora vou almoçar e votar. No retorno apresentarei outras curiosidades sobre os candidatos a vereador deste ano, sem emitir minha opinião sobre quem eu acho que ganha.

Os candidatos aniversariantes e os dois extremos na idade


Dos 351 candidatos que disputam as 21 vagas da Câmara Municipal hoje, dois devem estar mais ansiosos. São candidatos que fazem aniversário exatamente nesta data! Adivinhem o que gostariam de ganhar de presente?

Os candidatos são ERICA SOUSA DA SILVA (PSL), que completa 27 anos e HERLON CLEVER PENAFORTE REGO (PTN), que faz 21 anos. Infelizmente a chance deles conseguiram uma vaga é remota. O PSL pode não eleger ninguém, já o PTN integra uma coligação de quatro partidos com fortes candidatos. Logo mais dou outras informações sobre isso.

Outro dado curioso sobre os candidatos são os extremos das idades. A candidata mais jovem que concorre neste pleito é NATALIA DE SOUSA GOMES, também do PSL. Ela tem 20 anos, completados mês passados. Já a mais idosa é ANTONIA MOTA FERREIRA, do PMDB, de 71 anos.

172 candidatos declararam que são casados e 146 que são solteiros. Os divorciados ou separados são 28 e ainda há cinco candidatos viúvos, segundo dados do TRE.

Com relação à escolaridade dos candidatos, 39 declararam possuir Ensino Fundamental Completo e 29 Incompleto. Além disso, 129 tem Ensino Médio Completo e 13 Incompleto. 98 disseram que já soa graduados e 42 estão se graduando. Apenas um candidato declarou  que só lê e escreve.

No próximo post, os candidatos com chance de ganhar um assento na Câmara.

Mais de 350 razões para votar em vereadores


Esse é o total de candidatos aptos às 21 vagas da Câmara Municipal este ano. O número era maior no início de julho, quando começaram os registros de candidaturas. Dos 30 partidos existentes no Brasil, apenas 27 estão criados em Santarém e somente 24 apresentaram candidatos nestas eleições, segundo dados do TRE.

O total de candidaturas registradas em julho foi de 379, sendo 257 homens e 122 mulheres. Mas 07 candidatos (5 homens/2 mulheres) renunciaram antes mesmo de serem liberados ou não pela Justiça Eleitoral. A grande maioria por entender que não era sua hora, ou porque preferiu apoiar outro candidato. Este foi o caso do ex-prefeito Ruy Corrêa, que se registrou, mas preferiu aderir à candidatura de seu primo Maurício Corrêa, que estreia no novo partido PSD.

Além das desistências, a Justiça Eleitoral impugnou outras 21 candidaturas (09 homens/12 mulheres), por irregularidades no registro. Os dois indeferimentos que mais causaram impacto foram os do filho do deputado Antonio Rocha, Erlon Rocha (PMDB) e do delegado Jardel Guimarães (PDT), ambos tidos como francos favoritos para duas vagas.

Ao final, sobraram 351 candidatos, sendo 248 homens e 103 mulheres. Desse total de candidatos, 316 são paraenses (272 santarenos e 44 de outros municípios do Pará). Mas trinta e cinco candidatos são nascidos em outros estados, assim distribuídos: nove do Maranhão, seis do Amazonas, cinco do Ceará. Amapá, Bahia, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia e Rio Grande do Sul tem dois representantes cada entre os candidatos, enquanto que Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná e Roraima tem apenas um representante cada. 

Nota-se que o número de representantes do Nordeste, especialmente do Ceará diminuiu muito, provavelmente em função da criação do município de Mojuí dos Campos, que concentra o maior número de representantes daquele estado e região, e cujos candidatos ficaram por lá mesmo, para tentar a primeira Legislatura do novo município.

Daqui a pouco outras curiosidades sobre os candidatos a vereador e os meus palpites sobre eleitos.

Os vereadores e o tal do quociente...


A Câmara Municipal vai ter 21 vereadores no próximo período legislativo, que começa em 1º de janeiro. Isso significa que o Quociente Eleitoral que determina quem ocupará as vagas, será menor que quatro anos atrás. Já fiquei meio expert neste tema, por acompanhar tantas eleições, por isso fico de olho na movimentação dos partidos, converso com lideranças partidárias, e aos poucos é possível vislumbrar alguns resultados.

Mas antes de falar dos prognósticos, é bom rever o tema do QE. Muita gente ainda não entende como pode um candidato receber uma grande votação e perder a vaga para outro com votação menor. O sistema que vigora no Brasil é o da proporcionalidade, ou seja, as vagas no parlamento são distribuídas em proporções que respeitamos votos conquistados no conjunto, pelos partidos e coligações. para isso é feito o cálculo para o QE.

Na eleição passada escrevi vários artigos sobre isso onde explicava que "Quociente ou cociente (muitos chamam de coeficiente, mas não é o termo correto), é um termo da Matemática que vem do Latim quociens e indica a “quantidade resultante da divisão de uma quantidade por outra”. O Quociente Eleitoral determina-se “dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo número de lugares a preencher, desprezando-se a fração, se igual ou inferior a meio ou arredondando-se para um, se superior” (Código Eleitoral, art. 106, caput). Já o Quociente Partidário determina-se para cada partido político ou coligação “dividindo-se pelo quociente eleitoral o número de votos válidos dados sob a mesma legenda ou coligação de legendas, desprezada a fração” (Código Eleitoral, art. 107).
Em resumo, o quociente partidário informa o número de candidatos proporcionais (vereadores, deputados federais ou estaduais) eleitos de cada partido ou coligação em conseqüência dos votos recebidos. Esses candidatos são eleitos por votação própria e são sempre a minoria. Os demais ‘pegam’ carona no somatório de votos recebidos pelo partido ou coligação e pela legenda".

Leia mais acessando este link.

No próximo post, informações sobre os candidatos a vereador deste ano!

Belém terá mesmo segundo turno, mas Edmilson é favorito

O Instituto Doxa Pesquisas, do santareno Dornelio Silva (foto), continua a todo vapor percorrendo os quatro cantos do estado, acompanhando de perto os índices eleitorais dos candidatos. 

Em Belém, sua última pesquisa indica 2 turno entre Edmilson Rodrigues (PSOL) e provavelmente Zenaldo Coutinho (PSDB). José Priante ao que parece vai ficando de fora, ultrapassado pelo candidato do prefeito Duciomar Costa, Anivaldo do Vale.


Em Santarém, a Doxa também fez pesquisas contratadas pelo Blog do Jeso.

Trocando uniformes na reta final


Em respeito aos parcos leitores deste pobre blog, resolvi trocar de uniforme na reta final desta angustiante campanha eleitoral de 2012. Deixo a roupa de militante partidário de lado e tento, nesta postagem, contribuir com algumas informações aos (e)leitores deste espaço. Como militante cibernético, travei alguns debates na rede social, através do Facebook e até participei diretamente da campanha midiática, ora assessorando candidatos, ora pedindo votos para eles.
Há quase 80 dias fiz o último post neste espaço. Ainda estávamos no mês de julho, logo depois das tumultuadas convenções municipais dos partidos, que analisei aqui pelo blog. Foi o momento em que o jornalista deu lugar ao militante político. Como membro da direção do PCdoB local, me envolvi em um sem-número de reuniões, além do meu cotidiano como analista judiciário no Fórum de Santarém, atuando na organização das sessões do tribunal do júri.
Por pouco não aceitei enfrentar uma candidatura a vereador, mas depois de avaliar os prós e os contra de entrar nessa campanha, concluí que tinha mais contras do que prós. Engatei marcha-ré.
Mas desde que me filiei no PCdoB no ano passado, havia me proposto a ajudar o partido a alavancar e influir nas eleições municipais, ou articulando uma candidatura a prefeito ou elegendo seu primeiro vereador.
Mas no meio do caminho havia um plebiscito e tudo embolou. Mesmo assim, mantivemos conversações com o PV, que na última hora preferiu não se aventurar na consolidação de uma terceira via e migrou pro lado do PSDB. Não nos restava outra posição senão continuar seguindo nosso aliado histórico, o PT. Mas precisávamos garantir um tratamento não mais de “sigla de aluguel” como tantas que existem por aí. Afinal, no ano dos 90 anos de fundação do PCdoB, queremos marcar a história do partido em Santarém, seja apoiando uma candidatura para prefeito, seja elegendo um ou mais vereadores na Câmara.
Mas deixemos a militância pra mais tarde. Hoje é dia de eleição, e muita gente está saindo agora para votar. Aos que estiverem em casa e conseguirem ler estas linhas, pode ser que eu ajude com algumas informações. Sempre digo que não tenho a pretensão de ser dono da verdade (os jornalistas, muitas das vezes acreditam que estão acima do bem e do mal). Mas conviver com os bastidores da política, coisa que faço desde que me iniciei repórter pela Rádio rural, em 1984, e ao mesmo tempo levantar bandeiras partidárias, causa um grande desconforto. Para mim e para os outros. Mesmo assim, me arrisco a palpitar, e tentar ser mais jornalista do que militante. Não é fácil. Por isso, estou pronto para os debates, mesmo aqueles raivosos de pessoas que ao invés de debater ideias, preferem detratar o autor. Já estou vacinado. E basta filtrar aqueles que não respeitam o bom debate. E vamos às informações.

Em meio ao descrédito com as pesquisas, SIM e NÃO fazem a tônica do embate pela prefeitura

Creio, como muitos, que esta deve ser a eleição com um resultado dos mais apertados de todos os tempos, entre os dois principais candidatos à Prefeitura. Alexandre Von, do PSDB e Lucineide Pinheiro do PT devem ser um dos vencedores da contenda, provavelmente com uma pequena margem de diferença entre ambos. A possibilidade de uma vitória acachapante de ambas as partes parece ser remota. Tive acesso a diversos resultados de pesquisas internas, de um lado e de outro. E juntando com as pesquisas publicadas, a sensação é a mesma.
Cheguei a participar de um programa de Lucineide falando do fenômeno da tendência das pesquisas, que historicamente definem o resultado na reta final. E quem sempre está na frente com ampla vantagem antes da campanha começar, corre sempre o risco de iniciar uma queda gradual ou exponencial, como no caso do comunicador Celso Russomano (PRB), candidato a prefeito em São Paulo, que de provável vencedor ainda no 1º turno corre o risco de nem chegar ao 2º turno e assistir de camarote a mas uma contenda entre PT e PSDB.
Mas em Santarém, a queda anotada em relação ao candidato que esteve sempre na frente foi gradual. A candidata que entrou na campanha com menos de três meses, independente do resultado de hoje, já pode ser considerada um fenômeno: de 0% enfrentou os quase 47% construídos por Alexandre nos últimos anos e praticamente encostou no seu cangote.
De um lado, o PT fazendo uma campanha junto com outros 11 partidos aliados, para provar que os oito anos no poder renderam bons frutos. Do outro, uma oposição acertando constantemente aquele mesmo soco no fígado, no que parecia ser o calcanhar de Aquiles da gestão Maria do Carmo II: ruas esburacadas e caos nos hospital municipal.
Como sempre acontece, programas de governo não foram expostos para debate. Sobrou malícia e acusações, vídeos com ataques grosseiros ou mensagens humoradas. E como pano de fundo o plebiscito, com Alexandre tentando dizer que é do SIM, apesar de apoiado pelo governador do NÃO e Lucineide reforçando a convicção do NÃO em detrimento de um possível SIM. Entre o SIM e o NÃO muitos eleitores ficaram no TALVEZ. Hoje a resposta sairá das urnas.
Outros três candidatos participaram do embate, quase como co-adjuvantes: Márcio Pinto (PSOL), José Maria Tapajós (PMDB) e Rubson Santana (PSC). Duas decepções e uma surpresa que se prepara para voos mais altos. A decepção maior fica por conta de José Maria Tapajós, que pode amargar até mesmo um quarto lugar (o que seria uma vergonha para o poderoso PMDB de Jader Barbalho), se a performance esperada de Márcio Pinto se confirmar. Este por sua vez, ganhou mais experiência e deve ser forte candidato à uma vaga na Alepa dentro de dois anos, principalmente se o PSOL confirmar Edmilson Rodrigues na prefeitura de Belém. Ao Zé Maria, resta o esforço final para tentar eleger seu herdeiro político, o webdesigner Júnior Tapajós para a Câmara Municipal.
A outra decepção ficou por conta de Rubson Santana, que despontava como uma novidade que poderia dar o que falar, mas não pelo lado folclórico. O “candidato das maquetes”, mostrou a fragilidade uma estrutura quase inexistente, baseada apenas numa trupe de abnegados religiosos da Assembleia de Deus, a qual pertence. Projeto inacabado de político com uma nova mensagem, Rubson deve apenas servir como um palanque alternativo para o deputado federal Zequinha Marinho (PSC-PA), em sua tentativa de reeleição em 2014.
Daqui a pouco um post sobre as chances de quem pode chegar na Cãmara Municipal.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Jornalista compra briga com Judiciário por relações com Jatene


Charge do Blog do Barata


A jornalista Ana Célia Pinheiro vai pedir ao TSE o afastamento do presidente do Tribunal Eleitoral do Pará, Ricardo Nunes, e do juiz federal Antonio Carlos Campelo. E vai requerer ao CNJ e CNMP abertura de investigação para determinar a quantidade de magistrados que possuem parentes como assessores especiais do Governador do Pará, Simão Jatene. Denúncia afirma que essa prática ofende a Magistratura e a própria República.


Saiba mais sobre isso no Blog Perereca da Vizinha.


A dupla do NÃO E NÃO, quer dominar a Prefeitura de Santarém.