sábado, 30 de junho de 2012

Eleições 2012: traições, conchavos e muito toma-lá-dá-cá durante a madrugada de sábado


Convenções partidárias marcadas por todo o dia de hoje serão mera formalidade burocrática para a definição do quadro, mas até o final do dia, ainda podem ocorrer mudanças significativas na famosa “sopa de letrinhas”...

Três Raimundos e um Zé disputando a prefeitura...
No momento em que escrevia estas linhas, no início da madrugada deste sábado, recebia informações, através de contatos pela net ou por telefone, sobre as negociações que ocorriam nos bastidores políticos para o fechamento das chapas que disputarão as eleições do dia 7 de outubro de 2012, para a sucessão da prefeita Maria do Carmo e para as 21 vagas na Câmara Municipal.

Muita movimentação na madrugada, com partidos indo de um lado para o outro, num cenário em que traições acontecem, máscaras caem. Antigos inimigos tornam-se aliados de uma hora para outra. Coligações criam-se ou desfazem-se. Negociações de cargos ou até de recursos financeiros avolumam-se, numa movimentação de fazer inveja à Bolsa de Valores!

Por isso, é possível que tudo o que tenha escrito neste post, tenha mudado em poucos segundos, dependendo do vai-e-vem dos líderes partidários. Esse é um fenômeno normal em todo o país, às vésperas de convenções partidárias. E o que está em jogo não são ideologias ou programas de governo, mas a busca do poder através da promessa de cargos futuros, visando inclusive outros cenários eleitorais daqui a dois anos.

Nos tópicos abaixo, tentarei ser o mais fiel às últimas informações recebidas nos bastidores, através de lideranças partidárias, jornalistas ou pessoas que vivem no mundo das especulações políticas. Mas sinceramente, é mais fácil usar um velho jargão do futebol: o jogo só acaba quando termina.

Dois vereadores em busca de uma identidade

Entre as 27 siglas partidárias que estarão na disputa deste ano em Santarém (são 30 ao todo no Brasil), duas andaram correndo os últimos dias de um lado para o outro, talvez pela falta de identidade de seus líderes com qualquer proposta ou talvez por interesses mais escusos. Os vereadores Reginaldo Campos (PSB) e Valdir Mathias (PV), entraram numa disputa acirrada entre os dois grandes blocos partidários liderados pelas duas famílias que se alternam no poder nos últimos 16 anos: os Maia e os Martins. Os dois partidos, atualmente são da base aliada do Governo Maria II, mas flertaram com o grupo opositor do qual já foram aliados em passado recente.


As candidaturas a prefeito até agora postas são do deputado estadual Alexandre Von (PSDB), do microempresário Inácio Corrêa (PT), do professor Márcio Pinto (PSOL) e do vereador José Maria Tapajós (PMDB). O trio inicial é o que eu chamo de integrantes da Guerra dos Raimundos, que pode ter a companhia de um Zé na contenda... 

Há ainda duas pré-candidaturas que devem “desaparecer” por todo o dia de hoje: Osmando Figueiredo (PDT) e Rubson Santana (PSC), que deverão se juntar a alguns dos outros blocos.

O verde imaturo

Mathias: trair de novo?
Valdir Mathias Jr. – o vereador verde que parece ainda não ter amadurecido – vive um dilema hamletiano nas últimas semanas: ser ou não ser traidor, de novo? Filho da ex-secretária municipal de educação Maria José Marques (já falecida) e do multi-empresário Valdir Mathias, tenta seu terceiro mandato de vereador, depois de ter flertado com uma candidatura de seu partido que era considerada a terceira via (do médico Erik Jennings), mas que acabou não se materializando.

O problema é que Valdir era aliado, de berço, do grupo do ex-prefeito e deputado federal Lira Maia (DEM), sócio e amigo de seu pai, cujos negócios renderam processos que até hoje ainda aguardam decisão judicial, sob a acusação de improbidade administrativa. Em 2008, ficou com a suplência na coligação com o DEM, mas acabou ascendendo ao cargo de vereador com a cassação do neófito Chico da Ciframa, condenado por crime eleitoral. Para se manter no cargo, Valdir acabou se aproximando do Governo Maria II que lhe deu sustentação para brigar pelo mandato. E recentemente, o pai, que vinha sendo excluído das licitações da Prefeitura, acabou retornando aos negócios...

O que Valdir quer é a coligação de um ou mais partidos que lhe garantam o retorno à Câmara, através do quociente eleitoral, que este ano deve ser menor do que 2008 (leia mais no texto abaixo, Prováveis formações para a Câmara Municipal). Dentro das coligações oferecidas pelo PT, Mathias não vinha conseguindo o necessário respaldo, o que o levou aos braços do antigo aliado. Além disso, o grupo minoritário do médico Erik Jennings, autodenominado PAJU, sempre teve relações mais estreitas com Alexandre Von, candidato do PSDB, bem como com o governador Simão Jatene. Até o momento em que fechava este post, Valdir estava propenso a se coligar com o DEM de Lira Maia, mas ainda havia a possibilidade de mudanças durante o dia.

Nos Campos do Senhor

Já o vereador Reginaldo Campos (PSB), também vem negociando freneticamente com todos os candidatos. Em suas mãos, pesquisas que sempre o indicaram como um excelente postulante ao cargo de prefeito ou vice, por conta de sua performance no plebiscito pelo Estado do Tapajós. Expoente dos evangélicos, Reginaldo mantém um séquito de assessores junto à Prefeitura e ao Governo do Estado. A definição por um lado significa perder cargos no outro, e sem isso Reginaldo não sobrevive na política. Ele é conhecido por sua voracidade por cargos, em troca do apoio dos evangélicos aos projetos em debate.

Reginaldo: servindo a dois senhores
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de rever o impedimento aos chamados “contas-sujas’ chegou em boa hora para Reginaldo, que foi flagrado com erros em sua última campanha. De um lado, ouviu as propostas sedutoras do PT, que o queria até como vice-prefeito. Mas a resistência do PDT de Osmando Figueiredo, que lançou sua candidatura factóide a prefeito para pressionar os petistas por não querer o ex-pastor na vaga que já foi dos brizolistas, acabou inviabilizando essa união. Por conta disso, Reginaldo passou então a negociar com Lira Maia (DEM), de quem também já foi aliado num passado recente, mas que passou a tê-lo como seu alvo de ataques nos bastidores, pelos holofotes do plebiscito de 2011.

Reginaldo, no alto de sua megalomania, ensaiou inclusive uma aproximação da candidatura de José Maria Tapajós (PMDB), que ainda não se encontrou desde seu lançamento, pós-saída de cena de Antonio Rocha. O ex-cabo da PM, tentou arregimentar seu colega verde indeciso, Valdir Mathias, para juntos encorparem a candidatura peemedebista. Mas até o momento em que escrevia estas linhas, nenhum dos dois havia se definido.

Até o final do dia, saberemos se trair e coçar é só começar...


Um minuto do seu tempo pelo tempo de um mandato

Os candidatos às eleições majoritárias (prefeito), brigam por mais siglas para demonstrar força ao eleitor, dando a entender que quanto mais partidos em redor de um candidato, mais apoio ele tem da sociedade. Mas, além disso, a quantidade de partidos auxilia no aumento do tempo de propaganda no Rádio e na TV. Cada minuto é importante para que o candidato a prefeito possa utilizar as técnicas de marketing para convencer seu eleitorado.

Quanto menos candidatos se tem numa campanha, maior a possibilidade do tempo ser dividido entre os maiores blocos de partidos. Às vezes um bom candidato não consegue juntar um número de partidos que o ajudariam a ter mais tempo para a mensagem. E a busca desses partidos, acelera o ritmo de negociações pelos candidatos a prefeito.

Mas os partidos também querem o tempo de outros partidos para compor seu horário de vereadores. Esta deverá ser a última eleição em que será permitida a coligação de partidos para a votação proporcional (vereadores). A partir das próximas eleições, os partidos terão que dar seu recado separado, no tempo que lhes couber individualmente.

Sopa de letrinhas

Com a criação do PEN, na semana passada, o Brasil chegou ao inacreditável número de 30 partidos constituídos! Essa proliferação de partidos se iniciou com a abertura democrática (anos 1980), ainda no regime militar, quando se extinguiu o bipartidarismo (entre MDB e Arena) para a criação de vários partidos. De lá para cá muitos foram criados, depois fundidos com outros ou recriados, até chegarmos aos atuais 30 partidos.

Mas destes, somente 29 estão habilitados a participar das eleições de 2012 (o PEN está fora). Em Santarém, hoje, há somente 27 dos 30 partidos organizados nacionalmente. Da lista de siglas locais, somente o PCB – Partido Comunista Brasileiro, o PCO – Partido da Causa Operária e o PEN – Partido Ecológico Nacional, ainda não foram organizados aqui.

Veja abaixo os partidos estruturados em Santarém e ordenados pelo número de filiados inscritos até maio deste ano, conforme consulta no site do TSE:

Ord
Sigla
Nome do partido
Filiados
1.                    
13
PARTIDO DOS TRABALHADORES
3.044
2.                    
15
PARTIDO DO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO
2.431
3.                    
40
PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO
1.832
4.                    
45
PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA
1.710
5.                    
14
PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO
1.372
6.                    
11
PARTIDO PROGRESSISTA
1.232
7.                    
25
DEMOCRATAS
1.102
8.                    
12
PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA
864
9.                    
23
PARTIDO POPULAR SOCIALISTA
622
10.                 
22
PARTIDO DA REPÚBLICA
416
11.                 
43
PARTIDO VERDE
388
12.                 
20
PARTIDO SOCIAL CRISTÃO
386
13.                 
36
PARTIDO TRABALHISTA CRISTÃO
283
14.                 
50
PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE
252
15.                 
44
PARTIDO REPUBLICANO PROGRESSISTA
238
16.                 
10
PARTIDO REPUBLICANO BRASILEIRO
179
17.                 
65
PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL
175
18.                 
17
PARTIDO SOCIAL LIBERAL
156
19.                 
27
PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA CRISTÃO
149
20.                 
33
PARTIDO DA MOBILIZAÇÃO NACIONAL
130
21.                 
28
PARTIDO RENOVADOR TRABALHISTA BRASILEIRO
67
22.                 
55
PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO
65
23.                 
19
PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL
54
24.                 
54
PARTIDO PÁTRIA LIVRE
16
25.                 
70
PARTIDO TRABALHISTA DO BRASIL
16
26.                 
16
PARTIDO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES UNIFICADO
03
27.                
31
PARTIDO HUMANISTA DA SOLIDARIEDADE
00
TOTAL DE FILIADOS EM PARTIDOS DE SANTARÉM ...........................................
17.182

Os números acima, como disse, foram compilados por mim, através de consulta ao site do TSE, que este ano disponibilizou a lista de todos os filiados dos partidos no Brasil. Entretanto, em consulta com alguns líderes partidários, constatei que alguns números não batem com as informações internas dos partidos.

Dois casos na lista acima são gritantes: o PSTU que teria só três filiados, o que o impossibilitaria de ter comissão provisória municipal (o mínimo para a formação é de cinco filiados). Segundo um de seus membros, eles já teriam formado essa comissão e que o número verdadeiro de filiados seria de 14; e o PHS, que não registra nenhum filiado. Neste caso há duas informações: uma de que o presidente do partido ao perder o poder sobre a comissão municipal, teria resolvido apagar todas as filiações do sistema Filiaweb, disponibilizado com senha para presidentes de partidos. Mas fontes do PMDB asseguram que o partido tem filiados sim e comissão provisória, pois contam com ele em sua coligação.

Fico à disposição dos presidentes de agremiações que queiram contestar os números, entretanto trabalharei com estes, que consegui junto ao TSE e até segunda ordem, são oficiais. A lista geral que elaborei, pode ser encontrada neste link. Veja se seu nome está em alguma lista partidária... 

Pelos dados acima, constata-se que menos de 10% dos eleitores santarenos estariam filiados em alguma sigla partidária. Algumas das grandes siglas nacionais com tradição na política local, ocupam os primeiros lugares acima de 1.000 filiados: PT, PMDB, PSB, PSDB, PTB, PP e DEM. Destas, no atual cenário, apenas PTB e PP, não têm a força que o número de seus filiados sugere para a negociação com as outras siglas. 

Já o PDT, que surge como 8ª força na relação acima, é um dos partidos que nunca pode ser desconsiderado, principalmente pela astúcia de seu presidente, Osmando Figueiredo, que conseguiu estar presente como principal articulador dos prefeitos eleitos entre 1992 e 2008, e que pode vir a ser fiel da balança nas eleições deste ano, mais uma vez, pelo menos na formação dos blocos.

Prováveis formações partidárias para prefeito

Até o encerramento deste post, pelas informações que recebi de várias fontes estas serão as prováveis formações de blocos partidários, exceto se houverem mudanças (o que é bem possível) durante o dia de hoje. As siglas com asterisco são as que podem mudar de lado:

- Coligação em torno do candidato Alexandre Von: PSDB – DEM – PPS – PMN – PSDC – PSD – PV* – PSB* – PSC*;

- Coligação em torno do candidato Inácio Corrêa: PT – PDT – PR – PP – PRTB – PTB – PCdoB – PTN – PRB – PTC – PRP – PPL – PV* – PSB* – PSC*;

- Coligação em torno do candidato Márcio Pinto: PSOL;

- Coligação em torno do candidato José Maria Tapajós: PMDB – PSL – PHS;


Prováveis mudanças nas cabeças

Santana: fim do sonho?
No caso do PSC, como já disse no texto anterior, o candidato Rubson Santana até ontem mantinha sua candidatura, apesar da rebeldia dos candidatos a vereador do partido que encontravam dificuldades para costurar uma coligação na proporcional para eleger pelo menos um deles para a Câmara Municipal. Até à madrugada havia rumores de que Santana acabaria sucumbindo ao clamor de seus filiados e se aliando a um dos blocos existentes.

Osmando Figueiredo (PDT) também anunciava pelos seus liderados de que não retiraria sua candidatura, mas trata-se de estratégia para pressionar o PT pela vice, disputando o cargo com o PR e o PSB, desde que o PMDB desembarcou da coligação e lançou candidato próprio. A candidatura de Osmando só se confirmará se o PT não lhe entregar a vice, o que já pode estar acertado. As últimas informações davam como certa a indicação da vereadora pedetista Marcela Tolentino, para o cargo.

Osmando: mando e desmando...
Há também o caso emblemático de José Maria Tapajós. O PMDB pode rever sua posição e retirar a candidatura do vereador, dependendo das negociações que ocorrem em âmbito nacional e regional. Para isso, o PT terá que retirar a candidatura do vereador Alfredo Costa, pré-candidato do partido à Prefeitura de Belém, e compor como vice na chapa do ex-deputado José Priante (PMDB), de forma a definir a dobradinha PT/PMDB em Santarém. Mas neste caso, o candidato seria o atual vice-prefeito José Antonio Rocha. José Maria Tapajós correria então, para conquistar seu 7º mandato de vereador. Até o final deste sábado (30/06) saberemos se essa relação se consolida.

Prováveis formações para a Câmara Municipal

Dos 27 partidos relacionados acima, alguns podem não ter candidatos a vereador, mas mesmo assim poderiam compor coligações para eleição de chapas na Câmara Municipal. É o caso do PSTU, que apesar de estar organizado, não deve participar da campanha este ano, segundo fontes do partido. Já o PPL e o PHS podem integrar ou não algumas coligações.

Alguns partidos não concorrerão coligados. É o caso do PSOL, que não coliga com ninguém por opção. O PDT provavelmente também não se coligará, mas pode acabar agregando a sigla PPL, sobre a qual tem influência. Já PSC, PSB e PV, dependem dos rumos da negociação de seus líderes para definir se saem com chapa pura ou coligados com outras siglas.

Em caso de não coligação, a legislação indica que os partidos podem lançar até 1 e ½ candidatos por vaga (32 candidatos). Já os partidos coligados podem lançar até o dobro das vagas existentes (42 candidatos). Se todos usarem estes critérios, poderemos ter mais de 350 candidatos a vereador este ano, mais que o dobro de 2008!

As coligações provavelmente fechadas para vereadores até o início da madrugada eram estas:

- PT/PR;

- PMDB/PSL/PHS;

- PCdoB/PTN/PTB;

- PP/PRB/PRTB;

- PPS/PMN/PSDC;

- PSDB/PSD;

- PRP/PTC/PTdoB


A previsão de quociente eleitoral deste ano é de 7.500 votos para eleger um vereador. Essa votação tem que ser alcançada pelo partido ou coligação. A cada 7.500 votos um vereador é eleito. O restante da soma serve para definir as vagas dos candidatos na chamada "sobra partidária". 

Um comentário:

O Estado do Tapajos On Line disse...

Jota, a maior parte das informações por ti publicadas está na ediçäo de O Estado do Tapajós que circulou ontem no final da tarde. Parabéns pela cobertura desses bastidores. Abraços. Miguel Oliveira.